Investigação aponta atuação de núcleo jurídico
Segundo o Ministério Público, os investigados atuavam como um núcleo jurídico das organizações criminosas.
De acordo com a apuração, os advogados utilizavam visitas no parlatório da unidade prisional para transmitir ordens de chefes do tráfico que deveriam permanecer isolados.

Além disso, as investigações indicam que o grupo levava mensagens relacionadas ao funcionamento das facções e retornava com informações destinadas aos líderes presos.
Câmeras registraram encontros
Com autorização judicial, investigadores instalaram câmeras no parlatório entre setembro de 2025 e janeiro de 2026.
Durante esse período, as gravações, segundo o MP-BA, registraram conversas sobre compra de armamentos, tráfico de drogas, controle financeiro das organizações criminosas e planejamento de crimes.
Além disso, a investigação aponta que alguns advogados escondiam bilhetes sob as roupas para tentar burlar a fiscalização durante as visitas.
Ministério Público detalha suspeitas
O coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), Luiz Ferreira de Freitas Neto, afirmou que os investigados utilizaram prerrogativas da advocacia para favorecer atividades criminosas.
Segundo ele, o Ministério Público denunciou todos os envolvidos por participação em organização criminosa.
Além disso, as investigações identificaram indícios relacionados a tráfico de armas, tráfico de drogas, homicídios e outros delitos.
Vídeos mostram repasse de informações
Os investigadores afirmam que as gravações revelaram a atuação individual de alguns advogados.
Segundo o MP-BA, os registros mostram suspeitos recebendo orientações sobre armamentos, anotações de movimentações financeiras e transmissão de mensagens envolvendo cobranças, sequestros e comercialização de drogas.
Ao mesmo tempo, a investigação aponta que presos utilizavam codinomes para se referir a diferentes tipos de entorpecentes durante as conversas.
Operação começou após atentado
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil da Bahia, André Viana, a investigação teve início após um atentado contra o diretor de um presídio na região de Eunápolis.
A partir dessa apuração, os investigadores identificaram que um advogado fazia a ligação entre lideranças presas e integrantes das facções que permaneciam em liberdade.
Em seguida, as autoridades ampliaram a investigação até chegar ao grupo alvo da operação.
MP defende mudanças na legislação
Após a operação, o Ministério Público defendeu mudanças nas regras de monitoramento dos parlatórios em presídios estaduais.
Segundo a proposta, o estado adotaria modelo semelhante ao utilizado no sistema penitenciário federal, onde o monitoramento por áudio e vídeo ocorre de forma obrigatória desde 2019.
Na avaliação do procurador-geral de Justiça da Bahia, Pedro Maia Souza Marques, a medida pretende impedir que lideranças criminosas utilizem visitas para manter contato com integrantes das organizações fora das unidades prisionais.
Investigações continuam
As autoridades informaram que as investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis participantes do esquema.
Enquanto isso, o Ministério Público analisará o material apreendido durante a operação para verificar se existem novos envolvidos.
Por fim, caso surjam novas evidências, os investigadores poderão ampliar as acusações relacionadas às atividades das organizações criminosas.









