O Brasil ocupa a terceira posição entre os países com maior número de periódicos científicos universitários ativos no mundo. O dado faz parte de um levantamento internacional publicado em janeiro de 2026 na revista científica Scientometrics.

O estudo identificou 19.414 periódicos universitários ativos em 148 países. Além disso, os pesquisadores apontaram que Estados Unidos, Indonésia e Brasil concentram a maior quantidade dessas publicações acadêmicas.
Os Estados Unidos lideram o ranking com 2.188 títulos ativos. Em seguida aparece a Indonésia, com 2.131 periódicos. Já o Brasil ocupa o terceiro lugar, com 1.530 revistas científicas universitárias cadastradas na base internacional Ulrichsweb.
Revistas universitárias ampliam acesso ao conhecimento
Segundo o levantamento, quase metade dos periódicos universitários opera em modelo de acesso aberto. Além disso, cerca de 75% dessas revistas funcionam no formato diamante, no qual autores e leitores não pagam taxas.
A principal autora do estudo, Maryna Nazarovets, pesquisadora do Centro Leibniz de Informação para Ciência e Tecnologia, destacou a importância dessas publicações para democratizar o acesso à ciência.
De acordo com a especialista, revistas universitárias multilíngues e de acesso aberto ajudam a reduzir desigualdades globais e ampliam o acesso ao conhecimento em regiões com menos recursos.
Além disso, o estudo revelou que mais de um terço dos periódicos publica exclusivamente em idiomas diferentes do inglês. Dessa forma, as revistas fortalecem tradições acadêmicas locais e aproximam a produção científica das comunidades e dos formuladores de políticas públicas.
Brasil se destaca por estrutura universitária e incentivo à pesquisa
Para Maryna Nazarovets, o desempenho brasileiro resulta de uma combinação de fatores. Entre eles estão o tamanho do sistema universitário público e o fortalecimento das políticas de pós-graduação.
Segundo a pesquisadora, muitas universidades brasileiras consideram seus periódicos parte essencial da infraestrutura acadêmica, assim como bibliotecas e laboratórios.
Além disso, o sistema de avaliação da pós-graduação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior estimulou a criação de novos canais de publicação científica no país.
A pesquisadora também destacou o pioneirismo brasileiro em acesso aberto, principalmente com a criação do SciELO em 1996, iniciativa apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
Crescimento dos periódicos ganhou força nos anos 1990
O ex-presidente da Associação Brasileira de Editores Científicos, Sigmar de Mello Rode, explicou que a expansão das revistas universitárias ganhou força durante os anos 1990.
Na época, o Ministério da Educação incluía a existência de revistas científicas próprias entre os critérios de avaliação dos programas de pós-graduação.
Segundo Rode, isso incentivou universidades brasileiras a criarem periódicos científicos para fortalecer a comunicação acadêmica e ampliar a divulgação das pesquisas produzidas internamente.
Sustentabilidade financeira ainda desafia revistas científicas
Apesar do crescimento, os periódicos universitários enfrentam desafios financeiros e estruturais. Muitas revistas dependem de recursos institucionais, editais públicos e apoio de agências de fomento para manter as atividades.
A dentista Ana Carolina Magalhães, editora do Journal of Applied Oral Science, afirmou que manter uma publicação científica exige equipe qualificada, pareceristas especializados e financiamento contínuo.
Segundo ela, a revista recebe cerca de 800 submissões por ano e publica aproximadamente 90 artigos de pesquisadores de 66 países.
Além disso, o custo anual da publicação gira em torno de R$ 386 mil. Desse total, 74% vêm da Universidade de São Paulo e o restante depende de editais e recursos externos.
Universidades ampliam internacionalização das publicações
A Universidade Estadual de Campinas também mantém iniciativas voltadas ao fortalecimento dos periódicos científicos.
O Portal de Periódicos da universidade reúne atualmente 33 títulos ativos. Além disso, a instituição criou uma incubadora voltada a revistas acadêmicas em estágio inicial, principalmente nas áreas de ciências humanas e sociais.
Já a revista Dados, uma das mais tradicionais das ciências sociais brasileiras, continua enfrentando desafios financeiros mesmo com reconhecimento acadêmico consolidado.
Segundo o editor Luiz Augusto Campos, as revistas universitárias cumprem papel essencial ao publicar pesquisas ligadas a problemas nacionais e regionais que muitas vezes recebem pouca atenção de editoras internacionais.
Dessa forma, os periódicos científicos universitários seguem como instrumentos fundamentais para fortalecer a produção científica brasileira, ampliar o acesso ao conhecimento e garantir diversidade acadêmica no cenário global.













