Trump em Fort Myers, em 23 de outubro de 2026. Imagem: The White House/Reprodução de vídeo.
Presidente americano fez a declaração em comício nesta sexta-feira (23); chanceler cubano rejeitou a ameaça e respondeu nas redes sociais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a sugerir nesta sexta-feira, 23 de outubro, que navios militares americanos poderiam passar por Cuba depois das operações relacionadas ao conflito com o Irã. A declaração foi feita durante um comício em Fort Myers, na Flórida, e incluiu a possibilidade de enviar o secretário de Estado, Marco Rubio, para concluir um acordo sobre a ilha.
Trump descreveu um cenário em que uma embarcação pararia perto da costa cubana. A fala retoma a pressão de Washington sobre Havana, mas não apresenta um cronograma de execução nem os termos de um eventual entendimento diplomático.
Declaração ocorreu durante ato eleitoral
O assunto surgiu quando uma pessoa na plateia perguntou sobre Cuba. Na transcrição do discurso, Trump respondeu que trataria da ilha no retorno das operações no Irã e falou em uma breve parada. Em seguida, descreveu a passagem de navios e a atuação posterior de Rubio.
O presidente sugeriu que um dos navios poderia ficar a aproximadamente 50 jardas da costa, distância equivalente a cerca de 45 metros. Ao apresentar essa hipótese, afirmou que as autoridades cubanas levantariam as mãos e que o secretário de Estado resolveria a situação.
O evento fazia parte da campanha republicana para as eleições legislativas americanas de 3 de novembro. Assim, a declaração sobre política externa ocorreu em um ato de mobilização eleitoral, diante de apoiadores, e não na divulgação de uma ordem operacional das Forças Armadas.
Governo cubano rejeita ameaça
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, respondeu ao presidente americano nas redes sociais. Segundo a agência ANSA, o chanceler rejeitou as ameaças e fez referência às características do litoral cubano ao abordar a possibilidade de uma aproximação hostil.
Rodríguez escreveu que a costa tem belas praias, mas também formações rochosas irregulares, descritas como inóspitas para quem chega com intenções de dominação. A manifestação explicita a oposição de Havana ao cenário mencionado por Trump.
Poucas semanas antes, o presidente dos Estados Unidos havia dito esperar um acordo com Cuba e avaliado que uma ação militar não seria necessária. A declaração desta sexta-feira recoloca os navios militares em seu discurso, sem esclarecer como essa possibilidade se relacionaria com uma negociação.
Rubio faz apelo por mudança na ilha
Também nesta sexta-feira, Rubio publicou no X um apelo a pessoas interessadas em promover mudanças em Cuba. Na mensagem, reproduzida pela agência EFE, o secretário de Estado defendeu uma colaboração discreta com a CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos.
O posicionamento ocorreu após o discurso de Trump. Não equivale, por si só, à apresentação de um acordo concluído com Havana ou à confirmação de uma operação militar contra a ilha.
As relações entre os dois países permanecem marcadas pelo embargo americano e pelas medidas de pressão ampliadas pela administração Trump. As restrições ao abastecimento de petróleo se somam à crise de combustível e aos apagões em Cuba. O novo episódio acrescenta declarações de ambos os governos a esse cenário, enquanto os termos de qualquer eventual acordo continuam sem detalhamento público nas falas apresentadas.






