Cubanos lideram pedidos de refúgio no Brasil e nova rota migratória preocupa autoridades

A chegada de cubanos ao Brasil atingiu níveis recordes em 2026 e transformou a nacionalidade na principal entre os solicitantes de refúgio no país. Impulsionado pela crise econômica em Cuba e pelas mudanças nas rotas migratórias das Américas, o fluxo crescente tem mobilizado autoridades, pesquisadores e organizações humanitárias em Roraima.

Somente entre janeiro e abril deste ano, mais de 13 mil cubanos solicitaram refúgio ao governo brasileiro. O número supera com folga o registrado por outras nacionalidades e reforça uma tendência observada desde 2025.

Cubanos ultrapassam venezuelanos nos pedidos de refúgio

Durante anos, os venezuelanos lideraram as estatísticas de refúgio no Brasil. No entanto, esse cenário mudou recentemente.

Em 2025, os cubanos passaram a ocupar o primeiro lugar entre os solicitantes. Naquele ano, cerca de 42 mil cidadãos da ilha solicitaram proteção internacional no país, aproximadamente 20 mil a mais que os venezuelanos.

Além disso, os dados de 2026 indicam que o movimento continua crescendo. Por isso, especialistas avaliam que o fenômeno já representa uma das maiores mudanças recentes no perfil migratório brasileiro.

Rota pela Guiana se tornou principal caminho

Grande parte dos cubanos tem utilizado a Guiana como porta de entrada para a América do Sul.

Como o país não exige visto para cidadãos cubanos, milhares embarcam em voos saindo de Havana com destino a Georgetown. Depois disso, seguem por longas viagens terrestres até a região de Lethem, cidade localizada na fronteira com o Brasil.

A partir desse ponto, muitos acabam recorrendo a atravessadores ilegais para cruzar o rio Tacutu e chegar ao território brasileiro.

Consequentemente, os migrantes ficam expostos a situações de vulnerabilidade, exploração financeira e condições precárias de deslocamento.

Travessias clandestinas preocupam autoridades

Nos últimos meses, equipes da Polícia Rodoviária Federal registraram diversos casos de grupos de cubanos caminhando por rodovias de Roraima após entrarem irregularmente no país.

Muitos chegam debilitados. Alguns relatam dias de viagem com pouca alimentação. Outros apresentam problemas respiratórios ou gastrointestinais.

Além disso, organizações de acolhimento apontam que diversos migrantes contraem dívidas elevadas para financiar a jornada.

Segundo relatos coletados por pesquisadores, algumas famílias desembolsam mais de US$ 10 mil para custear a saída de Cuba e o percurso até o Brasil.

Informação incorreta favorece atuação de coiotes

Especialistas acreditam que muitos cubanos desconhecem os procedimentos legais disponíveis na fronteira brasileira.

Pela legislação nacional, qualquer estrangeiro pode solicitar refúgio diretamente às autoridades migratórias ao chegar ao país. Portanto, a travessia clandestina não é uma exigência para formalizar o pedido.

Mesmo assim, redes ilegais continuam convencendo migrantes de que a entrada irregular seria necessária.

Por outro lado, autoridades perceberam recentemente um aumento no número de cubanos que já procuram os postos oficiais de fronteira para registrar o pedido de proteção internacional.

Esse movimento sugere que informações mais precisas começam a circular entre os migrantes.

Mudanças nos EUA influenciam novo fluxo

Outro fator que ajuda a explicar o aumento da migração cubana envolve as transformações nas rotas tradicionais rumo aos Estados Unidos.

Durante anos, muitos cubanos utilizavam a Nicarágua como ponto de entrada na América Central. A partir dali, seguiam por terra até a fronteira norte-americana.

Entretanto, o governo nicaraguense encerrou a isenção de visto para cubanos em fevereiro deste ano. A decisão reduziu drasticamente essa alternativa.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos adotaram políticas migratórias mais rígidas desde o retorno de Donald Trump à presidência.

Dessa forma, muitos migrantes passaram a enxergar o Brasil como uma opção mais acessível para reconstruir a vida fora da ilha.

Crise econômica acelera saída de cubanos

A deterioração das condições de vida em Cuba aparece como principal motivação para o aumento da migração.

O país enfrenta problemas de abastecimento, inflação elevada, dificuldades energéticas e apagões frequentes. Além disso, a escassez de produtos básicos afeta diretamente o cotidiano da população.

Muitos profissionais relatam dificuldades para adquirir itens essenciais mesmo trabalhando em áreas qualificadas.

Por isso, milhares de famílias passaram a buscar alternativas fora do país.

Além da crise econômica, eventos climáticos extremos também contribuem para o cenário migratório. Furacões e desastres naturais têm provocado danos recorrentes à infraestrutura cubana, agravando ainda mais os desafios enfrentados pela população.

Brasil se torna destino cada vez mais procurado

Com menos opções de deslocamento para outros países e sem perspectivas imediatas de melhora em Cuba, o Brasil passou a ganhar destaque entre os destinos escolhidos pelos migrantes.

Enquanto isso, entidades humanitárias e órgãos públicos buscam ampliar a capacidade de acolhimento em Roraima, principal porta de entrada dos cubanos no território nacional.

A tendência, segundo pesquisadores que acompanham o fenômeno, é que o fluxo continue elevado nos próximos meses. Afinal, as condições que impulsionam a saída de cubanos ainda permanecem presentes e não mostram sinais de mudança no curto prazo.

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