Especialista afirma que exame exige apenas uma pequena mecha de cabelo; laboratório reconheceu erro e ofereceu assistência à candidata
A denúncia de uma candidata que afirmou ter parte do couro cabeludo raspada durante a coleta de um exame toxicológico para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação, na Paraíba, levantou dúvidas sobre os procedimentos adotados por laboratórios credenciados.
O caso ocorreu em Sapé, na Zona da Mata paraibana. Segundo o relato de Ana Karolina, duas grandes mechas de cabelo foram retiradas durante o atendimento, uma na parte central da cabeça e outra na lateral.
Após a repercussão, o laboratório responsável informou que realizou uma apuração interna, reconheceu uma falha no procedimento e entrou em contato com a paciente para oferecer assistência.
Coleta deve retirar apenas pequena quantidade de cabelo
De acordo com Jean Haratsaris, superintendente do laboratório Chromatox, da Dasa, o exame toxicológico exige uma quantidade reduzida de cabelo.
Segundo o especialista, a coleta deve ser feita com uma mecha fina, de espessura aproximada à metade de um lápis e comprimento mínimo de três centímetros.
O corte deve ocorrer o mais próximo possível do couro cabeludo, em linha reta e com uma tesoura apropriada.
Haratsaris afirma que a retirada de tufos largos, o uso de lâminas ou a formação de falhas visíveis não fazem parte do procedimento previsto.
Candidata relata dor e impacto na autoestima
Ana Karolina afirmou que a coleta precisou ser repetida depois que a profissional responsável informou que um dos envelopes utilizados para guardar a amostra havia sido rasgado.
Segundo a candidata, houve ainda a intenção de retirar uma terceira mecha.
Ela relatou dor durante o procedimento e afirmou que a retirada do cabelo afetou sua autoestima.
O caso ganhou repercussão após a publicação de um vídeo nas redes sociais.
Laboratório admitiu falha
O laboratório Roseanne Dore informou que abriu uma apuração interna após tomar conhecimento do caso.
Em nota, a empresa afirmou que identificou uma falha no procedimento, pediu desculpas e declarou que a situação não representa seus padrões de atendimento.
Posteriormente, Ana Karolina informou que chegou a um acordo com o laboratório.
Segundo ela, a empresa se comprometeu a custear tratamento capilar, acompanhamento psicológico e outras medidas relacionadas aos danos sofridos.
Norma estabelece regras para coleta
A Resolução nº 923/2022 do Conselho Nacional de Trânsito estabelece regras para a realização do exame toxicológico.
O texto define procedimentos para coleta, identificação, armazenamento e transporte das amostras.
Também prevê cuidados relacionados à cadeia de custódia, que registra todas as etapas desde a retirada do material até a análise no laboratório.
O procedimento deve ser realizado por profissionais treinados e em postos credenciados pela Secretaria Nacional de Trânsito.
Falhas são consideradas incomuns
Segundo Haratsaris, episódios envolvendo retirada excessiva de cabelo ou lesões são raros.
O especialista afirma que esse tipo de ocorrência pode estar relacionado ao descumprimento do protocolo, à falta de treinamento ou ao uso inadequado de instrumentos.
A raspagem com lâminas, por exemplo, não é considerada necessária para a realização do exame.
Candidato pode interromper procedimento irregular
Caso perceba uma conduta inadequada durante a coleta, o candidato pode solicitar a interrupção do atendimento e pedir explicações ao profissional responsável.
Também pode registrar reclamação junto ao laboratório, ao órgão de trânsito e aos canais de defesa do consumidor.
Fotos, vídeos, documentos e comprovantes de atendimento podem ser usados na apuração de eventuais irregularidades.
Exame deve ser simples e pouco invasivo
O exame toxicológico utiliza cabelo ou pelos para identificar o uso de determinadas substâncias em período prolongado.
Apesar disso, a coleta deve ser rápida, segura e pouco invasiva.
Segundo especialistas, dor intensa, retirada de grandes mechas e falhas visíveis no couro cabeludo não fazem parte do procedimento esperado.
O caso da Paraíba segue como exemplo de conduta fora do protocolo e reforça a importância de treinamento adequado nos postos de coleta.
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