Fenômeno climático pode intensificar secas, enchentes e ondas de calor, afetando lavouras, infraestrutura e cadeias de abastecimento. Com menor oferta de alimentos, consumidores podem sentir os efeitos nos preços e na inflação.
O Super El Niño em formação no Oceano Pacífico pode provocar consequências que vão além das mudanças no clima. Secas, enchentes, tempestades e ondas de calor associadas ao fenômeno podem atingir plantações, comprometer a infraestrutura e, consequentemente, pressionar os preços dos alimentos e a economia global.
Anos marcados pelo El Niño costumam aumentar os riscos para determinadas culturas agrícolas. Isso ocorre porque mudanças nos padrões de chuva e temperatura podem reduzir a produtividade das lavouras ou até provocar perdas de safras.
Além disso, os impactos podem avançar pela cadeia de abastecimento. Quando a produção diminui, a oferta de determinados produtos também pode cair. Dessa forma, alimentos importantes para o consumo mundial ficam mais sujeitos a aumentos de preços.
O cenário ganha ainda mais atenção porque as previsões apontam mais de 90% de chance de um El Niño muito forte. A expectativa é que o fenômeno alcance seu pico em dezembro e possa permanecer forte ou muito forte durante o primeiro semestre de 2027.
Como o Super El Niño pode aumentar o preço dos alimentos?
A agricultura depende diretamente de condições adequadas de chuva, temperatura e disponibilidade de água. Por isso, alterações prolongadas nesses fatores podem afetar diferentes etapas da produção.
Uma seca intensa, por exemplo, pode reduzir a produtividade das plantações. Por outro lado, chuvas excessivas podem alagar áreas agrícolas, dificultar a colheita e prejudicar o transporte dos produtos.
Consequentemente, uma redução significativa da oferta pode elevar os preços.
Além disso, produtores podem enfrentar gastos maiores com irrigação, recuperação de áreas atingidas e transporte. Parte desses custos pode chegar ao consumidor ao longo da cadeia produtiva.
Portanto, o impacto não depende apenas da quantidade produzida. Custos maiores para produzir e transportar alimentos também podem contribuir para a inflação.
Secas, enchentes e calor ameaçam plantações
O El Niño acontece quando ocorre um aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança interfere na circulação da atmosfera e altera padrões climáticos em diferentes partes do planeta.
Como resultado, enquanto algumas regiões podem enfrentar períodos prolongados de seca, outras ficam mais expostas a chuvas intensas e enchentes.
Ondas de calor representam outro risco. Temperaturas extremas podem prejudicar o desenvolvimento de determinadas culturas e aumentar a necessidade de água justamente em períodos de menor disponibilidade.
Assim, os efeitos sobre a agricultura variam de acordo com cada região e com o tipo de produção.
Danos à infraestrutura também pesam na economia
Os prejuízos econômicos associados aos eventos extremos não ficam restritos às lavouras.
Enchentes e tempestades podem destruir estradas, pontes, casas, redes elétricas e instalações produtivas. Depois disso, governos e empresas precisam direcionar recursos para reconstruir as áreas atingidas.
O Rio Grande do Sul oferece um exemplo recente da dimensão desses custos. Durante as chuvas de 2024, mais de 100 deslizamentos atingiram um trecho de aproximadamente 20 quilômetros de uma estrada. A reconstrução foi estimada em R$ 700 milhões e, dois anos depois, as obras ainda continuavam.
Além do investimento necessário para recuperar a infraestrutura, interrupções nas estradas podem dificultar o transporte de alimentos, matérias-primas e mercadorias.
Com isso, os custos logísticos também podem aumentar.
Super El Niño pode aumentar a inflação?
O principal risco está na combinação entre menor oferta e custos maiores.
Se eventos climáticos extremos reduzirem a produção agrícola, determinados alimentos podem ficar mais caros. Ao mesmo tempo, danos à infraestrutura podem aumentar despesas de transporte e reconstrução.
Esses fatores podem pressionar índices de inflação, sobretudo em países onde os alimentos representam uma parcela relevante dos gastos das famílias.
Além disso, uma inflação mais resistente pode dificultar decisões de política monetária. Bancos centrais acompanham o comportamento dos preços para decidir, entre outras medidas, o nível das taxas de juros.
Portanto, dependendo da intensidade dos impactos, as consequências do Super El Niño podem avançar da agricultura para diferentes áreas da economia.
Economia global também pode perder força
Eventos climáticos extremos também interrompem atividades econômicas.
Empresas podem suspender operações devido a enchentes, produtores podem perder safras e sistemas de transporte podem ficar temporariamente inutilizados. Ao mesmo tempo, governos precisam direcionar recursos para ações emergenciais e reconstrução.
Por isso, os prejuízos acumulados provocados por secas, enchentes e ondas de calor podem alcançar cifras de trilhões de dólares mundialmente.
Quanto maiores forem a duração e a abrangência desses eventos, maior tende a ser o risco econômico.
Por que o fenômeno preocupa em 2026?
O episódio atual chama atenção porque ocorre em um planeta que já apresenta temperaturas mais elevadas devido ao aquecimento global.
Nesse contexto, cientistas acompanham como a combinação entre o El Niño e um ambiente global mais quente poderá influenciar eventos extremos.
As projeções citadas apontam mais de 90% de probabilidade de desenvolvimento de um El Niño muito forte, com pico esperado para dezembro. Além disso, o fenômeno pode continuar com intensidade elevada durante os primeiros meses de 2027.
Ainda assim, não é possível determinar antecipadamente a intensidade exata dos impactos em cada país.
Conforme o fenômeno evoluir, previsões meteorológicas e climáticas poderão indicar com maior precisão quais regiões apresentam os maiores riscos.
O que pode acontecer nos próximos meses?
Governos, produtores rurais e empresas devem acompanhar principalmente as previsões de chuva, temperatura e disponibilidade de água.
Ao mesmo tempo, o comportamento das principais regiões agrícolas será importante para determinar se haverá impactos relevantes sobre a oferta mundial de alimentos.
O Super El Niño, portanto, representa um risco que ultrapassa a meteorologia. Caso eventos extremos atinjam importantes áreas produtoras, os efeitos podem chegar às prateleiras dos supermercados, à inflação e ao crescimento econômico.
A dimensão desse impacto, porém, dependerá de onde os eventos ocorrerão, por quanto tempo permanecerão e quais culturas e infraestruturas serão atingidas.






