Estudo de 15 anos aponta ação humana como principal fator das emissões na Amazônia

Vista aérea de floresta amazônica com fumaça de queimada, em foto de arquivo

Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil, arquivo.

Pesquisa liderada por Luciana Gatti foi publicada na Nature. Dados de voos mostram a relação entre perda de vegetação, queimadas e clima.

Uma pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais analisou 15 anos de medições e apontou as atividades humanas como fator dominante das emissões de carbono na Amazônia em dois dos três grupos de anos estudados. O trabalho foi publicado em 21 de outubro na revista Nature.

A equipe liderada por Luciana Gatti utilizou dados de 2010 a 2024, coletados por aviões em quatro localidades da Amazônia brasileira. Os registros de gases foram comparados com informações sobre desmatamento, fogo, chuva e temperatura.

O que a pesquisa identificou

Segundo o INPE, os anos de 2019 a 2022 apresentaram aumento das emissões associado à intensificação do desmatamento e das queimadas, mesmo sem os maiores níveis de estresse climático. Nos períodos mais secos, as condições climáticas ampliaram os impactos humanos.

O instituto destaca a importância de reduzir a perda de floresta, combater o uso do fogo e recuperar áreas degradadas. Essas frentes são complementares para preservar o funcionamento do ecossistema.

Por que a floresta absorve e também emite carbono

O balanço de carbono é a diferença entre o que um ambiente retira da atmosfera e o que devolve a ela. Na fotossíntese, as plantas utilizam luz e dióxido de carbono para produzir açúcares e formar estruturas, como folhas, troncos e raízes.

Parte desse carbono pode permanecer armazenada na vegetação e no solo. Outra parcela retorna ao ar por processos como respiração, decomposição e combustão. A presença de árvores, portanto, não significa que toda a área absorva mais carbono do que emite em qualquer momento.

Por que é necessário acompanhar muitos anos

O monitoramento precisa considerar diferentes processos e períodos. Uma queimada libera carbono da matéria orgânica; plantas mortas que não foram consumidas pelo fogo podem continuar liberando gás ao se decompor. Já a regeneração da vegetação volta a retirar parte do carbono atmosférico.

Esse contexto, explicado em materiais científicos da NASA sobre o ciclo do carbono, ajuda a compreender por que uma única fotografia ou uma medição isolada não descreve o balanço de uma floresta inteira. Séries de observações permitem comparar absorção, emissões e mudanças ambientais ao longo do tempo.

Fontes: INPE — apresentação da pesquisa; Nature — artigo científico; NASA — ciclo do carbono.

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