Alta da energia, barreiras comerciais e juros elevados pressionam países, enquanto investimentos em inteligência artificial ajudam a sustentar o crescimento global.
A inflação na economia mundial voltou ao centro das preocupações de governos, bancos centrais e investidores. A alta do petróleo, as novas tarifas comerciais e a permanência dos juros elevados aumentam os custos para empresas e consumidores, ao mesmo tempo que reduzem as expectativas de crescimento em diversas economias.
Uma pesquisa da Reuters realizada com quase 500 economistas apontou aumento das projeções de inflação e redução das estimativas de crescimento em 39 das 50 economias analisadas. Apesar disso, os investimentos em inteligência artificial, semicondutores e centros de dados continuam sustentando parte da atividade econômica global.
Petróleo aumenta a inflação na economia mundial
O petróleo acima de US$ 100 por barril tornou-se um dos principais fatores de pressão sobre a inflação na economia mundial. Isso ocorre porque o aumento não afeta apenas os combustíveis.
A energia mais cara eleva os custos do transporte de mercadorias, da produção agrícola, da aviação e de diferentes setores industriais. Consequentemente, as empresas podem repassar parte dessas despesas para os preços cobrados dos consumidores.
Além disso, a instabilidade no Oriente Médio mantém o mercado energético sob forte volatilidade. Para economias dependentes da importação de petróleo, o impacto tende a ser ainda maior.
Segundo o Fundo Monetário Internacional, a inflação global deve passar de 4,1% em 2025 para 4,7% em 2026. A instituição prevê uma desaceleração para 3,9% em 2027, desde que as pressões sobre energia e comércio internacional diminuam.
Tarifas comerciais aumentam os custos
Outro fator de risco é a ampliação das barreiras comerciais. Os Estados Unidos anunciaram novas tarifas de 10% e 12,5% sobre produtos de dezenas de parceiros comerciais, sob a justificativa de falhas na fiscalização do trabalho forçado.
Embora algumas mercadorias tenham recebido tratamento diferente, as medidas ampliam os custos de importação e aumentam a insegurança para empresas que dependem de cadeias internacionais de produção.
O Brasil também solicitou consultas formais com os Estados Unidos no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio. O governo brasileiro questiona tarifas aplicadas a determinados produtos nacionais e considera as medidas incompatíveis com compromissos comerciais internacionais.
Esse cenário pode reduzir o comércio, encarecer produtos importados e aprofundar a inflação na economia mundial.
Juros podem permanecer elevados por mais tempo
Com a inflação resistente, bancos centrais encontram menos espaço para reduzir os juros. Taxas elevadas tornam empréstimos, financiamentos e investimentos mais caros.
Nos Estados Unidos, investidores acompanham as decisões do Federal Reserve diante da combinação entre preços de energia, tarifas e atividade econômica ainda resistente. O mercado passou a considerar até mesmo a possibilidade de novas altas, embora esse não seja o cenário predominante entre os analistas.
Por outro lado, juros elevados por muito tempo podem enfraquecer o consumo, reduzir investimentos produtivos e aumentar as dificuldades de países endividados.
Inteligência artificial sustenta parte do crescimento
Apesar das incertezas, os investimentos relacionados à inteligência artificial continuam movimentando a economia. Empresas estão ampliando os gastos com centros de dados, semicondutores, energia e infraestrutura digital.
Estados Unidos, China, Coreia do Sul e Taiwan estão entre as economias mais beneficiadas por esse ciclo tecnológico. Dessa forma, o setor ajuda a impedir uma desaceleração global mais intensa.
No entanto, o Banco de Compensações Internacionais alerta que o avanço da inteligência artificial pode produzir sinais contraditórios. Os investimentos estimulam a demanda e a atividade no curto prazo, mas os ganhos futuros de produtividade ainda são incertos.
Economia mundial deve crescer de forma desigual
O Fundo Monetário Internacional projeta crescimento global de 3% em 2026 e de 3,4% em 2027. Segundo a instituição, a economia permanece sustentada pela tecnologia, porém enfrenta os efeitos da energia cara e das tensões geopolíticas.
O Banco Mundial apresenta uma estimativa mais cautelosa. A instituição prevê crescimento de 2,5% em 2026, abaixo dos 2,9% registrados em 2025. Além disso, as projeções foram reduzidas para aproximadamente dois terços das economias analisadas.
A diferença entre as projeções ocorre porque as duas instituições utilizam metodologias e hipóteses distintas. Ainda assim, ambas indicam um ambiente de crescimento moderado e riscos elevados.
O que pode acontecer nos próximos meses
O rumo da economia dependerá principalmente dos preços da energia, das decisões dos bancos centrais e da evolução das disputas comerciais.
Caso o petróleo continue elevado e as tarifas pressionem novos aumentos de preços, a inflação poderá permanecer resistente. Nesse cenário, os juros devem continuar altos e o crescimento pode perder força.
Por outro lado, uma redução das tensões geopolíticas e a estabilização dos preços da energia poderiam diminuir a pressão inflacionária.
Portanto, a economia mundial continua crescendo, mas de maneira desigual. Países ligados à tecnologia avançam com maior velocidade, enquanto economias dependentes de energia importada enfrentam custos maiores e perspectivas mais frágeis.
Para compreender o cenário completo, consulte também a análise do Fundo Monetário Internacional sobre a economia global e as projeções do Banco Mundial para o crescimento internacional






