Politicando usa IA e dados públicos para medir afinidade entre eleitores e candidatos

Plataforma gratuita cruza respostas de um quiz com o histórico público de mais de mil candidatos e apresenta níveis de compatibilidade em oito áreas de políticas públicas.

Uma nova plataforma pretende usar inteligência artificial e dados públicos para ajudar eleitores a comparar candidatos nas eleições. Lançado a cerca de um mês do primeiro turno, o Politicando oferece um teste gratuito com 16 afirmações políticas e calcula a afinidade do usuário com mais de mil candidatos a presidente, governador, senador e deputado federal.

O sistema analisa oito áreas: economia, saúde, educação, segurança pública, meio ambiente, direitos humanos, infraestrutura e ciência e tecnologia. Primeiro, o eleitor responde ao questionário. Depois, a plataforma posiciona suas respostas em uma escala de 0 a 100 e compara o resultado com o perfil atribuído aos candidatos a partir de informações públicas.

A inteligência artificial participa da análise do histórico político, mas não calcula diretamente o chamado “match”. Segundo os responsáveis pela plataforma, essa etapa segue regras determinísticas. Assim, as mesmas respostas e condições produzem o mesmo resultado.

Quiz posiciona eleitor em oito temas

O teste do Politicando leva aproximadamente três minutos e apresenta 16 afirmações sobre políticas públicas.

A partir das respostas, o sistema posiciona o usuário em uma escala que varia de 0 a 100 dentro de cada uma das oito áreas analisadas.

Além disso, a metodologia considera o grau de convicção demonstrado pelo eleitor. Dessa forma, assuntos nos quais o usuário apresenta posições mais fortes recebem maior peso no resultado final.

Em seguida, a plataforma compara essas posições com aquelas atribuídas aos candidatos. Quanto menor a distância entre os dois perfis, maior será a afinidade apresentada pelo sistema.

O usuário pode navegar pelos perfis e acessar comparações sem criar uma conta. Entretanto, para visualizar o resultado completo do teste, precisa realizar um cadastro com e-mail.

Afinidade e atuação medem aspectos diferentes

O Politicando apresenta dois indicadores para cada tema: afinidade e atuação. Embora apareçam juntos, eles medem aspectos diferentes.

A afinidade varia de 0 a 100 e mostra quanto a posição atribuída ao candidato se aproxima das respostas do eleitor. Esse é o único indicador utilizado no cálculo da compatibilidade.

Já a atuação recebe uma nota de 0 a 5 e busca mostrar quanto o político efetivamente trabalhou naquele assunto durante sua trajetória pública.

Para isso, a plataforma considera elementos como projetos, votos, relatorias e participação em comissões.

Portanto, um candidato pode apresentar alta afinidade com determinado eleitor e, ao mesmo tempo, ter baixa atuação naquele tema. Da mesma maneira, um político pode possuir amplo histórico de trabalho em uma área, mas defender posições distantes das preferências do usuário.

Inteligência artificial analisa histórico dos candidatos

A inteligência artificial do Politicando entra em ação antes do cálculo da compatibilidade.

Segundo a descrição da plataforma, a tecnologia analisa informações públicas relacionadas ao candidato, incluindo proposições, votos, discursos e registros oficiais. Depois, atribui uma posição entre 0 e 100 em cada tema e produz o resumo apresentado no perfil.

Por outro lado, o cálculo final da afinidade não depende de uma nova interpretação da IA. A plataforma afirma utilizar uma fórmula determinística nessa etapa.

Essa separação busca diferenciar a análise do histórico político do cálculo matemático que compara eleitor e candidato.

Além disso, quando não existem registros públicos suficientes para avaliar a posição de um candidato em determinado assunto, o sistema deixa aquele tema fora da análise. Assim, a ausência de dados não faz com que o político receba automaticamente uma posição de centro.

A plataforma também informa ao usuário em quantos dos oito temas conseguiu calcular a compatibilidade.

