Nova York proíbe uso de IA para alunos de escolas públicas por um ano

Moratória deve atingir cerca de 600 mil estudantes até a 8ª série e suspender aproximadamente 40 ferramentas educacionais; professores poderão continuar usando inteligência artificial em atividades específicas.

A proibição de IA nas escolas públicas de Nova York vai restringir por um ano o uso de ferramentas de inteligência artificial por cerca de 600 mil estudantes até a 8ª série. Anunciada pelas autoridades da cidade, a moratória determina que as escolas suspendam aproximadamente 40 ferramentas educacionais atualmente utilizadas nas salas de aula.

A política adotada pelo maior distrito escolar dos Estados Unidos é, segundo as informações divulgadas, a mais restritiva implementada no país até o momento. No entanto, a medida não elimina completamente a inteligência artificial do ambiente escolar. Alunos do ensino médio poderão utilizar a tecnologia em determinadas situações, enquanto professores continuarão autorizados a recorrer à IA para planejamento de aulas e atividades administrativas.

O prefeito Zohran Mamdani defendeu a decisão nesta quarta-feira (2) e afirmou que crianças precisam priorizar a interação com professores, colegas e problemas que desenvolvam habilidades próprias. Ao mesmo tempo, outros grandes distritos americanos, como Los Angeles, também revisam suas políticas diante do avanço acelerado da inteligência artificial na educação.

Moratória deve atingir cerca de 600 mil estudantes

A nova política concentra as maiores restrições nos estudantes das escolas públicas até a 8ª série. Dessa forma, aproximadamente 600 mil alunos deverão ficar sujeitos às novas regras durante o período de um ano.

Além disso, as instituições terão de suspender o uso atual de cerca de 40 ferramentas educacionais baseadas em IA, segundo o anúncio feito pela prefeitura.

A administração municipal não pretende, porém, aplicar as mesmas restrições a todos os níveis de ensino. Estudantes do ensino médio poderão utilizar inteligência artificial em alguns casos, embora o material divulgado não detalhe todas as situações nas quais esse uso será permitido.

Assim, a política estabelece limites diferentes conforme a etapa escolar e busca restringir principalmente o contato de crianças mais novas com sistemas automatizados dentro da sala de aula.

Prefeitura defende maior interação entre alunos e professores

Ao anunciar a medida, Mamdani colocou a interação humana no processo de aprendizagem como uma das principais justificativas para a moratória.

“As crianças precisam de professores e de conexão humana para aprender e crescer. Elas precisam desenvolver habilidades ao lado de seus pares, construir relacionamentos com educadores e lidar com problemas complexos por conta própria”, afirmou o prefeito durante coletiva de imprensa.

Nesse sentido, a administração municipal demonstra preocupação com a possibilidade de que o uso excessivo de inteligência artificial substitua atividades importantes para o desenvolvimento dos estudantes.

Por isso, a restrição não envolve apenas ferramentas generativas conhecidas pelo público. A prefeitura determinou a suspensão de dezenas de tecnologias educacionais que utilizam IA e já estavam presentes nas escolas da cidade.

Professores continuarão autorizados a utilizar inteligência artificial

Embora imponha limites aos estudantes, a nova política não proíbe totalmente o uso de IA pelos professores.

Segundo a prefeitura, educadores poderão continuar utilizando a tecnologia no planejamento de aulas. Além disso, sistemas de inteligência artificial poderão auxiliar em determinadas tarefas, como a organização de horários.

A diferença mostra que Nova York pretende restringir principalmente o uso direto da tecnologia pelos estudantes mais jovens, em vez de retirar completamente as ferramentas de IA da administração e da rotina profissional dos educadores.

Ao mesmo tempo, alunos do ensino médio terão algumas possibilidades de acesso. Entretanto, as informações apresentadas não especificam quais ferramentas serão autorizadas nem todos os critérios que as escolas deverão seguir nesses casos.

Nova York já proibiu o ChatGPT anteriormente

A nova moratória não representa a primeira tentativa de Nova York de estabelecer limites para a inteligência artificial nas escolas públicas.

Logo após o lançamento do ChatGPT, em 2022, as instituições da cidade impuseram uma proibição temporária ao chatbot.

Posteriormente, as autoridades suspenderam a restrição. Segundo a Microsoft, coproprietária da OpenAI conforme o material fornecido, a política deu lugar a um assistente educacional personalizado baseado em inteligência artificial.

Agora, porém, a cidade volta a adotar uma postura mais restritiva. Desta vez, a medida possui alcance maior porque envolve dezenas de ferramentas e estabelece uma moratória com duração prevista de um ano.

Dessa maneira, a mudança também evidencia como as políticas educacionais relacionadas à IA continuam passando por revisões à medida que a tecnologia se torna mais presente no cotidiano escolar.

Nova York adota política mais restritiva dos Estados Unidos

A decisão ganha relevância nacional porque Nova York administra o maior distrito escolar do país.

Segundo as informações divulgadas, nenhuma outra grande rede americana adotou até agora uma restrição de IA com alcance equivalente. Entretanto, outros distritos também discutem mudanças.

Los Angeles, por exemplo, está entre as redes que revisam suas políticas relacionadas ao uso de inteligência artificial.

Consequentemente, a experiência de Nova York poderá se tornar uma referência importante no debate americano sobre os limites da tecnologia dentro das escolas.

Empresas que ocupam posições relevantes no mercado de IA também poderão sentir os efeitos dessa discussão. Google, Anthropic e Microsoft não responderam imediatamente aos pedidos de comentário mencionados no material apresentado.

Escolas enfrentam desafio de equilibrar IA e aprendizagem

A expansão das ferramentas generativas criou um novo desafio para instituições de ensino: aproveitar possíveis benefícios da inteligência artificial sem comprometer o desenvolvimento acadêmico dos estudantes.

Por um lado, sistemas de IA podem auxiliar pesquisas, personalizar atividades e apoiar professores em tarefas administrativas. Por outro, educadores e autoridades discutem os efeitos do uso excessivo dessas ferramentas sobre habilidades como escrita, raciocínio, resolução de problemas e interação social.

Nesse contexto, Nova York escolheu estabelecer um período de restrição mais amplo para os estudantes mais jovens.

A duração de um ano também permitirá que as autoridades acompanhem a evolução dessas tecnologias e avaliem quais regras deverão orientar seu uso no futuro.

Moratória amplia debate sobre inteligência artificial na educação

A proibição de IA nas escolas públicas de Nova York coloca um dos maiores sistemas educacionais dos Estados Unidos no centro da discussão sobre os limites da inteligência artificial em sala de aula.

Com cerca de 600 mil estudantes até a 8ª série afetados e aproximadamente 40 ferramentas suspensas, a cidade adota uma política mais restritiva enquanto mantém algumas exceções para alunos mais velhos e professores.

Ao mesmo tempo, a medida mostra que o debate deixou de se concentrar apenas no ChatGPT e passou a envolver todo um ecossistema de ferramentas educacionais baseadas em inteligência artificial.

Agora, o período de um ano poderá ajudar a determinar se Nova York manterá as restrições, flexibilizará as regras ou adotará um novo modelo para integrar a tecnologia ao ensino público.

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