Especialistas defendem preparação antecipada para o fenômeno
O Brasil precisa reforçar medidas de prevenção diante da possibilidade de um El Niño forte nos próximos meses. A avaliação foi apresentada nesta quinta-feira (28) durante uma sessão temática realizada no Senado Federal, que reuniu parlamentares, pesquisadores e representantes do governo para discutir os possíveis impactos climáticos do fenômeno.

O debate foi conduzido pelo senador Esperidião Amin e teve como foco a preparação do país para enfrentar eventos extremos que podem afetar a agricultura, o abastecimento de água e populações que vivem em áreas de risco.
Segundo os participantes, o Brasil já possui ferramentas capazes de monitorar e prever fenômenos climáticos. No entanto, ainda precisa avançar na implementação de políticas preventivas e estratégias de adaptação.
El Niño pode ser mais intenso neste ciclo
O El Niño ocorre devido ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Como consequência, o fenômeno altera padrões climáticos em diversas partes do planeta.

No Brasil, normalmente provoca aumento das chuvas na Região Sul e períodos de seca mais severos nas regiões Norte e Nordeste.
Durante a sessão, o senador Hermes Klann afirmou que projeções internacionais indicam um possível fortalecimento do fenômeno ao longo do segundo semestre.
Além disso, ele destacou que os eventos climáticos extremos já fazem parte de uma nova realidade.
“O Brasil não está mais lidando com eventos climáticos isolados; está lidando com uma nova realidade climática. A questão agora é saber como vamos agir diante dessas informações”, afirmou.
Aquecimento global amplia riscos climáticos
O pesquisador Carlos Nobre alertou que o possível El Niño ocorre em um cenário de aquecimento global acelerado.
Segundo ele, o aumento da temperatura média do planeta intensifica fenômenos climáticos já conhecidos e amplia seus impactos.
“O ano de 2024 registrou um aumento médio global de 1,55 grau. Com mais energia disponível na atmosfera, os eventos climáticos tendem a se tornar mais intensos e frequentes”, explicou.
De acordo com o especialista, os modelos climáticos apontam uma probabilidade de 92% para o início do El Niño entre maio e julho. Além disso, as projeções indicam 98% de chance de o fenômeno atingir intensidade forte ou muito forte entre outubro e dezembro.
Por isso, Carlos Nobre reforçou a necessidade de planejamento antecipado.
Sul pode enfrentar mais chuvas e Amazônia corre risco de queimadas
Durante o encontro, especialistas destacaram que estados do Sul, especialmente Rio Grande do Sul e Santa Catarina, podem enfrentar períodos de chuvas intensas e aumento do risco de enchentes.
Ao mesmo tempo, regiões da Amazônia podem registrar condições mais favoráveis ao surgimento e à propagação de queimadas.
A diretora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, Regina Célia dos Santos, afirmou que o governo acompanha a evolução do fenômeno por meio de monitoramento contínuo.
Segundo ela, os centros internacionais ainda apontam um cenário de El Niño forte, mas não necessariamente extremo.
“Estamos avaliando constantemente os possíveis impactos em cada região do país. Além disso, produzimos informações para orientar ações preventivas e reduzir os riscos para a população”, destacou.
Parlamentares cobram ações concretas
O senador Hamilton Mourão defendeu que o país avance na adaptação da infraestrutura às novas condições climáticas.
Segundo ele, muitas cidades brasileiras não foram planejadas para enfrentar eventos extremos.
“Precisamos garantir que novas obras públicas considerem parâmetros climáticos atualizados. Dessa forma, poderemos reduzir os impactos das futuras catástrofes”, afirmou.
Além disso, os participantes ressaltaram que o debate deve envolver governos, setor produtivo, instituições científicas e sociedade civil.
Ao final da sessão, Esperidião Amin informou que as contribuições apresentadas serão incorporadas à próxima edição da cartilha do Senado sobre o El Niño. O objetivo é ampliar a conscientização e fortalecer a preparação do país diante dos desafios climáticos previstos para os próximos meses.












