Exchange com mais de 420 mil clientes anuncia saída do mercado de negociação e custódia de criptoativos; empresa cita exigências regulatórias e estabelece cronograma para devolução dos recursos
A Coinext anunciou o encerramento de sua operação de varejo de criptomoedas no Brasil após avaliar as exigências estabelecidas pelo novo marco regulatório do Banco Central. A exchange, fundada em Belo Horizonte e com mais de 420 mil clientes, informou que devolverá integralmente os ativos e recursos mantidos pelos usuários.
A decisão atinge os serviços de negociação e custódia de ativos digitais. No entanto, a Coinext Asset, braço de gestão do grupo voltado principalmente ao mercado institucional, continuará funcionando.
Com a saída, a Coinext se torna a quarta plataforma citada no material a anunciar o encerramento das atividades de varejo no país desde abril. Bitnuvem, NovaDAX e Digitra.com também comunicaram decisões de deixar esse segmento em meio às mudanças regulatórias.
Coinext afirma que não encontrou alternativa viável
Fundada em 2017, a Coinext afirmou que analisou diferentes possibilidades antes de optar pelo encerramento da operação.
Segundo o CEO e cofundador José Artur Ribeiro, a companhia conversou com potenciais parceiros e estudou alternativas para manter os serviços.
“A nova regulação trouxe uma série de exigências para quem opera nesse mercado. Conversamos com potenciais parceiros, exploramos alternativas e nos dedicamos ao máximo para encontrar um caminho de continuidade dos negócios. No entanto, nenhuma das opções analisadas se mostrou viável”, afirmou Ribeiro em comunicado.
Dessa forma, a companhia iniciou um processo gradual de encerramento. A empresa afirma que devolverá integralmente os valores dos clientes, seguindo um calendário estabelecido para cada etapa.
Clientes terão prazo para negociar e retirar criptomoedas
A Coinext suspendeu depósitos, novos cadastros e novas adesões a staking na quinta-feira (3). Entretanto, clientes ainda terão períodos específicos para movimentar os recursos mantidos na plataforma.
As ordens de compra e venda permanecerão disponíveis até 15 de outubro. Depois, os clientes poderão realizar saques em criptomoedas até 20 de outubro.
A partir de 26 de outubro, a exchange informou que converterá automaticamente para reais os saldos remanescentes mantidos em criptoativos. O cronograma para devolução dos ativos e recursos segue até 30 de novembro, conforme informado pela companhia.
Além disso, a Coinext indicou Mercado Bitcoin e OKX aos clientes interessados em continuar negociando criptomoedas. Contudo, não haverá transferência automática das contas. A empresa também afirma que não receberá comissão pelas indicações.
Coinext Asset continuará atendendo mercado institucional
O encerramento não representa o fim de todas as atividades do grupo.
A decisão envolve especificamente a operação de varejo relacionada à negociação e à custódia de ativos digitais. Enquanto isso, a Coinext Asset continuará funcionando, com atuação voltada ao segmento institucional.
Portanto, a mudança representa uma reorganização da atuação da companhia no Brasil, e não o encerramento integral de todos os negócios associados à marca.
Coinext é quarta exchange citada a deixar o varejo desde abril
A decisão ocorre depois de outras saídas registradas ao longo dos últimos meses.
Em abril, a Bitnuvem deixou o mercado citando custos operacionais, exigências regulatórias e a concentração do setor em empresas maiores.
Depois, em junho, a NovaDAX encerrou suas atividades após uma “avaliação estratégica” de seu grupo controlador, segundo as informações apresentadas.
Já em agosto, a Digitra.com anunciou que não solicitaria autorização ao Banco Central e encerraria sua operação para aproximadamente 200 mil clientes.
Com a Coinext, portanto, chegam a quatro as plataformas citadas no material que decidiram encerrar operações de varejo em menos de cinco meses.
Novas regras do Banco Central pressionam mercado cripto
As mudanças acontecem em meio à implantação de um novo regime regulatório para as Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs).
Segundo as informações apresentadas, as regras em vigor desde 2 de fevereiro estabelecem exigências como autorização prévia, capital mínimo compatível com as atividades desenvolvidas, sede física própria, segregação patrimonial e controles de prevenção à lavagem de dinheiro.
Além disso, empresas que já atuavam no mercado receberam até 30 de outubro para protocolar seus pedidos de autorização. Quem não cumprir as condições aplicáveis deixa de ter direito a continuar oferecendo os serviços abrangidos pelo regime.
As novas obrigações aumentam, portanto, a necessidade de investimento em governança, estrutura financeira, tecnologia e compliance.
Mercado de criptomoedas passa por consolidação no Brasil
As saídas recentes também colocam em evidência uma possível consolidação entre as empresas que atuam no mercado brasileiro de criptomoedas.
Enquanto algumas corretoras encerram operações, procuram parceiros ou reduzem produtos, plataformas de maior porte, como Binance, Mercado Bitcoin e OKX, continuam operando, conforme o cenário apresentado.
No entanto, as quatro saídas citadas, isoladamente, não permitem concluir que a regulação seja a única responsável por todas as decisões. As próprias empresas mencionaram fatores diferentes, incluindo custos operacionais e avaliações estratégicas.
No caso da Coinext, a companhia relacionou diretamente sua decisão às novas exigências e afirmou que não encontrou uma alternativa economicamente viável para manter a operação de varejo.
Assim, a proximidade do prazo regulatório deve continuar colocando empresas diante da escolha entre buscar autorização, adaptar seus modelos de negócio ou deixar as atividades alcançadas pelas novas regras.
Saída da Coinext marca nova etapa do mercado cripto brasileiro
O encerramento da Coinext no varejo de criptomoedas reforça as mudanças pelas quais o setor passa no Brasil. Com mais de 420 mil clientes, a exchange agora concentra esforços na devolução dos recursos e mantém apenas o braço institucional citado no comunicado.
Para os usuários, as datas do cronograma ganham importância: negociações até 15 de outubro, saques em cripto até 20 de outubro, conversão dos saldos remanescentes a partir de 26 de outubro e conclusão do processo prevista até 30 de novembro.
Ao mesmo tempo, o prazo de adequação às regras do Banco Central se aproxima. Por isso, os próximos meses devem mostrar como outras exchanges responderão às novas exigências e como ficará a estrutura do mercado brasileiro de ativos virtuais.






