O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (19) que a Polícia Federal deve investigar qualquer suspeita que surja durante as apurações relacionadas ao Banco Master. A declaração ocorreu após a nova fase da Operação Compliance Zero atingir o senador Jaques Wagner (PT-BA).

Durante entrevista à BandNews TV, Haddad defendeu a atuação dos órgãos de controle e afirmou que as investigações precisam seguir sem interferências políticas. Além disso, o petista ressaltou que todos os envolvidos devem ter a oportunidade de apresentar esclarecimentos às autoridades.
Haddad defende autonomia das instituições
Ao comentar a operação, Haddad afirmou que a Polícia Federal está cumprindo sua função ao investigar suspeitas apresentadas durante o processo.
Segundo ele, caso existam dúvidas por parte dos investigadores, cabe às autoridades aprofundar as apurações para verificar a existência ou não de irregularidades. Dessa forma, o ex-ministro destacou que a investigação não representa uma condenação antecipada.
Além disso, Haddad lembrou que o próprio senador Jaques Wagner declarou estar à disposição para colaborar com os órgãos responsáveis pelo caso.
Governo defende apuração completa do caso
Durante a entrevista, Haddad afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria determinado desde o início das investigações que todas as instituições atuassem com independência.
De acordo com o petista, órgãos como Polícia Federal, Ministério Público, Supremo Tribunal Federal, Banco Central e Ministério da Fazenda devem conduzir os trabalhos sem influência política.
Por isso, Haddad reforçou que a apuração precisa avançar até o esclarecimento completo dos fatos. Segundo ele, eventuais responsabilidades devem ser identificadas independentemente do cargo ou posição ocupada pelos investigados.
Investigação não significa condenação, diz Haddad
Outro ponto destacado por Haddad foi a importância de respeitar o devido processo legal. Segundo o ex-ministro, pessoas citadas em investigações têm o direito de apresentar documentos, provas e argumentos em sua defesa.
Ao mesmo tempo, ele afirmou que a exposição pública pode servir como oportunidade para que os investigados esclareçam os fatos perante a sociedade e as autoridades competentes.
Dessa forma, Haddad defendeu que a aplicação da lei ocorra de maneira equilibrada, garantindo tanto a investigação das suspeitas quanto o direito de defesa dos envolvidos.
Operação apura suspeitas ligadas ao Banco Master
A 9ª fase da Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema de fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro relacionado ao Banco Master. A Polícia Federal busca esclarecer a atuação de pessoas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e possíveis conexões com agentes políticos.
Entre os fatos analisados pelos investigadores estão movimentações financeiras, supostos benefícios indevidos, viagens internacionais e negociações envolvendo patrimônio de alto valor.
Segundo a PF, parte das apurações envolve a relação entre Jaques Wagner e o empresário Augusto Lima, apontado como um dos aliados de Vorcaro.
Jaques Wagner nega irregularidades
O senador Jaques Wagner tem negado qualquer participação em irregularidades. A defesa afirma que não existe vínculo com Daniel Vorcaro e contesta as suspeitas apresentadas pela investigação.
Além disso, o parlamentar declarou que os valores apreendidos durante a operação possuem origem legal. Segundo sua versão, os recursos seriam provenientes de diárias recebidas em viagens internacionais realizadas durante o exercício do mandato.
Enquanto isso, as investigações seguem em andamento. As autoridades continuam reunindo documentos, depoimentos e informações para esclarecer todos os pontos analisados pela Operação Compliance Zero.
Caso segue sob análise da Justiça
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável pela supervisão do caso na Corte.
Consequentemente, os próximos passos da investigação dependerão da análise do material recolhido pela Polícia Federal. A partir disso, o Ministério Público poderá avaliar eventuais medidas futuras.
Por enquanto, não há decisão definitiva sobre os investigados. Assim, o caso continua em fase de apuração e deverá avançar conforme o andamento das diligências realizadas pelas autoridades.












