Guerra no Irã causa racha nos BRICS: divergências expõem fragilidades do bloco

A ofensiva militar conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no dia 28 de fevereiro de 2026, e as respostas iranianas que se seguiram desencadearam uma divisão diplomática significativa dentro do grupo dos BRICS bloco formado por Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia.

Origem e escalada do conflito

A crise começou quando os EUA e Israel lançaram ataques aéreos em território iraniano, numa operação que matou o líder supremo Ali Khamenei, além de outros oficiais de alto escalão do governo iraniano. O governo dos EUA alegou que as ações tinham como objetivo neutralizar ameaças nucleares e de mísseis por parte de Teerã.

Em resposta, o Irã e grupos aliados dispararam mísseis e drones contra bases norte-americanas e posições de países aliados na região do Golfo Pérsico. A escalada tem elevado a tensão não só no Oriente Médio, mas também no cenário geopolítico global.

BRICS dividido: posições contrastantes

Enquanto Brasil, China e Rússia emitiram declarações oficiais condenando os ataques de EUA e Israel ao Irã, outros membros do bloco têm sido mais cautelosos ou adotaram posições distintas sobre a escalada.

Brasil: pelo Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro condenou os ataques dos EUA e Israel a Teerã, ressaltando que a negociação deveria ser o caminho para a paz no Oriente Médio e que medidas unilaterais violam o direito internacional.

China e Rússia: ambos os países também criticaram as ofensivas, classificando as ações como violação da soberania iraniana e pedindo a paralisação imediata da violência. Pequim chamou a operação de “inaceitável” e ressaltou que não foi consultada previamente, enquanto Moscou afirmou que medidas unilaterais podem desestabilizar ainda mais a região.

Índia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita: esses países, também integrantes dos BRICS (na versão expandida do grupo), adotaram posições menos críticas aos ataques de Estados Unidos e Israel, e concentraram suas declarações em condenar as ações de retaliação do Irã contra bases americanas no Golfo.

Sem consenso: impasse diplomático no bloco

Segundo diplomatas ouvidos pela BBC News Brasil, o governo brasileiro tem buscado consultas com outros membros dos BRICS para buscar um entendimento coletivo, mas não há, até o momento, previsão de uma posição formal conjunta do bloco sobre o conflito.

Especialistas apontam que as divergências refletem as contradições internas do grupo, que reúne países com interesses geopolíticos profundamente distintos, o que dificulta qualquer ação coletiva ou resposta unificada diante de crises internacionais.

Em julho de 2025, quando o Irã também foi alvo de ataques aéreos dos Estados Unidos e Israel, os BRICS conseguiram emitir uma posição conjunta algo que, na avaliação de interlocutores do governo brasileiro, não deve se repetir agora devido à complexidade da escalada atual e à liderança indiana do bloco neste ano.

O que isso significa para os BRICS

A atual crise no Oriente Médio expõe os desafios de um bloco que, nos últimos anos, ampliou sua composição para incluir países com agendas regionais diversas. A incapacidade de apresentar uma frente diplomática única diante de um conflito global de alta intensidade pode enfraquecer a percepção internacional de coesão entre esses países.

Analistas também observam que a falta de uma resposta unificada sobre um dos conflitos mais graves do início de 2026 coloca em evidência as limitações do BRICS em agir como um ator geopolítico capaz de moldar respostas globais em momentos de crise.

Compartilhe este artigo

Foto de Zyrion Brazil

Zyrion Brazil

Notícias • Negócios • Entretenimento Narrativas que conectam o mundo