Mercado brasileiro encerra a semana sob pressão em meio às incertezas eleitorais, saída de investidores estrangeiros, tensão comercial com os Estados Unidos e avanço do petróleo.
O dólar fechou em alta de 0,52% nesta sexta-feira (14), cotado a R$ 5,2194, enquanto investidores aumentaram a cautela diante do cenário político e econômico brasileiro. Durante o pregão, a moeda americana chegou a R$ 5,2489.
Ao mesmo tempo, o Ibovespa caiu 0,10%, aos 166.934 pontos, e completou a nona sessão consecutiva de perdas. O mercado aguarda uma nova pesquisa Genial/Quaest e acompanha os possíveis efeitos da disputa eleitoral sobre a política fiscal e a economia.
Além das questões domésticas, fatores externos também pressionaram os negócios. As tensões entre Estados Unidos e Irã impulsionaram os preços do petróleo, enquanto as principais bolsas de Wall Street encerraram o dia em queda.
Por que o dólar subiu e o Ibovespa caiu?
O mercado financeiro brasileiro atravessa um período de maior aversão ao risco. Nesta semana, o JPMorgan reduziu sua recomendação para investimentos no Brasil de “compra” para “neutra” e citou, entre outros fatores, as incertezas relacionadas às eleições.
Além disso, investidores aguardam uma nova pesquisa Genial/Quaest.
Sondagens anteriores apontaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança. Para o mercado, porém, o foco não está apenas nos nomes que aparecem à frente das pesquisas. Investidores também observam quais propostas fiscais e econômicas os candidatos apresentarão durante a campanha.
Consequentemente, temas como gastos públicos, trajetória da dívida, equilíbrio fiscal e condução da economiadevem ganhar ainda mais peso nas decisões de investimento à medida que a eleição se aproxima.
Esse ambiente de cautela também ocorre enquanto investidores estrangeiros retiram recursos da bolsa brasileira, aumentando a pressão sobre os ativos locais.
Ibovespa completa nove pregões consecutivos de queda
A sequência negativa do Ibovespa chama atenção pela duração.
Com o recuo de 0,10% desta sexta-feira, o principal índice da B3 chegou ao nono pregão consecutivo de queda.
Na semana, o Ibovespa acumulou baixa de 3,06%. Já em agosto, a perda chegou a 6,05%. Apesar da recente sequência negativa, o índice ainda acumula avanço de 3,79% em 2026.
O desempenho mostra uma mudança no sentimento dos investidores em relação ao mercado brasileiro. Além das incertezas políticas, questões fiscais e comerciais passaram a influenciar com mais força as negociações.
Dólar acumula alta de 1,88% na semana
O câmbio também refletiu esse aumento da cautela.
Nesta sexta-feira, o dólar avançou 0,52% e encerrou o dia em R$ 5,2194. Na máxima, chegou a R$ 5,2489.
Com isso, a moeda americana acumulou valorização de 1,88% na semana e de 2,16% no mês.
Por outro lado, o dólar ainda registra queda de 5,64% no acumulado de 2026.
A valorização recente ocorre em um momento no qual investidores reavaliam a exposição ao Brasil e acompanham tanto o cenário eleitoral quanto os acontecimentos internacionais.
Disputa comercial entre Brasil e EUA entra no radar
Outro fator acompanhado pelo mercado é a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
O governo brasileiro iniciou o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
O acionamento da legislação, entretanto, não significa que novas tarifas serão aplicadas imediatamente. O processo ainda passa por análise antes da definição de eventuais contramedidas.
Ainda assim, uma possível escalada comercial aumenta as incertezas. Empresas e investidores avaliam os impactos que novas barreiras poderiam provocar sobre exportações, importações, custos industriais e investimentos.
Por isso, qualquer avanço nas negociações entre Brasília e Washington pode influenciar o comportamento dos mercados nas próximas semanas.
Desemprego cai para 5,4% no Brasil
Na agenda econômica brasileira, o destaque desta sexta-feira ficou com os dados da Pnad Contínua Trimestral, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A taxa de desemprego ficou em 5,4% no segundo trimestre de 2026. Além disso, 13 estados registraram redução da desocupação no período.
Os números mostram a situação do mercado de trabalho brasileiro em um momento no qual investidores também acompanham as perspectivas para atividade econômica, inflação e juros.
Nos Estados Unidos, por sua vez, as vendas no varejo registraram queda inesperada em julho. O resultado adicionou novas informações ao debate sobre o ritmo da maior economia mundial.
Tensões com o Irã fazem petróleo subir
O cenário geopolítico também contribuiu para aumentar a cautela nos mercados.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ameaçou ampliar a pressão econômica contra o Irã. A declaração ocorreu enquanto o conflito na região se aproxima de seis meses sem uma solução definitiva.
Um dos principais pontos de tensão continua sendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional de petróleo.
Antes da guerra, aproximadamente 20% do petróleo mundial transitava pela passagem. Por isso, qualquer ameaça ao fluxo de embarcações pode provocar fortes movimentos nas cotações internacionais da commodity.
Nesta sexta-feira, o Brent avançou 1,49%, para US$ 88,37 por barril. Já o WTI subiu 1,28%, para US$ 82,29.
O petróleo mais caro também preocupa os mercados porque pode aumentar a pressão sobre a inflação global.
Como fecharam dólar e Ibovespa nesta sexta-feira?
O mercado brasileiro encerrou o pregão com os seguintes resultados:
- Dólar: R$ 5,2194, alta de 0,52%;
- Máxima do dólar: R$ 5,2489;
- Ibovespa: 166.934 pontos, queda de 0,10%;
- Dólar na semana: +1,88%;
- Dólar no mês: +2,16%;
- Dólar no ano: -5,64%;
- Ibovespa na semana: -3,06%;
- Ibovespa no mês: -6,05%;
- Ibovespa no ano: +3,79%.
Bolsas internacionais também encerram dia sob pressão
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street fecharam em baixa.
O Dow Jones recuou 0,13%, enquanto o S&P 500 perdeu 0,20%. Já o Nasdaq Composite caiu 0,45%.
Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 recuou 0,20%, aos 657,86 pontos. O DAX alemão, entretanto, avançou 0,53%. Na França, o CAC 40 caiu 0,16%, enquanto o FTSE 100 britânico perdeu 0,21%.
Na Ásia, os movimentos foram mistos. O CSI 300 da China avançou 0,04%, enquanto o índice de Xangai subiu 0,01%. Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1,1%. Por outro lado, o Kospi, da Coreia do Sul, ganhou 2,42%, e o Nikkei, do Japão, avançou 0,59%.
Mercado acompanha pesquisa eleitoral e cenário internacional
Depois de nove quedas consecutivas do Ibovespa, os próximos indicadores políticos e econômicos ganham ainda mais importância para os investidores.
No Brasil, a atenção se concentra na nova pesquisa Genial/Quaest, na situação fiscal e nos desdobramentos da disputa comercial com os Estados Unidos.
No exterior, por sua vez, o mercado continuará acompanhando o conflito com o Irã, os preços do petróleo e os indicadores da economia americana.
Dessa forma, a combinação entre eleições, contas públicas, tensões comerciais e riscos geopolíticos deve continuar influenciando o dólar e a bolsa brasileira nos próximos pregões.






