Equador lança ofensiva contra o narcotráfico com apoio dos EUA e aumenta tensão com a Colômbia

O governo do Equador iniciou uma nova fase de combate ao narcotráfico com apoio dos Estados Unidos, anunciando operações conjuntas entre forças militares e policiais que devem ocorrer ao longo de março em diferentes regiões do país. A iniciativa, porém, elevou as tensões diplomáticas com a vizinha Colômbia, que acompanha com preocupação o aumento da presença militar e o impacto regional das ações.

A cooperação foi divulgada pelo Comando Sul dos Estados Unidos, que publicou um vídeo nas redes sociais destacando o início das operações conjuntas contra grupos criminosos classificados pelo governo equatoriano como organizações terroristas. Segundo a instituição militar norte-americana, as ações demonstram o compromisso de aliados na América Latina em enfrentar o chamado “narcoterrorismo”.

Nova fase da ofensiva contra o crime

A intensificação da cooperação ocorreu após a visita ao país do comandante do Comando Sul, Francis Donovan, que se reuniu com autoridades equatorianas no início da semana. Após o encontro, o presidente Daniel Noboa anunciou que o país entrará em uma “nova fase” da luta contra o narcotráfico e também contra a mineração ilegal.

Nas redes sociais, Noboa afirmou que operações conjuntas com aliados regionais, incluindo os Estados Unidos, serão realizadas durante o mês de março, destacando que a segurança pública se tornou prioridade diante da escalada da violência no país.

Posteriormente, o ministro do Interior do Equador, John Reimberg, informou que entre 15 e 30 de março o governo deve decretar toque de recolher em quatro províncias, permitindo a realização de grandes operações policiais e militares voltadas à captura de membros de organizações criminosas.

Apoio dos EUA ainda gera dúvidas

Apesar do anúncio, ainda não está claro qual será exatamente o nível de participação dos Estados Unidos. Autoridades não confirmaram se haverá presença direta de tropas norte-americanas ou envio de equipamentos militares, ou se a cooperação se limitará a apoio logístico, inteligência e treinamento.

O vídeo divulgado pelo Comando Sul mostra helicópteros militares operando em uma área florestal. Especialistas em segurança identificaram nas imagens aeronaves Eurocopter AS332 “Super Puma”, utilizadas pelas Forças Armadas equatorianas. O Ministério da Defesa do país não confirmou se havia aeronaves americanas envolvidas na operação.

Criminalidade em alta no Equador

O Equador atravessa atualmente uma das piores crises de segurança de sua história recente. Nos últimos anos, o país passou a ser uma importante rota de exportação de cocaína produzida na Colômbia e no Peru, com drogas sendo enviadas para mercados da América do Norte e da Europa através de portos equatorianos.

Segundo o governo de Noboa, a presença crescente de gangues ligadas a cartéis internacionais transformou cidades portuárias em centros estratégicos do narcotráfico, contribuindo para o aumento de homicídios, sequestros e extorsões.

Analistas apontam, no entanto, que o crescimento da violência pode estar ligado a diversos fatores, incluindo disputas entre facções locais, fragilidade institucional e mudanças nas rotas do tráfico internacional.

Alinhamento com Washington

A nova estratégia também reflete um maior alinhamento do Equador com a política externa dos Estados Unidos. Recentemente, Noboa recebeu em Quito o secretário de Estado Marco Rubio e a secretária de Segurança Nacional Kristi Noem, em busca de acordos de cooperação e apoio financeiro para enfrentar o crime organizado.

Especialistas avaliam que Washington tem intensificado sua presença estratégica na América Latina dentro de uma política mais ampla de combate ao tráfico de drogas e controle da imigração irregular.

Segundo o analista de segurança Renato Rivera, diretor do Observatório do Crime Organizado do Equador, o anúncio das operações conjuntas não é casual.

“Vemos um alinhamento crescente do Equador com a política externa dos Estados Unidos e com estratégias regionais de combate ao narcotráfico”, afirmou.

Tensões regionais

A nova ofensiva também ocorre em meio ao aumento das tensões entre Equador e Colômbia, que acompanha com cautela a possibilidade de operações militares próximas à fronteira e a crescente cooperação entre Quito e Washington.

Além disso, o governo equatoriano tomou recentemente uma decisão diplomática inesperada ao expulsar o embaixador de Cuba e toda a missão diplomática do país, ao mesmo tempo em que retirou seu próprio embaixador de Havana. As autoridades não explicaram oficialmente os motivos da medida.

Para analistas, a combinação de operações militares internas, maior cooperação com os Estados Unidos e decisões diplomáticas recentes indica que o governo de Noboa busca reposicionar o Equador no cenário regional enquanto tenta conter a expansão do crime organizado.

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