Rússia lançou diferentes tipos de mísseis e 168 drones contra Kiev e seus arredores, segundo Volodymyr Zelensky. Presidente da Ucrânia voltou a cobrar sistemas de defesa aérea dos aliados após bombardeio.
Um ataque russo a Kiev deixou pelo menos 15 mortos e atingiu uma escola, um hospital infantil, uma creche e dezenas de edifícios durante a madrugada desta quinta-feira (20). Segundo o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a Rússia utilizou mísseis e 168 drones na ofensiva contra a capital e seus arredores.
As autoridades ucranianas afirmaram que as defesas do país interceptaram parte dos projéteis. No entanto, outros atingiram diferentes pontos da região de Kiev e provocaram danos em áreas residenciais.
Zelensky classificou a ofensiva como um dos bombardeios russos “mais cínicos e calculados”. Além disso, o presidente voltou a pedir aos Estados Unidos e aos países europeus mais recursos para os sistemas de defesa aérea Patriot.
O Ministério da Defesa da Rússia confirmou a ofensiva. Entretanto, Moscou afirmou que seus militares atacaram instalações responsáveis pela produção de componentes para drones, além de um depósito militar e um centro de logística.
Ataque russo destrói parte de prédio residencial em Kiev
Segundo o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, a maior parte das mortes ocorreu no distrito de Solomianskyi.
O ataque destruiu os andares superiores de um prédio residencial de nove pavimentos. Além disso, outros distritos da capital registraram danos.
Uma escola e um hospital infantil estão entre as estruturas atingidas, segundo as autoridades ucranianas. Uma creche também sofreu danos durante a ofensiva.
Ao todo, Zelensky afirmou que o ataque atingiu pelo menos 30 edifícios.
Uma autoridade de uma cidade nos arredores da capital também relatou outra morte. Com isso, informações regionais indicavam uma 16ª vítima, além das 15 mortes inicialmente informadas em Kiev e seu entorno.
Bombardeio contra Kiev durou quase nove horas
A ofensiva russa se prolongou por quase nove horas, segundo autoridades da Ucrânia.
O primeiro-ministro ucraniano, Sergii Koretskyi, afirmou que o ataque também danificou armazéns de alimentos e instalações da Cruz Vermelha nos arredores da capital.
Portanto, os impactos não ficaram restritos aos prédios residenciais. A ofensiva também alcançou estruturas utilizadas para armazenamento e assistência humanitária.
As autoridades continuaram avaliando os danos após o fim dos ataques.
Zelensky cobra mais sistemas Patriot dos aliados
Após o bombardeio, Zelensky voltou a pressionar os aliados da Ucrânia por defesas antiaéreas, principalmente sistemas Patriot e munições capazes de interceptar mísseis balísticos.
Segundo o presidente, esse tipo de míssil representa atualmente uma das maiores ameaças para as cidades ucranianas.
“A maior ameaça é a dos mísseis balísticos. E isso depende inteiramente do fornecimento de mísseis para os sistemas Patriot destinados à Ucrânia, o que significa que depende dos parceiros do nosso Estado. Não se pode simplesmente observar em silêncio, com indiferença e inação, enquanto os russos destroem vidas”, afirmou Zelensky.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, respondeu ao pedido. Segundo ela, a União Europeia trabalha com seus Estados-membros e parceiros para fornecer recursos de defesa contra mísseis balísticos à Ucrânia.
Von der Leyen classificou essa necessidade como uma das prioridades mais urgentes.
Rússia confirma ataque, mas cita alvos militares
O Ministério da Defesa russo confirmou que suas forças realizaram ataques durante a madrugada.
Moscou, porém, apresentou uma versão diferente sobre os objetivos da operação. Segundo o governo russo, os militares atacaram instalações ligadas à produção de componentes para drones, um depósito militar e um centro logístico.
As autoridades ucranianas, por outro lado, destacaram os danos registrados em edifícios residenciais e estruturas civis.
A guerra entre Rússia e Ucrânia segue marcada por ataques de longo alcance. Moscou utiliza drones e mísseis contra diferentes regiões ucranianas, enquanto Kiev também realiza ofensivas contra alvos dentro do território russo.
Ucrânia também ataca instalações dentro da Rússia
Durante a mesma noite, forças ucranianas lançaram ataques contra instalações petrolíferas e estruturas logísticas na Rússia.
Autoridades do Tartaristão, localizado a cerca de mil quilômetros a leste de Moscou, afirmaram que um drone atingiu um complexo industrial na cidade de Nizhnekamsk. Alguns apartamentos residenciais também sofreram danos.
Os militares ucranianos, por sua vez, disseram ter atingido a refinaria de petróleo TANECO e um terminal petrolífero na região de Krasnodar.
Os ataques mostram que os dois países mantêm operações de longo alcance enquanto as perspectivas de uma solução diplomática permanecem incertas.
Negociações para encerrar guerra seguem sem avanço
A nova ofensiva ocorre em meio às discussões sobre possíveis negociações para encerrar a guerra.
Nesta quinta-feira, o Kremlin afirmou não ter informações sobre uma possível visita dos negociadores americanos Steve Witkoff e Jared Kushner a Moscou.
A declaração ocorreu depois de Zelensky afirmar que entregou propostas para o fim do conflito aos dois representantes dos Estados Unidos.
Por enquanto, porém, não há indicação de um avanço capaz de interromper os ataques.
Enquanto as negociações permanecem indefinidas, Kiev aumenta a pressão sobre seus aliados por mais sistemas de defesa aérea. Para o governo ucraniano, ampliar a capacidade de interceptar drones e, principalmente, mísseis balísticos tornou-se uma prioridade diante da continuidade das ofensivas russas.






