
Operação Leste do Espinhaço cumpre mandados em dez cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo. Investigação identificou 457 benefícios previdenciários fraudados, incluindo pagamentos destinados a idosos de baixa renda.
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (25) uma operação contra um esquema de fraude em benefícios do INSS que teria provocado prejuízo superior a R$ 86 milhões aos cofres da União. Segundo a investigação, o grupo criava pessoas fictícias e utilizava documentos falsos para solicitar pagamentos previdenciários.
Batizada de Operação Leste do Espinhaço, a ação cumpriu 91 medidas judiciais em dez cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo. Entre elas, estão 22 mandados de prisão preventiva, 33 de busca e apreensão e outras 33 medidas destinadas ao bloqueio ou à recuperação de patrimônio relacionado aos investigados.
Além disso, a PF informou que a investigação encontrou 457 benefícios previdenciários fraudados. Desse total, 240 ainda estavam ativos.
A Justiça Federal expediu as ordens cumpridas durante a operação.
Como funcionava a fraude contra o INSS?
Segundo a Polícia Federal, os suspeitos criavam identidades de pessoas que não existiam para conseguir benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Para sustentar as identidades fictícias, o grupo teria produzido documentos falsos, como certidões de nascimento, documentos de identidade e comprovantes de residência.
Depois, os envolvidos utilizavam esses registros para solicitar benefícios previdenciários.
A maior parte das irregularidades envolvia benefícios de amparo destinados a idosos de baixa renda. Dessa forma, pessoas fictícias passavam a constar nos sistemas como beneficiárias e recebiam pagamentos públicos.
A investigação ocorreu em conjunto com a Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social (CGINP), ligada ao Ministério da Previdência Social.
Investigação encontrou 457 benefícios fraudados
A apuração avançou depois que os investigadores identificaram 457 benefícios com indícios de fraude.
Segundo a PF, 240 pagamentos ainda permaneciam ativos quando o esquema entrou na mira das autoridades. Portanto, uma das prioridades da operação é interromper a continuidade dos repasses considerados irregulares.
Além disso, os agentes buscam novas provas que possam esclarecer a dimensão da fraude e identificar outras pessoas eventualmente envolvidas.
A Polícia Federal calcula que o esquema tenha causado mais de R$ 86 milhões em prejuízos aos cofres públicos.
Onde a Polícia Federal realizou a operação?
A Operação Leste do Espinhaço alcançou nove municípios de Minas Gerais e uma cidade do Espírito Santo.
Em território mineiro, os agentes cumpriram medidas em Ipatinga, Timóteo, João Monlevade, Ipaba, Belo Oriente, Matozinhos, Ribeirão das Neves, Engenheiro Caldas e São João do Manteninha.
No Espírito Santo, a operação chegou a São Gabriel da Palha.
Ao todo, a ação envolveu 22 mandados de prisão preventiva e 33 mandados de busca e apreensão.
A Justiça também autorizou 33 medidas voltadas à recuperação ou ao bloqueio de bens relacionados aos investigados. Com isso, as autoridades tentam preservar recursos que poderão servir para ressarcir parte dos prejuízos caso a responsabilidade dos suspeitos seja confirmada.
Duas pessoas foram presas com armas durante a operação
Além das prisões determinadas pela Justiça, os policiais encontraram armas durante o cumprimento das ordens.
Por isso, duas pessoas foram presas em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.
Essas prisões ocorreram durante a execução da Operação Leste do Espinhaço e são relacionadas aos flagrantes encontrados pelos agentes.
A Polícia Federal agora analisa documentos, equipamentos e outros materiais recolhidos durante as buscas.
Quais crimes são investigados?
Os suspeitos poderão responder por estelionato qualificado e associação criminosa, além de outros crimes que eventualmente surjam com o avanço das investigações.
No entanto, a operação não encerra a apuração. Pelo contrário, a análise do material apreendido poderá ajudar a PF a reconstruir o funcionamento do esquema, identificar a participação individual dos investigados e verificar se outras fraudes ocorreram.
As autoridades também devem aprofundar a análise sobre a movimentação dos recursos obtidos por meio dos benefícios.
O que acontece agora?
A Polícia Federal seguirá analisando as provas recolhidas durante a operação. Ao mesmo tempo, as autoridades trabalham para interromper benefícios fraudulentos ainda ativos e recuperar patrimônio relacionado ao esquema.
O caso chama atenção principalmente pelo número de pagamentos identificados e pelo impacto financeiro estimado. Segundo a investigação, 457 benefícios foram fraudados e o prejuízo acumulado ultrapassa R$ 86 milhões.
Agora, a apuração deverá determinar como cada suspeito atuava na estrutura e se outras pessoas ou benefícios estão ligados ao esquema.






