Hui Ka Yan saiu de uma infância pobre, construiu uma das maiores incorporadoras da China e acumulou fortuna de US$ 45,3 bilhões. Após o colapso da Evergrande, o empresário recebeu condenação à prisão perpétua e perdeu seus bens pessoais.
A história de Hui Ka Yan, fundador da Evergrande, reúne alguns dos principais capítulos da expansão e da crise do mercado imobiliário chinês. O empresário saiu de uma região rural da China, construiu um império bilionário e chegou ao posto de homem mais rico da Ásia.
Nesta quinta-feira (20), porém, a trajetória ganhou um novo capítulo. Aos 67 anos, Hui Ka Yan foi condenado à prisão perpétua por um tribunal de Shenzhen, no sul da China. Além disso, a Justiça determinou o confisco de todos os seus bens pessoais.
A decisão ocorre anos depois do colapso financeiro da Evergrande. Em 2017, Hui acumulava uma fortuna estimada em US$ 45,3 bilhões, segundo a Forbes. No entanto, a crise da incorporadora derrubou grande parte desse patrimônio e transformou a empresa em um dos principais símbolos da crise imobiliária chinesa.
Quem é Hui Ka Yan, fundador da Evergrande?
Hui Ka Yan nasceu na província de Henan, no centro da China. Criado pela avó em uma região rural, ele começou a vida profissional como técnico em uma siderúrgica.
Posteriormente, Hui entrou no mercado imobiliário e fundou a Evergrande. A empresa adotou uma estratégia agressiva de expansão, baseada principalmente em empréstimos para comprar terrenos e financiar novos empreendimentos.
Ao mesmo tempo, a incorporadora vendia apartamentos com margens menores. Dessa forma, conseguia acelerar as vendas, movimentar recursos e financiar novos projetos.
A estratégia funcionou durante anos, principalmente enquanto o mercado imobiliário da China crescia rapidamente. Como resultado, a Evergrande se transformou em uma das maiores incorporadoras do país.
Como Hui Ka Yan se tornou o homem mais rico da Ásia?
O crescimento acelerado da Evergrande também multiplicou a riqueza de seu fundador.
Em 2017, a Forbes estimou o patrimônio de Hui em US$ 45,3 bilhões. Naquele período, ele alcançou o posto de homem mais rico da Ásia.
Além disso, o empresário ampliou sua influência no cenário econômico chinês. Em 2021, por exemplo, participou das comemorações do centenário do Partido Comunista Chinês, em Pequim.
A Evergrande também movimentava cifras gigantescas. Em 2020, a companhia registrou cerca de 700 bilhões de yuans em vendas anuais, valor equivalente a aproximadamente US$ 100 bilhões.
Entretanto, o crescimento escondia um problema cada vez maior: a enorme dívida acumulada pela companhia.
Por que a Evergrande entrou em crise?
Durante sua expansão, a Evergrande recorreu intensamente a empréstimos. A companhia usava esses recursos para comprar terrenos, construir imóveis e lançar novos projetos.
Para sustentar esse modelo, porém, a empresa precisava continuar vendendo apartamentos e movimentando dinheiro em ritmo elevado.
Quando o mercado imobiliário chinês perdeu força, essa estratégia começou a enfrentar dificuldades. Consequentemente, a incorporadora passou a ter problemas para cumprir seus compromissos financeiros.
Em 2021, a Evergrande deixou de pagar dívidas no exterior. A crise aumentou nos anos seguintes e, posteriormente, a companhia entrou em liquidação.
O colapso também ultrapassou os limites da própria empresa. Afinal, a Evergrande havia se tornado uma das maiores incorporadoras da China. Por isso, sua crise ajudou a ampliar as preocupações sobre o mercado imobiliário e a economia chinesa.
O que aconteceu com a fortuna do fundador da Evergrande?
A deterioração financeira da companhia atingiu diretamente o patrimônio de Hui Ka Yan.
Em 2017, sua fortuna alcançava US$ 45,3 bilhões. Já em 2023, o patrimônio havia caído para aproximadamente US$ 3 bilhões, segundo a Reuters.
Assim, em poucos anos, Hui perdeu dezenas de bilhões de dólares em riqueza estimada.
Agora, a decisão judicial amplia ainda mais essa queda. Além de condenar o empresário à prisão perpétua, o tribunal de Shenzhen determinou o confisco de todos os seus bens pessoais.
Por que Hui Ka Yan foi condenado à prisão perpétua?
Hui estava detido havia três anos. Em abril, ele se declarou culpado de oito acusações.
Entre as acusações estavam uso indevido de fundos, fraude na arrecadação de recursos e tomada ilegal de depósitos públicos.
Nesta quinta-feira, o tribunal de Shenzhen anunciou a condenação à prisão perpétua. Além disso, a Justiça determinou a perda de seus bens pessoais.
Dessa maneira, a sentença representa uma mudança radical na vida de um empresário que, menos de uma década atrás, ocupava o topo das listas de bilionários da Ásia.
Ascensão e queda acompanham crise imobiliária da China
A trajetória de Hui Ka Yan também ajuda a explicar parte da transformação do setor imobiliário chinês.
Durante anos, incorporadoras aproveitaram o crescimento das cidades e a forte demanda por imóveis para ampliar rapidamente seus negócios. Nesse ambiente, a Evergrande cresceu e acumulou grandes dívidas para financiar sua expansão.
No entanto, quando o mercado perdeu força, o modelo mostrou seus riscos. A dificuldade para vender imóveis reduziu a entrada de recursos e aumentou a pressão financeira sobre empresas endividadas.
Por isso, o colapso da Evergrande ganhou importância além da história pessoal de seu fundador. A companhia se tornou um dos principais símbolos da crise imobiliária da China, enquanto Hui passou de homem mais rico da Ásia a condenado à prisão perpétua.






