Entidade aciona STJD e pede punição para presidente do Flamengo por declarações a jornalista

A União Brasileira de Mulheres (UBM) protocolou uma denúncia junto ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) pedindo a punição do presidente do Clube de Regatas do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, após declarações consideradas machistas e discriminatórias dirigidas à jornalista Renata Mendonça, do Grupo Globo. A representação foi motivada por falas proferidas por Bap durante uma reunião no dia 23 de dezembro na sede do clube, na Gávea, que, segundo a entidade, desqualificaram a profissional e a reduziram a comentários pejorativos sobre sua aparência física.

As declarações polêmicas surgiram depois que a jornalista questionou o dirigente sobre a disparidade de investimentos entre o futebol masculino e o futebol feminino do Flamengo, um tema sensível no contexto esportivo devido às inúmeras discussões sobre igualdade de recursos e visibilidade das categorias. Em resposta, Bap usou termos considerados ofensivos, referindo-se à profissional de maneira depreciativa e insensível, o que motivou a UBM a apresentar a denúncia.

No documento encaminhado ao STJD, a entidade argumenta que as falas do presidente do clube configuram um ato discriminatório, pois desqualificaram uma mulher profissional do jornalismo e se alinham às práticas de linguagem que reforçam estereótipos prejudiciais. A representação cita o artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que prevê punições para atos discriminatórios no âmbito esportivo, como suspensão de atividades e multas, podendo chegar a até R$ 100 mil no caso de condenação.

A Procuradoria do STJD está prevista para analisar o inquérito em janeiro, quando decidirá se denuncia formalmente Bap e quais serão as consequências disciplinares, o que pode incluir suspensão das atividades dentro do futebol e penalidades financeiras caso o tribunal considere que houve infração ao código.

Debate sobre conduta e igualdade no futebol

O episódio reacende um debate mais amplo sobre condutado dirigentes esportivos e igualdade de gênero dentro do futebol brasileiro, um tema que tem ganhado espaço nos últimos anos à medida que clubes e entidades esportivas enfrentam pressões para equalizar investimentos e oportunidades entre os setores masculino e feminino. A reação da UBM reflete, também, um momento em que a sociedade civil organizada e movimentos de defesa dos direitos das mulheres têm buscado maior responsabilização por comentários e comportamentos considerados discriminatórios no esporte e em outras áreas públicas.

Enquanto o caso segue para análise no STJD, o Flamengo e seus representantes ainda não divulgaram uma posição oficial sobre a denúncia, e resta saber como o tribunal disciplinar do futebol brasileiro decidirá diante de um cenário em que a linguagem e o respeito às profissionais também se tornam parte da esfera de avaliação jurídica e ética no esporte.

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