Pedra Furada no Jalapão foi esculpida pela água ao longo de milhares de anos

Formação rochosa é resultado de processos de erosão e intemperismo que preservaram a parte mais resistente de um antigo maciço no Tocantins.

A Pedra Furada no Jalapão foi formada ao longo de milhares de anos pela ação da água, do sol e, em menor escala, do vento. Localizada em Mateiros, no leste do Tocantins, a formação rochosa se tornou um dos pontos turísticos mais conhecidos do Parque Estadual do Jalapão.

Segundo o geólogo Sanclever Freire Peixoto, doutor em Geologia pela Universidade de Brasília (UnB), antigos rios atravessavam a região e desgastaram gradualmente o maciço rochoso. A parte que permaneceu apresenta maior resistência à erosão, enquanto o restante do material foi transportado pela água.

Água abriu passagens no interior da rocha

Para compreender a origem da Pedra Furada, é necessário observar como era a paisagem do Jalapão há milhares de anos. De acordo com Sanclever, rios cortavam a área e modificavam continuamente as formações geológicas.

“A água foi esculpindo a Pedra Furada, que ficou como uma estrutura reliquiar que sobrou da erosão de toda aquela região”, explicou o geólogo. Segundo ele, a formação atual corresponde a uma porção mais resistente de um maciço muito maior.

O restante da estrutura sofreu desgaste e acabou transportado pela força da água. Além disso, os corredores e aberturas onde os visitantes costumam tirar fotografias também surgiram durante esse processo.

“Aqueles dutos que têm lá dentro, onde o pessoal gosta de tirar foto, aquilo ali foi a água”, afirmou Sanclever. Portanto, o formato atual não surgiu de uma ruptura isolada, mas de uma transformação lenta e contínua.

Intemperismo químico predominou na formação

Os processos que alteram e desgastam as rochas recebem o nome de intemperismo. Eles podem ocorrer por ações químicas, físicas e biológicas, dependendo do ambiente e da composição dos minerais.

No caso da Pedra Furada, o intemperismo químico teve maior influência. A água da chuva, combinada com o calor e a exposição ao sol, dissolveu gradualmente parte dos minerais presentes na rocha.

“O que seria o intemperismo químico? Seria a água da chuva, o sol, que vai solubilizando os minerais que formam as rochas e vai esculpindo aquele maciço”, explicou o especialista.

Esse processo ocorre de forma muito lenta. No entanto, sua atuação durante milhares de anos consegue produzir alterações profundas na paisagem. Dessa maneira, pequenas transformações acumuladas deram origem às passagens, paredes e formatos observados atualmente.

Vento continua modificando a paisagem do Jalapão

O vento também contribuiu para a formação da Pedra Furada, embora com intensidade menor do que a água. Nesse caso, o processo é classificado como intemperismo físico.

Partículas de areia transportadas pelo vento atingem as rochas e provocam um desgaste gradual. Porém, segundo Sanclever, essa contribuição foi pequena quando comparada à atuação dos antigos rios e das chuvas.

“O vento continua esculpindo como ele faz com a Serra do Espírito Santo. Leva os sedimentos da serra e deposita nas dunas, mas a contribuição é muito pequena”, afirmou.

Assim, a Pedra Furada continua sofrendo modificações. Contudo, essas mudanças acontecem em uma velocidade quase imperceptível para os visitantes e só podem ser compreendidas em uma escala geológica.

Formação resistente permaneceu após erosão do maciço

A estrutura recebeu o nome de formação reliquiar porque representa o que restou de uma paisagem antiga. Ao longo do tempo, a erosão removeu os materiais mais frágeis e preservou as partes com maior resistência.

Esse processo ajuda a explicar por que determinadas rochas permanecem isoladas em regiões amplas. Enquanto o terreno ao redor é desgastado, transportado ou dissolvido, algumas porções resistem e se tornam monumentos naturais.

Na Pedra Furada, as aberturas também oferecem diferentes enquadramentos da paisagem. Por isso, o local se tornou conhecido pelas fotografias do pôr do sol, da vegetação do Cerrado e das formações arenosas do entorno.

Parque Estadual do Jalapão reúne paisagens do Cerrado

A Pedra Furada integra o Parque Estadual do Jalapão, principal complexo turístico do Tocantins. A área protegida possui aproximadamente 158 mil hectares e está localizada a cerca de 300 quilômetros de Palmas.

Além das formações rochosas, a região reúne dunas, cachoeiras, rios e fervedouros de águas cristalinas. Esses atrativos transformaram o Jalapão em um dos destinos de natureza mais procurados do Brasil.

Grande parte das estradas possui terreno arenoso. Por isso, o acesso aos principais pontos turísticos costuma exigir veículos com tração nas quatro rodas. O deslocamento também depende de planejamento, devido às longas distâncias e à infraestrutura limitada em algumas áreas.

A paisagem combina elementos do Cerrado com paredões, chapadas e cursos d’água. Dessa forma, o visitante encontra diferentes ambientes dentro de uma mesma região.

Pedra Furada ganhou destaque nacional na televisão

Em 2017, a Pedra Furada apareceu em cenas da novela “O Outro Lado do Paraíso”, exibida pela TV Globo. A produção utilizou diferentes paisagens do Tocantins como cenário e ajudou a ampliar a visibilidade turística do Jalapão.

Desde então, o local passou a receber ainda mais visitantes interessados em conhecer as formações mostradas na televisão. Além disso, fotografias publicadas nas redes sociais reforçaram a fama do ponto turístico.

O aumento da visitação, porém, exige cuidados com a preservação. Formações geológicas levam milhares de anos para surgir e podem sofrer danos irreversíveis com intervenções humanas. Por isso, visitantes devem respeitar as áreas delimitadas e evitar retirar fragmentos das rochas.

Pedra Furada preserva registro da transformação do território

A Pedra Furada no Jalapão é mais do que um cenário turístico. A formação preserva evidências de rios antigos, mudanças climáticas e processos naturais que transformaram o território ao longo de milhares de anos.

A ação da água teve papel principal na abertura das passagens e na remoção das partes menos resistentes. Enquanto isso, o vento e o sol continuam modificando lentamente a paisagem.

Por fim, compreender a origem da Pedra Furada ajuda a ampliar a valorização do patrimônio natural do Tocantins. O atrativo reúne turismo, ciência e conservação em uma das regiões mais conhecidas do Cerrado brasileiro.

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