Tribunal russo bloqueia bens de bilionário do agro e amplia pressão sobre empresários

Um tribunal da Rússia determinou o bloqueio dos bens do empresário Vadim Moshkovich, fundador da gigante agrícola Rusagro. A decisão amplia a pressão sobre empresários no país em meio a investigações financeiras e ao aumento de confiscos desde 2022.

Bloqueio inclui participação bilionária

A Justiça determinou o bloqueio cautelar de bens móveis, imóveis e participações empresariais. Entre os ativos, está uma fatia de 49% na Rusagro, avaliada em cerca de 49 bilhões de rublos (aproximadamente R$ 3 bilhões).

Além disso, autoridades incluíram 100% das ações de diversas empresas ligadas ao empresário na medida. O tribunal deve realizar uma audiência oficial sobre o caso no dia 5 de maio.

Acusações e investigação

Moshkovich foi preso em março de 2025. Promotores o acusam de desviar cerca de 30 bilhões de rublos (cerca de R$ 2 bilhões). No entanto, o empresário nega as acusações e afirma ser inocente.

Enquanto isso, o processo segue em andamento, com novas etapas judiciais previstas nas próximas semanas.

Crescente intervenção estatal

Desde o início do conflito na Ucrânia, em 2022, o governo russo intensificou a intervenção sobre ativos privados. Estimativas apontam que mais de US$ 50 bilhões em propriedades já foram confiscados no período.

Além disso, promotores calculam que apenas a transferência de ativos chega a cerca de US$ 29 bilhões, no maior movimento desse tipo desde as privatizações dos anos 1990.

Reação do setor empresarial

O caso gerou forte repercussão entre empresários russos. Isso porque Moshkovich é considerado uma das figuras mais relevantes do agronegócio no país.

A situação também relembra episódios anteriores, como a prisão de Ziyavudin Magomedov, em 2018, e a detenção domiciliar de Vladimir Yevtushenkov, em 2014.

Impacto no mercado

Mesmo com o cenário, a Rusagro informou anteriormente que continua operando normalmente. A empresa é uma das maiores produtoras de açúcar, carne suína e óleos vegetais da Rússia, com exportações para países como China, Turquia e Irã.

Ainda assim, o mercado reagiu. As ações da companhia registraram queda de 1,4% nesta segunda-feira e acumulam recuo de cerca de 7% desde a listagem na Bolsa de Moscou.

Cenário de incerteza

Com o avanço das investigações e o aumento das intervenções estatais, o ambiente econômico russo enfrenta maior incerteza. Dessa forma, especialistas apontam que o caso pode influenciar decisões de investimento e a atuação de empresas no país nos próximos meses.

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