Professor da Universidade da Virgínia detalha programa baseado em alimentação, monitoramento da glicose e exercícios. Estratégia apresentou resultados em pesquisas, mas não substitui avaliação e acompanhamento médico.
O controle do pré-diabetes e do diabetes tipo 2 sem medicamentos pode ser possível para algumas pessoas, mas depende do quadro clínico e exige acompanhamento profissional. Essa é a proposta apresentada pelo professor Daniel J. Cox, da Faculdade de Medicina da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, em um programa que combina escolhas alimentares, atividade física e acompanhamento constante da glicemia.
Cox, que também vive com diabetes, desenvolveu o GEM — Glucose Everyday Matters (Glicose Diária Importa). Segundo o pesquisador, o método o mantém em remissão há 15 anos sem medicamentos ou insulina. Agora, ele reúne no livro A GEM for Your Pre- or Type 2 Diabetes os resultados de 16 anos de pesquisas e ensaios clínicos relacionados à estratégia.
O programa busca evitar grandes elevações da glicose após as refeições e utiliza exercícios como ferramenta adicional para controlar os níveis de açúcar no sangue. No entanto, o próprio autor ressalta que o método não deve levar pacientes a interromper medicamentos por conta própria e que o acompanhamento de um profissional de saúde continua indispensável.
Programa GEM combina alimentação e atividade física
A proposta do GEM parte da relação entre as escolhas feitas ao longo do dia e suas consequências sobre a glicemia.
Em vez de classificar os alimentos simplesmente como permitidos ou proibidos, Cox incentiva o paciente a compreender como cada decisão influencia o nível de açúcar no sangue. Dessa forma, alimentação e exercícios passam a fazer parte de uma estratégia conjunta.
Segundo o professor, uma pessoa que queira comer um doce, por exemplo, pode optar por uma pequena quantidade e associar essa decisão a uma caminhada posteriormente. A atividade física pode ajudar o organismo a utilizar glicose e, consequentemente, reduzir a elevação após a refeição.
Além disso, o programa incentiva o acompanhamento cotidiano. O livro funciona como uma espécie de guia de trabalho, com perguntas e listas de verificação para registrar hábitos.
Entre as informações acompanhadas estão a quantidade de passos realizados diariamente e a intensidade dos exercícios. Assim, o objetivo não se limita a uma dieta temporária, mas busca construir um estilo de vida voltado ao controle contínuo da glicemia.
Método propõe reduzir alimentos que elevam rapidamente a glicose
A alimentação ocupa uma posição central no programa. Cox direciona atenção principalmente aos alimentos ricos em carboidratos que podem elevar a glicose.
Entre os itens que o método recomenda reduzir ou substituir estão arroz, milho, batata e grãos como trigo, aveia, centeio e cevada. Consequentemente, produtos preparados com esses ingredientes, como pães, bolos, biscoitos, doces e pizzas, também entram na estratégia de substituição.
A proposta ainda direciona atenção a frutas com maior quantidade de carboidratos, como banana e manga, além de frutas secas, bebidas adoçadas, guloseimas, mel, xaropes e determinados condimentos.
Entretanto, isso não significa que todas as pessoas com pré-diabetes ou diabetes tipo 2 devam eliminar esses alimentos da dieta. Necessidades nutricionais, medicamentos, nível de atividade física e controle glicêmico variam entre indivíduos. Por isso, mudanças significativas na alimentação precisam considerar orientação profissional.
Alimentos com menor impacto glicêmico ganham espaço
Do outro lado, o programa prioriza alimentos que ajudam a montar refeições com menor impacto sobre a glicemia.
A lista apresentada por Cox inclui morango, mirtilo, amora, abacate e laranja, além de vegetais como espinafre, brócolis, couve-flor, cenoura, abóbora e berinjela.
Oleaginosas, como nozes, amêndoas, amendoim e castanhas, também aparecem entre as alternativas. Além disso, o método inclui sementes, laticínios sem açúcar, ovos e carnes magras.
Na prática, Cox propõe substituir parte das porções ricas em carboidratos por opções que provoquem menor elevação da glicose. No café da manhã, por exemplo, o método sugere trocar determinadas refeições à base de pães e cereais por um omelete.
Ainda assim, a composição ideal da dieta deve ser individualizada. Afinal, controlar a glicemia não depende apenas de um alimento isolado, mas também das quantidades consumidas, da combinação da refeição, da atividade física e das características metabólicas de cada pessoa.
Remissão não significa necessariamente cura do diabetes
A experiência relatada por Cox chama atenção porque o professor afirma permanecer em remissão há 15 anos sem medicamentos ou insulina.
No entanto, remissão e cura não são necessariamente a mesma coisa. Uma pessoa pode manter a glicemia abaixo dos critérios usados para diagnosticar diabetes durante determinado período sem utilizar medicamentos e, ainda assim, precisar continuar acompanhando a condição.
Além disso, o resultado individual obtido pelo pesquisador não significa que todas as pessoas com diabetes tipo 2 conseguirão alcançar o mesmo resultado.
Alguns pacientes podem controlar a doença com mudanças no estilo de vida, enquanto outros continuam precisando de medicamentos. Portanto, a decisão sobre reduzir ou suspender um tratamento deve ocorrer exclusivamente com acompanhamento médico.
Diabetes afeta mais de 800 milhões de pessoas
A discussão ganha importância diante da dimensão mundial da doença. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 800 milhões de pessoas vivem com diabetes.
Quando não recebe controle adequado, a condição pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares e renais, além de perda de visão e outras complicações.
Embora o diabetes tipo 2 tenha sido historicamente mais frequente entre pessoas acima dos 45 anos, casos também vêm ganhando importância entre crianças, adolescentes e adultos jovens.
Nesse cenário, estratégias capazes de melhorar alimentação, aumentar atividade física e favorecer o controle glicêmico podem desempenhar um papel importante na prevenção e no tratamento.
Portanto, controlar o pré-diabetes e o diabetes tipo 2 sem medicamentos pode ser possível em determinados casos, mas não existe uma solução única para todos os pacientes. O programa desenvolvido por Daniel J. Cox apresenta uma abordagem baseada em mudanças contínuas no estilo de vida. Ainda assim, qualquer alteração no tratamento, principalmente a retirada de medicamentos ou insulina, deve ocorrer somente com orientação de profissionais de saúde.






