Presidentes conversaram por telefone nesta sexta-feira (21). Lula defendeu que o Brasil possui instrumentos próprios para enfrentar facções criminosas, enquanto Trump sinalizou interesse em ampliar a cooperação entre os dois países.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o Brasil não precisa de uma “classificação” internacional para combater o crime organizado. Os dois líderes conversaram por telefone na manhã desta sexta-feira (21), segundo a Presidência da República.
A declaração ocorre após os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações criminosas terroristas estrangeiras.
O governo brasileiro discorda da classificação. Segundo a posição apresentada pelo Brasil, o país já possui mecanismos legais e instituições capazes de investigar, combater e prender integrantes e lideranças de organizações criminosas.
Além disso, de acordo com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Trump demonstrou interesse em reforçar a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado.
O que Lula disse a Trump sobre PCC e Comando Vermelho?
Durante a conversa, Lula defendeu a capacidade das instituições brasileiras para enfrentar as principais facções criminosas que atuam no país.
Segundo a Secom, o presidente afirmou que o Brasil possui instrumentos próprios para combater e prender lideranças do crime organizado.
Dessa forma, Lula indicou que o governo brasileiro não considera necessária uma classificação internacional das organizações para conduzir essas operações.
A posição também reforça uma divergência entre Brasília e Washington sobre a maneira de enquadrar grupos como PCC e Comando Vermelho.
Por que os EUA classificaram PCC e CV como organizações terroristas?
Os Estados Unidos decidiram classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações criminosas terroristas estrangeiras.
A medida amplia o enquadramento norte-americano contra as duas facções. Entretanto, o governo brasileiro demonstrou preocupação com as possíveis consequências dessa classificação.
Brasília avalia que o combate às organizações criminosas que atuam no território nacional deve ocorrer dentro da legislação brasileira e com respeito à soberania do país.
Além disso, o governo Lula já manifestou preocupação com a possibilidade de Washington usar esse tipo de classificação para justificar ações mais amplas contra grupos considerados terroristas.
Por isso, a conversa entre Lula e Trump ocorre em meio a uma discussão que envolve não apenas segurança pública, mas também relações diplomáticas e soberania nacional.
Brasil teme possibilidade de intervenção dos Estados Unidos
O governo brasileiro já demonstrou preocupação com possíveis efeitos da decisão norte-americana.
O Itamaraty avalia que o enquadramento pode abrir margem para interpretações que permitam ações dos Estados Unidos contra essas organizações fora do território norte-americano.
Nesse contexto, o governo Lula defende que qualquer cooperação internacional no combate ao crime organizado respeite as autoridades e as leis brasileiras.
Ao conversar com Trump, portanto, Lula voltou a defender a autonomia do Brasil para conduzir operações contra organizações criminosas dentro de seu território.
Ao mesmo tempo, o presidente brasileiro não descartou a cooperação com Washington.
Trump quer ampliar cooperação com o Brasil
Apesar da divergência sobre a classificação das facções, a conversa também abriu espaço para uma possível ampliação da cooperação bilateral.
Segundo a Secom, Trump se dispôs a reforçar a cooperação entre os dois países sobre o combate ao crime organizado.
Além disso, o presidente norte-americano indicou que pretende mobilizar funcionários de alto escalão de seu governo para dar continuidade às conversas.
A medida pode abrir caminho para novas discussões entre autoridades brasileiras e norte-americanas sobre segurança e enfrentamento ao crime transnacional.
Assim, embora existam diferenças sobre o enquadramento de PCC e Comando Vermelho, os dois governos demonstraram disposição para manter canais de diálogo.
O que pode mudar após a conversa entre Lula e Trump?
Por enquanto, a Presidência não detalhou quais medidas concretas poderão surgir da cooperação discutida pelos dois líderes.
No entanto, a sinalização de Trump indica que autoridades dos dois governos poderão avançar nas negociações sobre o tema.
A discussão ganha importância porque organizações criminosas brasileiras mantêm atividades que ultrapassam as fronteiras do país. Por isso, operações financeiras, tráfico internacional e outras atividades transnacionais podem exigir cooperação entre diferentes governos.
Ainda assim, Lula deixou clara a posição brasileira: o país aceita discutir cooperação, mas considera que possui instrumentos próprios para enfrentar e prender lideranças criminosas.
Dessa maneira, o telefonema evidencia dois movimentos paralelos. De um lado, Brasil e Estados Unidos divergem sobre a classificação de PCC e Comando Vermelho. Do outro, Lula e Trump demonstram interesse em ampliar a cooperação contra o crime organizado.






