Medida dos Estados Unidos também restringe inversores de energia conectados e mira riscos de espionagem, ataques cibernéticos e dependência de fornecedores chineses.
O governo Trump proibiu novos robôs humanoides chineses de entrar no mercado dos Estados Unidos. As regras, divulgadas pela Comissão Federal de Comunicações nesta terça-feira (28), também atingem robôs quadrúpedes e inversores de energia conectados fabricados na China.
Segundo o governo norte-americano, a medida busca proteger o desenvolvimento da inteligência artificial no país, reduzir riscos à segurança nacional e fortalecer cadeias produtivas consideradas estratégicas. Além disso, Washington afirma que esses equipamentos podem criar vulnerabilidades em redes elétricas, data centers e sistemas industriais.
Proibição atinge robôs e equipamentos de energia
As novas restrições se aplicam a modelos de robôs e inversores que ainda não foram autorizados para venda nos Estados Unidos. Dessa forma, fabricantes chineses ficam impedidos de lançar novos equipamentos no mercado norte-americano sem aprovação regulatória.
Os robôs humanoides e quadrúpedes foram incluídos porque utilizam sensores, câmeras, inteligência artificial e sistemas de conectividade. Por isso, autoridades dos Estados Unidos temem que esses dispositivos possam coletar informações sensíveis ou sofrer controle remoto indevido.
Ao mesmo tempo, os inversores de energia entraram na lista por sua importância para a infraestrutura. Esses equipamentos convertem e gerenciam eletricidade produzida por painéis solares, baterias e outras fontes renováveis. Além disso, são cada vez mais usados em data centers, instalações industriais e redes elétricas.
Governo cita riscos de espionagem e ataques cibernéticos
A Comissão Federal de Comunicações afirmou que os equipamentos podem gerar falhas na cadeia de suprimentos e ameaçar a infraestrutura crítica dos Estados Unidos.
“Esses dispositivos poderiam criar vulnerabilidades na cadeia de suprimentos que poderiam prejudicar a segurança econômica e nacional dos EUA”, declarou a FCC em comunicado.
Além disso, a agência citou riscos de segurança cibernética. Segundo a comissão, robôs conectados poderiam coletar dados sobre ambientes industriais, laboratórios, centros de pesquisa e instalações estratégicas.
Nesse cenário, autoridades norte-americanas temem que informações captadas pelos equipamentos sejam usadas para vigilância, espionagem industrial ou aprimoramento de serviços de inteligência estrangeiros.
O presidente da FCC, Brendan Carr, afirmou que a agência continuará atuando para proteger cadeias de suprimentos consideradas essenciais para a economia dos Estados Unidos.
Inteligência artificial está no centro da decisão
Os robôs humanoides estão entre as tecnologias com maior potencial de crescimento nos próximos anos. Esses equipamentos utilizam modelos de inteligência artificial para interpretar ambientes, reconhecer objetos e executar tarefas complexas.
Por isso, a disputa pelo setor envolve não apenas a fabricação dos robôs, mas também o controle dos dados, dos chips e dos sistemas usados no treinamento dos equipamentos.
Além disso, a expansão da inteligência artificial depende de data centers com grande capacidade energética. Nesse contexto, os inversores se tornaram componentes estratégicos porque ajudam a integrar fontes renováveis e baterias às redes de energia.
Assim, o governo norte-americano busca reduzir a dependência de fornecedores chineses em duas áreas fundamentais: automação avançada e infraestrutura energética.
Medida tenta evitar dependência semelhante à das terras raras
Autoridades dos Estados Unidos também afirmam que querem evitar uma dependência semelhante à registrada no setor de minerais de terras raras.
Esses materiais são usados na produção de chips, baterias, veículos elétricos, equipamentos militares e sistemas de energia. No entanto, grande parte da produção e do processamento mundial está concentrada na China.
Por isso, Washington teme que Pequim utilize sua posição dominante como instrumento de pressão econômica ou diplomática.
Com as novas restrições, o governo Trump tenta estimular a produção doméstica e atrair fábricas de robôs, componentes eletrônicos e equipamentos de energia para os Estados Unidos.
