EUA acusam empresas chinesas de roubar tecnologia de IA de laboratórios americanos

DeepSeek, Moonshot AI e Alibaba estão entre seis empresas citadas por autoridades americanas. Washington afirma que companhias usaram técnica de destilação para acelerar desenvolvimento de modelos; China rejeita acusações.

Os EUA acusaram empresas chinesas de roubar tecnologia de IA desenvolvida por laboratórios americanos, ampliando a disputa tecnológica entre Washington e Pequim. Segundo comunicado divulgado por autoridades policiais e de inteligência dos Estados Unidos na terça-feira (8), seis companhias chinesas teriam utilizado modelos americanos para acelerar o treinamento de seus próprios sistemas.

Entre as empresas citadas estão DeepSeek, Moonshot AI e Alibaba. De acordo com as autoridades americanas, as companhias recorreram a uma técnica conhecida como “destilação” e teriam direcionado suas atividades a tecnologias desenvolvidas por OpenAI, Anthropic, Google e SpaceX. O governo chinês, por outro lado, rejeitou as acusações e afirmou que os avanços do país em inteligência artificial resultam do desenvolvimento científico e tecnológico nacional.

A nova disputa surge em um momento de negociações entre as duas maiores economias do mundo. Estados Unidos e China se preparam para discutir riscos relacionados à inteligência artificial, enquanto uma visita do presidente chinês, Xi Jinping, aos EUA está prevista para o fim de setembro.

EUA acusam seis empresas chinesas de usar modelos americanos

Segundo a declaração das autoridades americanas, seis empresas chinesas utilizaram variantes de modelos desenvolvidos nos Estados Unidos para treinar produtos próprios com maior rapidez.

Washington afirma que essas atividades ocorreram “provavelmente com o conhecimento do governo chinês”. No entanto, o material divulgado não apresenta, em detalhes, as evidências utilizadas pelas autoridades para sustentar essa afirmação.

“Empresas de IA sediadas na China estão se envolvendo em atividades de destilação agressivas, maliciosas e direcionadas em escala industrial”, afirmaram as autoridades dos EUA.

Além de DeepSeek, Moonshot AI e Alibaba, o material fornecido menciona a existência de outras três empresas investigadas, mas não informa seus nomes.

As acusações também envolvem tecnologias de alguns dos principais laboratórios americanos. Segundo Washington, os alvos incluíram modelos da OpenAI, Anthropic, Google e SpaceX.

Destilação de IA está no centro das acusações

A chamada destilação de modelos de inteligência artificial permite utilizar as respostas produzidas por um sistema maior e mais avançado para ajudar no treinamento de um modelo menor.

Na prática, a técnica pode diminuir a quantidade de recursos computacionais necessária para desenvolver determinadas capacidades. Consequentemente, empresas conseguem reduzir custos e acelerar algumas etapas de pesquisa e desenvolvimento.

A acusação dos Estados Unidos, porém, não se limita ao uso da técnica em si. As autoridades sustentam que as empresas chinesas teriam empregado a destilação de maneira direcionada para copiar propriedade intelectual dos laboratórios americanos.

Dessa forma, Washington classifica a atuação como uma apropriação indevida de tecnologia. As empresas chinesas citadas, contudo, não tiveram respostas individuais apresentadas no material fornecido.

Washington aponta possíveis impactos militares e cibernéticos

As autoridades americanas também relacionaram o desenvolvimento dos modelos chineses a questões de segurança nacional.

Segundo a declaração, a destilação não apenas reduziria os custos de pesquisa e desenvolvimento das empresas chinesas, mas também poderia fortalecer as capacidades militares e de ataques cibernéticos da China.

Washington argumenta que essas tecnologias poderiam ser utilizadas contra os Estados Unidos e seus aliados.

Além disso, a Reuters informou em 31 de julho que pesquisadores militares chineses utilizaram resultados de importantes modelos americanos para treinar sistemas nacionais e desenvolver capacidades de defesa.

Assim, a disputa sobre propriedade intelectual passa a integrar um debate mais amplo sobre o papel da inteligência artificial na competição estratégica entre Estados Unidos e China.

China rejeita acusações e defende avanços tecnológicos

Pequim contestou as alegações apresentadas pelos Estados Unidos.

Na quarta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que o avanço chinês em inteligência artificial resulta do esforço do país para alcançar um elevado nível de independência científica e tecnológica.

“Esperamos que os EUA implementem seriamente o importante consenso alcançado pelos líderes de ambos os países e se abstenham de fazer acusações falsas e difamar a China”, declarou Mao.

Ao mesmo tempo, o porta-voz defendeu maior cooperação entre os dois países.

“Como grandes potências em inteligência artificial, a China e os EUA devem fortalecer a cooperação”, afirmou.

Portanto, Pequim apresenta uma interpretação oposta à de Washington: enquanto autoridades americanas falam em apropriação de propriedade intelectual, o governo chinês atribui os avanços tecnológicos à capacidade de pesquisa e desenvolvimento do próprio país.

Acusação aumenta tensão antes de diálogo entre EUA e China

O momento da divulgação também chama atenção. O governo do presidente Donald Trump se prepara para receber Xi Jinping nos Estados Unidos no fim de setembro.

Além disso, os dois países planejam discutir riscos de segurança relacionados à inteligência artificial durante um diálogo previsto para meados do mês, segundo informações anteriormente divulgadas pela Reuters.

A acusação desta semana também não é a primeira do tipo. Em abril, antes de uma visita de Trump a Pequim, os Estados Unidos apresentaram alegações semelhantes envolvendo propriedade intelectual e inteligência artificial.

Agora, a nova ofensiva adiciona outro ponto de tensão às relações entre Washington e Pequim.

Nesse contexto, a disputa ultrapassa o mercado de modelos generativos. Afinal, inteligência artificial, semicondutores, infraestrutura computacional, segurança cibernética e aplicações militares ocupam uma posição cada vez mais estratégica na relação entre as duas potências.

Assim, as acusações dos EUA contra empresas chinesas por tecnologia de IA podem ganhar espaço nas próximas negociações entre os governos. Até o momento, Washington sustenta que empresas chinesas copiaram propriedade intelectual americana por meio de destilação, enquanto Pequim rejeita as alegações e defende que seus avanços resultam do desenvolvimento tecnológico nacional.

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