Israel amplia ofensiva no Líbano e busca enfraquecer Hezbollah em meio à guerra com o Irã

A guerra envolvendo Israel, Irã e os Estados Unidos abriu uma nova frente de conflito no Líbano, onde forças israelenses intensificaram ataques contra o grupo armado Hezbollah.

Segundo autoridades militares israelenses, o país aproveita o enfraquecimento do Irã — principal financiador do Hezbollah — para tentar reduzir definitivamente a capacidade militar do grupo, considerado uma das maiores ameaças à segurança na fronteira norte de Israel.

Planos já estavam sendo preparados

Autoridades israelenses afirmam que os planos para uma nova operação no sul do Líbano vinham sendo preparados desde o início do ano.

Mais de um ano havia se passado desde o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em 2024, que encerrou temporariamente meses de confrontos entre Israel e o Hezbollah, incluindo uma incursão terrestre israelense no território libanês.

No acordo, o governo libanês havia prometido desarmar o grupo apoiado pelo Irã, mas autoridades israelenses dizem que isso não ocorreu.

Para Israel, a continuidade da presença militar do Hezbollah na região representava uma ameaça direta às comunidades israelenses próximas à fronteira.

Ataque do Hezbollah abriu caminho para ofensiva

O cálculo estratégico de Israel mudou após protestos no Irã abalarem o regime e a guerra envolvendo Washington e Teerã se intensificar.

Mesmo assim, os planos para atacar o Hezbollah permaneceram prontos.

Em 2 de março, o Hezbollah lançou seis foguetes contra o norte de Israel, alegando que o ataque era uma resposta à morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei.

Para Israel, a ação serviu como justificativa para ampliar a ofensiva.

“O Hezbollah caiu em uma emboscada estratégica”, declarou o comandante do Comando Norte de Israel, Rafi Milo, classificando o ataque como um “erro grave”.

Segundo ele, os bombardeios continuarão até que o grupo sofra um “golpe sério”.

Ataques e avanço militar

As Forças de Defesa de Israel (IDF) passaram a realizar sucessivas ondas de ataques em todo o território libanês, mirando:

  • centros de comando do Hezbollah

  • depósitos de armas

  • lançadores de mísseis

  • instalações de treinamento

Israel também emitiu dezenas de alertas de evacuação para civis no sul do país, deslocando centenas de milhares de pessoas para áreas ao norte do Rio Litani.

De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, mais de 680 pessoas já morreram desde o início da nova ofensiva.

Forças israelenses também avançaram cerca de 1 quilômetro dentro do território libanês, ampliando a chamada zona tampão que Israel define como área de “defesa avançada”.

Reações no Líbano

O presidente do Líbano, Joseph Aoun, condenou o avanço militar israelense e acusou Israel de não respeitar o direito internacional.

Ao mesmo tempo, o líder libanês também criticou o Hezbollah, afirmando que o grupo estaria colocando o país em risco ao agir de acordo com os interesses do regime iraniano.

Ele chegou a declarar que as atividades militares do grupo são ilegais e pediu negociações diretas com Israel para alcançar uma cessação definitiva das hostilidades.

Hezbollah ainda mantém capacidade militar

Apesar dos ataques israelenses e da morte de líderes importantes, o Hezbollah continua com capacidade de reação.

Nos últimos dias, o grupo lançou centenas de foguetes e drones contra Israel, incluindo uma barragem com mais de 100 foguetes em um único ataque.

O grupo também tentou incursões na fronteira com unidades de elite conhecidas como Radwan.

Segundo Israel, pelo menos dois soldados israelenses morreram e 14 ficaram feridos em confrontos recentes no sul do Líbano.

Antes da guerra, o Hezbollah possuía um dos maiores arsenais de mísseis entre grupos não estatais do mundo, com financiamento estimado em US$ 1 bilhão por ano proveniente do Irã.

Mesmo após a ofensiva israelense, autoridades militares estimam que o grupo ainda mantém parte significativa de seu arsenal.

Estratégia de segurança de Israel

A atual campanha reflete uma mudança na doutrina militar israelense após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023.

Desde então, Israel passou a defender a criação de zonas tampão em regiões fronteiriças, incluindo áreas em Gaza, no sul do Líbano e na fronteira com a Síria.

A estratégia busca evitar novas ameaças diretas às comunidades israelenses próximas às fronteiras.

Durante o conflito de 2023, mais de 60 mil moradores do norte de Israel precisaram ser evacuados, situação que o governo israelense afirma que não pretende repetir.

Possível nova ofensiva

Analistas avaliam que Israel pode intensificar ainda mais a campanha contra o Hezbollah após o fim da atual fase da guerra contra o Irã.

Segundo o especialista em segurança Assaf Orion, do Washington Institute for Near East Policy, Israel pode lançar uma ofensiva terrestre de maior escala no Líbano caso o conflito com o Irã diminua.

Isso ocorreria porque parte da força aérea israelense, atualmente focada no conflito com Teerã, ficaria disponível para apoiar operações terrestres no território libanês.

Para autoridades israelenses, o momento atual representa uma oportunidade estratégica.

“Temos que usar esta janela para terminar o que não completamos antes”, afirmou um oficial militar israelense.

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