Unitree pode ser uma das empresas mais afetadas
A proibição deve atingir principalmente a Unitree, uma das maiores fabricantes chinesas de robôs humanoides e quadrúpedes.
Segundo dados da Counterpoint Research citados no material divulgado, a empresa possui pouco menos de um quinto do mercado mundial de robôs humanoides.
Além disso, a Unitree foi incluída recentemente em uma lista do Pentágono de empresas supostamente ligadas às Forças Armadas chinesas. A inclusão pode ampliar as restrições comerciais e regulatórias sobre a companhia.
A fabricante também mantém uma parceria com a Nvidia para utilizar chips Blackwell em um de seus robôs. Segundo a Nvidia, os dados coletados pelos equipamentos permaneceriam nos Estados Unidos, enquanto os principais clientes seriam universidades e centros de pesquisa.
Ainda assim, autoridades norte-americanas demonstram preocupação com a origem dos equipamentos e com a possibilidade de acesso estrangeiro aos sistemas.
Huawei e Sungrow também entram no radar
A China é a maior fabricante mundial de inversores de energia. Nesse mercado, empresas como Sungrow Power Supply e Huawei ocupam posições relevantes.
Nos últimos anos, fabricantes chinesas ampliaram a presença nos mercados internacionais ao oferecer equipamentos com preços mais baixos. Como resultado, empresas dos Estados Unidos e da Europa passaram a enfrentar maior concorrência.
No entanto, a Huawei já sofre restrições severas do governo norte-americano em áreas como telecomunicações, chips e redes móveis.
Agora, as novas regras ampliam o controle sobre equipamentos utilizados na geração e na distribuição de energia, especialmente em instalações conectadas à internet.
Fornecedores não chineses podem receber isenção
A expectativa é que a FCC conceda isenções a fornecedores de outros países, assim como ocorreu em restrições recentes envolvendo drones e roteadores.
Dessa forma, a medida deve se concentrar principalmente em empresas consideradas associadas a governos estrangeiros ou classificadas como risco à segurança nacional.
As restrições entraram em vigor após a publicação das regras. No entanto, elas atingem inicialmente apenas modelos que ainda não chegaram ao mercado.
Apesar disso, a FCC também possui autoridade para revisar e retirar autorizações de equipamentos que já foram aprovados. Portanto, fabricantes com produtos em circulação ainda podem enfrentar novas exigências.
Segurança dos robôs passa a ser prioridade regulatória
O crescimento dos robôs autônomos aumentou a preocupação com o tipo e a quantidade de dados coletados.
Esses equipamentos podem usar câmeras, microfones, sensores térmicos e sistemas de localização. Além disso, alguns modelos armazenam informações sobre pessoas, ambientes e rotinas de trabalho.
Por isso, a FCC afirma que um robô comprometido poderia vigiar usuários, transmitir informações estratégicas ou receber comandos externos.
Ao mesmo tempo, especialistas destacam que o risco não depende apenas do país de origem. Falhas de software, servidores mal protegidos e atualizações inadequadas também podem tornar qualquer equipamento vulnerável.
Dessa forma, a segurança cibernética tende a se tornar um critério central para a liberação de robôs e sistemas autônomos nos Estados Unidos.
Restrição amplia tensão tecnológica entre Estados Unidos e China
O governo Trump proibiu novos robôs humanoides chineses em um momento de crescente disputa por inteligência artificial, semicondutores, energia e automação industrial.
Além de limitar a entrada de produtos, a medida tenta incentivar empresas a produzir dentro dos Estados Unidos. Com isso, Washington busca reduzir riscos de interrupção, proteger dados estratégicos e fortalecer setores considerados essenciais para o crescimento econômico.
No entanto, a decisão também pode elevar custos, reduzir a concorrência e provocar novas respostas comerciais da China. Por isso, os próximos meses serão importantes para avaliar o impacto das restrições sobre fabricantes, centros de pesquisa e empresas que utilizam robôs e inversores de energia.