Dados vêm de fontes oficiais brasileiras

Para construir os perfis, o Politicando afirma utilizar dados provenientes de fontes oficiais do governo brasileiro.

Entre as bases citadas estão Câmara dos Deputados, Senado Federal, Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Portal da Transparência, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Tesouro Nacional.

Apesar de utilizar essas informações, a plataforma afirma atuar de maneira independente e não possuir vínculo institucional com os órgãos citados, incluindo o TSE.

Esse ponto é importante porque os percentuais de afinidade apresentados pelo Politicando não representam avaliações, recomendações ou classificações produzidas pela Justiça Eleitoral. Eles resultam da metodologia desenvolvida pela própria plataforma a partir das informações coletadas.

Perfis reúnem patrimônio e histórico político

Além do “match”, a plataforma reúne diferentes informações sobre os candidatos em uma mesma página.

Os perfis podem apresentar compatibilidade, patrimônio declarado, histórico político, pontuação por área e um resumo explicativo baseado nos dados públicos analisados.

O eleitor também consegue colocar dois candidatos lado a lado.

Nesse formato, o sistema destaca diferenças tanto de posicionamento quanto de atuação. Assim, o usuário pode ir além do percentual geral de afinidade e observar em quais assuntos os candidatos se aproximam ou se afastam de suas próprias posições.

A ferramenta reúne candidatos aos cargos de presidente da República, governador, senador e deputado federal.

Criadores dizem que objetivo é facilitar acesso à informação política

Segundo Pedro Weinberg Lima, um dos cofundadores do Politicando, a proposta é reunir informações que ajudem o cidadão a tomar uma decisão eleitoral mais consciente.

“Dentro desse espaço, o eleitor pode se conhecer e conhecer seus candidatos de uma forma simples e acessível”, afirmou.

Outro cofundador, Luiz Lira, disse à CNN que a iniciativa nasceu das dificuldades que ele e os sócios encontravam para compreender diferentes aspectos da política.

Lira desenvolveu o projeto ao lado de Pedro Lima e João Pedro Menin. Segundo o relato apresentado, Menin conheceu Lima em 2019 durante um curso nas universidades de Harvard e MIT. Já o contato com Lira ocorreu durante a Copa do Mundo de Clubes de 2025, nos Estados Unidos.

No início de 2026, Lima sugeriu desenvolver uma plataforma voltada à política. Posteriormente, o avanço das ferramentas de inteligência artificial levou o grupo a ampliar o projeto para incluir mecanismos destinados a facilitar o acesso à informação política e, segundo os criadores, contribuir para o combate à desinformação.

João Pedro Menin é neto de Rubens Menin, fundador e sócio-controlador da CNN Brasil.

Resultado deve ser interpretado como ferramenta de comparação

Embora o Politicando apresente percentuais de afinidade, o resultado depende da metodologia adotada pela própria plataforma, das respostas fornecidas pelo usuário e da quantidade e qualidade dos registros públicos disponíveis sobre cada candidato.

Por isso, o percentual funciona como uma ferramenta de comparação dentro dos critérios estabelecidos pelo serviço, e não como uma indicação oficial sobre em quem o eleitor deveria votar.

Além disso, candidatos com menor histórico público podem ter menos temas disponíveis para comparação, algo que a própria plataforma sinaliza.

Nesse contexto, a ferramenta procura organizar um grande volume de informações políticas em uma interface mais simples, enquanto o eleitor continua responsável por avaliar propostas, trajetória, atuação e outras informações antes de decidir seu voto.

Com a aproximação do primeiro turno, o Politicando usa IA e dados públicos para medir a afinidade com candidatose tenta transformar registros espalhados por diferentes bases oficiais em comparações acessíveis ao eleitor. A novidade também reforça a entrada da inteligência artificial em uma área particularmente sensível: a organização e interpretação de informações utilizadas na decisão eleitoral.

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