Aprovação de Sanae Takaichi recua 12 pontos percentuais em um mês, enquanto eleitores enfrentam aumento do custo de vida e demonstram preocupação com os planos econômicos do governo.
A popularidade da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, caiu em julho diante da inflação, da fraqueza do iene e do aumento das despesas das famílias. Pesquisa do jornal Yomiuri mostrou que a aprovação do governo recuou de 69% em junho para 57% neste mês.
A queda ocorre poucos meses depois de Takaichi conquistar uma ampla vitória eleitoral e ampliar sua força no Parlamento. No entanto, o cenário econômico começou a reduzir o apoio conquistado pelo governo.
O aumento dos preços, principalmente de energia e produtos importados, pressiona os consumidores. Além disso, dúvidas sobre cortes de impostos, gastos públicos e crescimento da dívida aumentam a cobrança sobre a primeira-ministra.
Popularidade de Sanae Takaichi cai 12 pontos em um mês
A aprovação de Takaichi permanece acima da rejeição, mas o recuo mostra uma mudança no humor da população. A pesquisa também indica que o custo de vida se tornou um dos principais problemas para os eleitores japoneses.
A primeira-ministra assumiu o cargo em outubro de 2025 e se tornou a primeira mulher a comandar o governo do Japão. Em fevereiro de 2026, seu partido conquistou mais de dois terços das cadeiras da Câmara dos Representantes, resultado que ampliou sua capacidade de aprovar projetos.
Apesar da força política, o governo enfrenta dificuldades para transformar a vitória eleitoral em melhora perceptível na economia das famílias. Dessa forma, a inflação começa a reduzir o período de popularidade vivido pela administração.
Iene fraco aumenta custo de produtos importados
A desvalorização do iene encarece produtos comprados no exterior. Como o Japão importa grande parte da energia e de algumas matérias-primas que consome, a moeda fraca aumenta os custos para empresas e consumidores.
Na última semana, o iene registrou sua maior queda em mais de dois meses. A moeda chegou a aproximadamente 164 ienes por dólar, menor nível em cerca de 40 anos, apesar dos alertas do governo sobre uma possível intervenção no mercado.
Ao mesmo tempo, os preços no atacado avançaram 7,1% em junho na comparação anual. Esse foi o crescimento mais rápido em mais de três anos e superou as projeções do mercado.
Quando empresas pagam mais por combustíveis, alimentos e matérias-primas, parte do custo chega ao consumidor. Por isso, a fraqueza do iene afeta diretamente o cotidiano da população.
Takaichi defende política de crescimento econômico
Sanae Takaichi afirmou que o Japão precisa aumentar sua capacidade de crescimento e sua competitividade para recuperar a confiança na moeda. Segundo a primeira-ministra, a cotação do iene não depende apenas das decisões do governo.
A administração aposta em investimentos públicos e privados, estímulos econômicos e redução de impostos. O plano oficial pretende elevar o crescimento real do Japão para mais de 1% ao ano, acima da média de 0,4% registrada nos últimos cinco anos.
No entanto, críticos questionam como o governo financiará as medidas. O Japão já possui uma das maiores dívidas públicas do mundo, enquanto o aumento dos juros eleva o custo dos empréstimos governamentais.
Cortes de impostos geram dúvidas sobre financiamento
O governo avalia medidas para reduzir o impacto da inflação, incluindo uma possível suspensão temporária do imposto sobre alimentos. A proposta pode aliviar parte das despesas das famílias.
Entretanto, parlamentares e analistas cobram uma explicação sobre a origem dos recursos necessários para compensar a perda de arrecadação. Sem uma fonte clara, a redução de impostos poderá ampliar o déficit público.
A situação cria um desafio político para Takaichi. A primeira-ministra precisa responder ao aumento do custo de vida, mas também deve evitar medidas que provoquem novas preocupações sobre a dívida japonesa.
Além disso, integrantes do partido governista começam a discutir possíveis mudanças no gabinete. O movimento indica que a queda de popularidade poderá aumentar a pressão interna sobre a liderança da primeira-ministra.
Banco do Japão avalia novos aumentos dos juros
O Banco do Japão elevou a taxa básica para 1% em junho, maior nível em 31 anos. A instituição tenta reduzir a inflação e conter a desvalorização da moeda sem prejudicar o crescimento econômico.
O mercado espera que o banco mantenha os juros na próxima reunião, mas sinalize a possibilidade de novos aumentos. Analistas consultados pela Reuters projetam que a taxa poderá chegar a 1,25% até o fim de 2026.
Juros maiores podem fortalecer o iene e controlar os preços. Por outro lado, também encarecem empréstimos para famílias, empresas e o próprio governo.
Esse equilíbrio aumenta a tensão entre a política econômica expansionista de Takaichi e a necessidade de o Banco do Japão controlar a inflação.
Economia define novo desafio para o governo japonês
A queda na popularidade de Sanae Takaichi mostra que a vitória eleitoral não eliminou a preocupação dos japoneses com a economia. O iene fraco, a inflação e o aumento do custo de vida começaram a reduzir o apoio ao governo.
A primeira-ministra mantém força no Parlamento para aprovar sua agenda. No entanto, precisará apresentar resultados capazes de aliviar as despesas das famílias sem ampliar excessivamente a dívida pública.
Por fim, as próximas decisões do Banco do Japão e as medidas econômicas anunciadas pelo governo poderão definir o futuro da aprovação de Takaichi. Caso a moeda continue desvalorizada e os preços avancem, a pressão política deverá aumentar.






