A Justiça dos Estados Unidos condenou o empresário chinês Guo Wengui a 30 anos de prisão por comandar um esquema bilionário de fraude financeira. A sentença foi anunciada na segunda-feira (29) e também determina o pagamento de US$ 889 milhões em indenizações às vítimas.
Segundo a acusação, Guo utilizou sua imagem como opositor do governo chinês para convencer milhares de pessoas a investir em projetos sob seu controle. Em seguida, desviou parte dos recursos para financiar um estilo de vida de luxo.
Justiça aponta fraude bilionária
O tribunal considerou Guo Wengui culpado em nove das 12 acusações apresentadas pelo Ministério Público norte-americano.
De acordo com a investigação, o empresário arrecadou mais de US$ 1 bilhão entre 2018 e 2023 por meio de investimentos considerados fraudulentos.
Além disso, promotores afirmaram que o esquema prejudicou mais de mil pessoas, muitas delas apoiadoras da causa defendida pelo empresário contra o Partido Comunista Chinês.
Recursos bancaram vida de luxo
Segundo a Justiça, Guo utilizou parte do dinheiro arrecadado para manter um patrimônio de alto padrão.
As investigações apontam gastos com mansões, apartamentos de luxo, iates, carros esportivos, móveis exclusivos e roupas de grife.
Além disso, o empresário residia em um imóvel de alto padrão em Nova York e mantinha vínculo com o clube Mar-a-Lago, localizado na Flórida.
Relação com Steve Bannon ganhou destaque
Antes da prisão, Guo Wengui se aproximou do estrategista político Steve Bannon, ex-assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em 2020, os dois anunciaram uma iniciativa conjunta que tinha como objetivo combater o governo chinês e defender mudanças políticas no país asiático.
Apesar dessa atuação pública, a investigação concluiu que o empresário utilizava sua influência para captar recursos de apoiadores enquanto administrava o esquema financeiro.
Vítimas perderam economias
Durante a leitura da sentença, a juíza Analisa Torres destacou relatos enviados por vítimas do caso.
Segundo os depoimentos apresentados ao tribunal, muitas pessoas perderam todas as economias investidas nos projetos promovidos por Guo.
Além dos prejuízos financeiros, diversos investidores relataram problemas emocionais, ansiedade e conflitos familiares após descobrirem a fraude.
Na decisão, a magistrada afirmou que o empresário explorou pessoas que acreditavam contribuir para a promoção da democracia na China.
Defesa alega perseguição política
Os advogados de Guo sustentaram que o empresário sofre perseguição do Partido Comunista Chinês desde que deixou o país.
Segundo a defesa, autoridades chinesas influenciaram diferentes setores nos Estados Unidos para prejudicar o empresário.
Além disso, Guo afirmou, antes da sentença, que seu principal objetivo sempre foi combater o governo chinês.
Ele também reclamou das condições enfrentadas na prisão preventiva e informou ao tribunal que recebeu atendimento médico após apresentar um quadro de vômitos.
China mantém pedido de extradição
Após a divulgação da condenação, o Ministério das Relações Exteriores da China informou que acompanha o caso.
O governo chinês destacou que Guo Wengui continua procurado internacionalmente e permanece alvo de um alerta vermelho da Interpol.
Esse mecanismo permite que países sejam informados sobre pedidos de localização e eventual prisão para fins de extradição, conforme a legislação de cada nação.
Enquanto isso, Guo continuará preso nos Estados Unidos para cumprir a pena determinada pela Justiça norte-americana, além de responder pelas obrigações financeiras estabelecidas na sentença.













