Enchente do Rio Acre: número de desabrigados passa de 400 em Rio Branco

A enchente do Rio Acre já deixou mais de 400 pessoas desabrigadas em Rio Branco. Segundo dados da prefeitura e do governo do estado, 411 pessoas, de 135 famílias, estão atualmente acolhidas em sete abrigos montados em escolas e centros culturais da capital.

Os espaços foram organizados para receber famílias afetadas pela elevação do nível do rio, que, na medição das 9h desta segunda-feira (29), atingiu 15,36 metros, permanecendo acima da cota de transbordamento, fixada em 14 metros.

Famílias desabrigadas e desalojadas

Além das famílias que precisaram ir para abrigos públicos, a Defesa Civil informou que 216 famílias estão desalojadas, ou seja, acolhidas temporariamente em casas de parentes ou amigos. Deste total, 138 solicitaram apoio para remoção, enquanto 78 deixaram as residências por conta própria.

Mesmo sem registro de chuvas nas últimas 24 horas, o nível do rio apresentou elevação de 42 centímetros, reforçando o alerta das autoridades para moradores de áreas ribeirinhas.

Relato de moradores

Moradora do bairro Seis de Agosto desde que nasceu, Janaína Brenna, de 22 anos, relatou que a enchente surpreendeu a comunidade por ocorrer fora do período mais comum.

“Ninguém estava esperando que ainda esse ano a alagação ia vir para arrebentar mesmo. Geralmente é em fevereiro e março. E aí vem Natal, Ano Novo, quando a gente pensa em festejar, acontece isso. A gente espera a Defesa Civil tirar as coisas, mas muitas vezes precisa molhar tudo para poder vir retirar, e isso é difícil, ainda mais com crianças”, lamentou.

Abrigos montados na capital

Atualmente, seis abrigos são mantidos pela Prefeitura de Rio Branco e um pelo governo do estado. Os locais e quantitativos são:

  • Escola Álvaro Rocha – Bairro Conquista
    14 famílias | 51 pessoas
  • Escola Anice Jatene – Bairro Geraldo Fleming
    16 famílias | 56 pessoas
  • Escola Maria Lúcia – Bairro Morada do Sol
    13 famílias | 38 pessoas
  • Escola Georgete Eluan Kalume – Bairro Cadeia Velha
    8 famílias | 31 pessoas
  • Escola Marilda Gouveia Viana – Bairro João Eduardo I
    9 famílias | 58 pessoas
  • Centro de Cultura Mestre Caboquinho – Bairro Vila Maria (Estrada do Aeroporto)
    75 famílias | 130 pessoas
  • Escola Estadual Leôncio de Carvalho (abrigo indígena) – Bairro Benfica
    47 pessoas

Chuvas acima da média e histórico do rio

De acordo com o coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão, o Rio Acre é monitorado desde 1970, e o último registro de transbordamento semelhante em dezembro ocorreu em 1975, há cerca de 50 anos.

Até o último domingo (28), o volume de chuva acumulado em Rio Branco chegou a 483 milímetros, quase o dobro da média esperada para o mês, que é de aproximadamente 265 milímetros — um excesso de 97% acima do previsto.

Impactos urbanos e protocolos de atendimento

As chuvas intensas, que somaram 171 milímetros entre sexta e sábado, provocaram o transbordamento de igarapés, alagamentos em bairros da parte alta e baixa da cidade, além de danos à infraestrutura urbana. Também foram registrados rompimentos de vias públicas, isolamento de ruas e deslizamentos de terra.

O coordenador da Defesa Civil explicou que, diante da alta demanda, é necessário seguir protocolos operacionais.

“Para atender a quantidade de demandas, que é muito grande, precisamos montar abrigos imediatos, abrir escolas e realizar remoções. Utilizamos o sistema 193 para que essas ocorrências entrem no fluxo correto de atendimento”, destacou Falcão.

Este é o segundo registro de transbordamento do Rio Acre em menos de um ano, já que o nível do rio também ultrapassou a cota de alerta em março.

O coronel pontuou que os moradores reclamam de determinadas situações onde não estão conseguindo apoio para saírem de suas casas e afirmou que há protocolos que precisam ser seguidos.

“Para poder atender a quantidade de demanda que é muito grande temos que montar abrigos imediatos, abrir escolas, fazer a remoção de famílias e relacionado ao corpo de bombeiros, por exemplo o corpo de bombeiros é a nossa base operacional, as equipes são da defesa civil e nós utilizamos o sistema de 193 para que essas ocasiões entrem nesse sistema imediatamente.”

As chuvas, que somaram 171 milímetros de sexta para sábado, provocaram o transbordamento de igarapés, alagamentos em bairros da parte alta e baixa da cidade e outros danos à infraestrutura urbana. Também foram observados o rompimento de vias públicas, isolamento de ruas e deslizamentos de terra.

A cota máxima é fixada em 14 metros. Isto significa que a partir desta marca, o manancial pode começar a inundar os bairros próximos às margens. Este é o segundo registro de transbordo em menos de um ano, uma vez que o rio também ultrapassou a marca em março.

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