Número de telefone virou porta de entrada para golpes digitais; veja o que hackers podem fazer

Dado usado em bancos, redes sociais e aplicativos pode ajudar criminosos a aplicar phishing, tentar assumir contas e construir fraudes mais convincentes

O número de telefone deixou de servir apenas para fazer ligações ou enviar mensagens. Atualmente, ele aparece em cadastros bancários, redes sociais, aplicativos de transporte, serviços de entrega, compras on-line e processos de recuperação ou verificação de contas. Por isso, quando essa informação chega às mãos de criminosos, pode funcionar como ponto de partida para diferentes golpes.

De acordo com os dados apresentados no material, números de telefone apareceram em 39% dos vazamentos de dados analisados em uma pesquisa da Verizon de 2024. No entanto, conhecer apenas o número de uma vítima geralmente não permite que um criminoso acesse automaticamente uma conta bancária ou aplicativo.

O perigo aumenta quando golpistas combinam o telefone com outras informações pessoais, como nome, e-mail ou dados obtidos em vazamentos. A partir daí, eles podem criar mensagens mais convincentes, tentar recuperar contas, enganar a própria vítima ou buscar outras informações para ampliar a fraude.

Por que o número de telefone interessa aos criminosos

Um dos principais motivos está na quantidade de serviços associados ao telefone.

Muitas plataformas utilizam o número para identificar usuários, confirmar cadastros ou enviar códigos de autenticação. Além disso, aplicativos de mensagens transformaram o telefone em uma espécie de identidade digital.

Consequentemente, criminosos podem utilizar esse dado como uma porta de entrada para ataques mais elaborados.

Isso não significa que alguém consiga acessar todas as contas de uma pessoa simplesmente conhecendo seu telefone. Em muitos casos, o criminoso ainda precisa obter senhas, códigos de autenticação ou outras informações.

Por isso, golpes de engenharia social ganham importância: em vez de “hackear” diretamente um sistema, o golpista tenta convencer a própria vítima a entregar aquilo que falta.

Golpistas podem enviar mensagens de phishing

Uma das utilizações mais comuns de números obtidos por criminosos envolve phishing por SMS ou aplicativos de mensagens, prática também conhecida como smishing quando ocorre por mensagens de texto.

Nesse caso, a vítima pode receber uma mensagem que imita a comunicação de um banco, empresa, loja ou serviço conhecido. Normalmente, o conteúdo tenta provocar urgência para estimular uma ação rápida.

O objetivo pode ser levar a pessoa até uma página falsa e induzi-la a fornecer senha, dados bancários ou outras informações.

Além disso, quanto mais informações o criminoso possuir sobre a vítima, mais personalizada e convincente a abordagem pode parecer.

Número também pode ser usado em tentativas de assumir contas

Outro risco envolve serviços que permitem recuperar ou confirmar contas utilizando o telefone cadastrado.

Nesse cenário, possuir o número representa apenas uma das peças necessárias. Entretanto, criminosos podem combinar essa informação com senhas vazadas, dados pessoais e técnicas de engenharia social para tentar assumir o controle de contas.

O problema ganha maior dimensão quando a mesma pessoa reutiliza senhas em diferentes plataformas.

Se uma senha associada ao usuário já apareceu em outro vazamento, por exemplo, criminosos podem testar combinações de credenciais em vários serviços. Portanto, o número pode ajudar a conectar informações que antes estavam dispersas.

Golpe de troca de chip pode ampliar o risco

Um ataque particularmente preocupante é conhecido como SIM swap, ou troca fraudulenta de chip.

Nesse tipo de fraude, o criminoso tenta transferir a linha telefônica da vítima para outro chip ou dispositivo. Caso consiga assumir o número, poderá receber chamadas e mensagens destinadas ao verdadeiro proprietário.

Isso se torna especialmente perigoso quando serviços enviam códigos de autenticação ou recuperação de conta exclusivamente por SMS.

Ainda assim, saber o telefone de alguém não é suficiente para realizar automaticamente um SIM swap. O ataque depende de outras etapas e mecanismos de fraude.

WhatsApp também pode entrar na mira

Como o WhatsApp utiliza números telefônicos na identificação das contas, criminosos também podem tentar explorar essa relação.

Um golpista pode se passar por uma empresa, instituição ou pessoa conhecida para tentar obter informações. Em outros casos, pode buscar códigos de confirmação enviados ao usuário.

Por isso, códigos recebidos por SMS ou pelo próprio aplicativo não devem ser compartilhados com terceiros.

Além disso, ativar os mecanismos adicionais de proteção disponibilizados pelo serviço pode dificultar tentativas de tomada de conta.

Dados vazados tornam golpes mais convincentes

O telefone se torna ainda mais valioso quando aparece acompanhado de outras informações.

Imagine que criminosos possuam nome completo, telefone e e-mail. Eles já conseguem criar uma abordagem personalizada. Se também obtiverem informações sobre serviços utilizados pela vítima, a mensagem pode ganhar uma aparência ainda mais legítima.

Dessa forma, o principal risco nem sempre está no número isoladamente, mas na combinação entre diferentes dados pessoais.

Vazamentos ocorridos em momentos e empresas diferentes também podem permitir que criminosos construam gradualmente um perfil da vítima.

Criminosos podem tentar se passar pela vítima

Outra possibilidade envolve a falsificação de identidade em contatos com terceiros.

Com informações pessoais suficientes, golpistas podem criar perfis falsos ou entrar em contato com familiares e conhecidos alegando uma situação urgente. O conhecido golpe do “novo número”, por exemplo, explora justamente a confiança entre pessoas próximas.

Nesse caso, o criminoso não precisa controlar o telefone verdadeiro da vítima. Ele pode utilizar outra linha e simplesmente alegar que trocou de número.

Por isso, pedidos inesperados de dinheiro merecem confirmação por outro canal, principalmente quando envolvem transferências imediatas.

Como proteger seu número de telefone

Algumas medidas reduzem a exposição e dificultam o avanço de golpes. O usuário pode evitar divulgar o telefone publicamente sem necessidade, desconfiar de mensagens inesperadas e nunca entregar códigos de autenticação recebidos por SMS.

Além disso, vale utilizar senhas diferentes em cada serviço e ativar autenticação multifator sempre que possível. Quando a plataforma permitir, métodos que não dependam exclusivamente de SMS podem acrescentar outra camada de proteção.

Também é importante manter aplicativos e sistemas atualizados. Ao mesmo tempo, qualquer perda repentina e inexplicável de sinal da linha merece atenção, principalmente se vier acompanhada de alertas sobre alterações em contas.

Ter seu telefone vazado não significa que suas contas foram invadidas

Apesar dos riscos, é importante fazer uma distinção: a exposição do número de telefone não significa, por si só, que hackers tenham acesso às contas, mensagens ou dinheiro da vítima.

Na maioria dos golpes, os criminosos ainda precisam superar outras barreiras. É justamente nesse momento que senhas reutilizadas, códigos entregues voluntariamente, páginas falsas e outras informações vazadas podem aumentar o risco.

Portanto, o telefone funciona muitas vezes como uma peça inicial de uma fraude maior.

A melhor proteção combina cuidados com o próprio número, senhas exclusivas, autenticação em múltiplos fatores e atenção a contatos inesperados. Afinal, quanto mais barreiras existirem entre o criminoso e as contas da vítima, mais difícil se torna transformar um simples número de telefone em um golpe financeiro.

Compartilhe esta notícia

Notícias • Negócios • Entretenimento

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *