Hematoma subdural: entenda problema causado por golpes que levou boxeador à morte após 11 anos em coma

 

Lesão provoca acúmulo de sangue entre o cérebro e o crânio e pode causar aumento da pressão intracraniana, danos neurológicos graves, coma e morte.

O hematoma subdural provocou graves danos neurológicos no ex-boxeador porto-riquenho Prichard Colón, que sofreu uma sequência de golpes na região da nuca durante uma luta em 2015. Após o episódio, o atleta entrou em coma e passou os anos seguintes com comprometimento cerebral severo. Sua morte ocorreu após cerca de 11 anos nessa condição.

O problema surge quando vasos sanguíneos próximos ao cérebro se rompem e liberam sangue no espaço entre o órgão e uma das membranas que o protegem. Por isso, o hematoma pode aumentar rapidamente a pressão dentro do crânio. Em casos graves, essa compressão reduz o funcionamento do cérebro e coloca a vida do paciente em risco.

O que é um hematoma subdural?

As meninges envolvem e protegem o cérebro. Entre essas estruturas passam diversos vasos sanguíneos. Quando uma pancada forte movimenta o cérebro dentro do crânio, alguns desses vasos podem se romper. Como consequência, o sangue começa a se acumular no chamado espaço subdural.

A neurologista Liz Rebouças, da UPA Santa Catarina, administrada pelo Einstein Hospital Israelita, explica que impactos intensos podem romper esses vasos. Além disso, a velocidade do sangramento e a quantidade de sangue acumulado influenciam diretamente a gravidade do quadro.

O hematoma subdural pode aparecer logo após o trauma ou evoluir de forma mais lenta. No entanto, os casos agudos exigem atenção imediata, porque o aumento rápido da pressão intracraniana pode causar danos extensos ao cérebro.

O que aconteceu com Prichard Colón?

Prichard Colón sofreu a lesão durante uma luta em 2015. Na ocasião, o boxeador recebeu diversos golpes na parte posterior da cabeça. Depois do combate, médicos identificaram um hematoma subdural.

O sangramento elevou a pressão sobre o cérebro e levou o atleta ao coma. Por isso, a equipe médica realizou uma cirurgia para aliviar essa pressão e controlar as consequências do trauma.

Colón permaneceu em coma por cerca de sete meses. Depois desse período, apresentou grave comprometimento neurológico e passou a depender de cuidados constantes. Apesar do tratamento, os danos cerebrais não regrediram.

Por que o hematoma subdural pode ser fatal?

O crânio forma uma estrutura rígida e possui pouco espaço para acomodar um sangramento. Assim, quando o sangue se acumula, ele pressiona diretamente o cérebro.

Essa pressão pode comprometer a circulação sanguínea e reduzir a chegada de oxigênio ao tecido cerebral. Além disso, o aumento da pressão intracraniana pode afetar áreas responsáveis pela consciência, pelos movimentos e por funções vitais.

Nos quadros mais graves, o paciente pode apresentar perda de consciência, convulsões, coma e danos neurológicos permanentes. Portanto, o tempo entre o trauma e o atendimento médico pode fazer diferença no prognóstico.

Quais sintomas podem indicar um hematoma subdural?

Os sintomas variam conforme o tamanho e a velocidade do sangramento. Dor de cabeça intensa, sonolência, confusão mental, náuseas, vômitos e alterações na fala estão entre os sinais mais frequentes.

Além disso, algumas pessoas podem apresentar dificuldade para movimentar um lado do corpo, alterações na visão, convulsões ou perda de consciência. Em determinados casos, os sintomas aparecem logo após a pancada. Em outros, porém, surgem horas ou até dias depois.

Por esse motivo, qualquer alteração neurológica após uma pancada importante na cabeça exige avaliação médica rápida.

Como os médicos identificam e tratam o hematoma subdural?

Os médicos costumam usar a tomografia computadorizada do crânio para identificar o sangramento. O exame mostra a localização e o tamanho do hematoma e ajuda a equipe a definir o tratamento.

Quando o sangramento é pequeno e o paciente permanece estável, a equipe pode acompanhar a evolução com novos exames e observação clínica. Por outro lado, hematomas maiores podem exigir cirurgia.

Nessas situações, o procedimento busca retirar o sangue acumulado e reduzir a pressão sobre o cérebro. Ainda assim, a cirurgia não consegue reverter todos os danos quando o trauma já comprometeu áreas importantes do sistema nervoso.

Por que golpes na nuca representam maior risco?

Golpes na parte posterior e lateral da cabeça podem provocar movimentos bruscos do cérebro dentro do crânio. Dessa forma, os vasos sanguíneos ficam mais sujeitos a rompimentos.

Em esportes de combate, as regras restringem golpes em determinadas regiões justamente para reduzir o risco de lesões graves. Mesmo assim, impactos repetidos na cabeça continuam associados a traumatismos cranianos e outras complicações neurológicas.

O caso de Prichard Colón se tornou um dos exemplos mais conhecidos dos riscos envolvidos em traumas desse tipo durante competições de alto impacto.

Caso reforça importância do atendimento rápido

A trajetória de Prichard Colón chama novamente a atenção para a gravidade dos traumatismos cranianos. Um hematoma subdural pode evoluir rapidamente e causar danos irreversíveis mesmo quando o paciente recebe tratamento hospitalar.

Por isso, reconhecer sinais como confusão, sonolência intensa, vômitos, convulsões ou perda de consciência após uma pancada na cabeça pode acelerar o atendimento. Quanto mais cedo a equipe médica identifica o sangramento, maiores são as possibilidades de controlar a pressão intracraniana e reduzir complicações.

O caso também reforça a necessidade de protocolos rigorosos de segurança em esportes de contato. Além disso, mostra como impactos repetidos na cabeça podem produzir consequências que duram por anos.

Compartilhe esta notícia

Notícias • Negócios • Entretenimento

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *