Apenas 20% dos brasileiros conseguem identificar deepfakes com precisão, aponta pesquisa

Uma pesquisa realizada pela Veriff em parceria com a Kantar revelou que apenas 20% dos brasileiros conseguem identificar deepfakes com precisão.

O levantamento mostrou que, embora muitos usuários acreditem conseguir diferenciar conteúdos reais de materiais criados por inteligência artificial, a taxa de acerto ainda é baixa.

Segundo os dados, cerca de 80% dos brasileiros afirmam já ter visto deepfakes na internet. O índice supera os registrados nos Estados Unidos e no Reino Unido, onde a exposição gira em torno de 60%.

Apesar disso, 32% dos entrevistados tiveram desempenho equivalente ou inferior ao acaso nos testes de identificação. Além disso, somente 20% alcançaram os níveis mais altos de acerto.

Vídeos gerados por IA confundem usuários

Os maiores erros ocorreram em conteúdos em vídeo.

Em um dos testes aplicados pela pesquisa, apenas 29% dos participantes identificaram corretamente um vídeo manipulado por inteligência artificial.

Por outro lado, 35% dos entrevistados classificaram um vídeo verdadeiro como falso.

O levantamento aponta que a evolução das ferramentas de IA tornou as manipulações mais difíceis de serem percebidas no ambiente digital.

Brasileiros usam sinais visuais para detectar fraudes

Entre os principais critérios utilizados pelos usuários para tentar identificar deepfakes estão sinais considerados artificiais ou inconsistentes.

Os entrevistados citaram pele artificial como principal indício, com 64% das respostas.

Além disso, 63% apontaram movimentos estranhos ou expressões pouco naturais em vídeos.

Outros fatores observados foram inconsistências em cabelo, olhos e dentes, mencionadas por 57% dos participantes.

Cenários incoerentes apareceram em 50% das respostas, enquanto iluminação considerada artificial foi citada por 49%.

Especialista alerta para excesso de confiança

A diretora de Mercados Emergentes da Veriff, Andrea Rozenberg, destacou que existe uma diferença significativa entre confiança e capacidade real de identificação.

“Cerca de metade das pessoas acredita que consegue identificar deepfakes, mas essa confiança não se traduz em melhores resultados”, afirmou.

Brasil lidera uso de IA para criação de conteúdo

A pesquisa também revelou que o Brasil aparece entre os países com maior uso de inteligência artificial para criação de imagens e vídeos.

Segundo o levantamento, 59% dos brasileiros afirmam já ter utilizado ferramentas de IA para produzir conteúdos digitais.

O índice supera os registrados nos Estados Unidos, com 49%, e no Reino Unido, com 38%.

Golpes digitais preocupam população

Os impactos das deepfakes também aumentam o receio em relação à segurança digital.

De acordo com o estudo, 87% dos entrevistados demonstraram preocupação com golpes e fraudes de identidade.

Além disso, 82% afirmaram temer a perda de confiança nas interações digitais.

Já 81% disseram estar preocupados com a disseminação de desinformação política por meio de conteúdos manipulados com inteligência artificial.

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