O governo brasileiro decidiu acompanhar como observador as audiências públicas realizadas nos Estados Unidos sobre o tarifaço proposto pela administração do presidente Donald Trump contra produtos brasileiros. Apesar da presença nas sessões, o Brasil optou por não se inscrever para apresentar manifestações durante os debates.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a estratégia continua concentrada nas negociações diplomáticas e técnicas entre autoridades dos dois países, consideradas o principal caminho para buscar um acordo antes do prazo final.

Brasil enviará observadores às audiências
A Embaixada do Brasil em Washington participará das audiências apenas como observadora.
De acordo com o Itamaraty, essa decisão permitirá que o governo acompanhe os argumentos apresentados durante as sessões sem transformar o espaço em uma negociação formal.
Além disso, o governo avalia que as conversas de alto nível realizadas nas últimas semanas oferecem melhores condições para discutir a questão comercial.
Prazo para acordo termina em 15 de julho
Brasil e Estados Unidos seguem negociando uma solução para evitar ou reduzir as tarifas anunciadas pelo governo norte-americano.
As autoridades dos dois países têm até 15 de julho para buscar um entendimento.
Durante as reuniões, representantes brasileiros apresentaram propostas relacionadas aos pontos levantados pelos Estados Unidos na investigação comercial.
Até o momento, porém, o governo brasileiro ainda não recebeu uma resposta oficial.
Flávio Bolsonaro participará das audiências
Embora o governo brasileiro não faça pronunciamentos nas audiências, outros brasileiros participarão dos debates.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) confirmou presença como um dos inscritos para discursar durante o segundo dia de reuniões.
Além dele, o influenciador político Paulo Figueiredo também se cadastrou para apresentar argumentos diante do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela política comercial norte-americana.
Governo mantém negociações diplomáticas
Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, reuniu-se com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
Segundo o ministério, novas conversas entre as duas delegações já estão previstas para os próximos dias.
Enquanto isso, o governo brasileiro segue defendendo que a relação comercial entre os dois países beneficia ambas as economias.
Busca por novos mercados continua
Paralelamente às negociações, integrantes do governo afirmam que o Brasil continuará ampliando mercados para seus produtos.
O ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, declarou que a prioridade permanece no diálogo com os Estados Unidos, mas ressaltou a importância de diversificar os destinos das exportações brasileiras.
Segundo ele, o país abriu mais de 500 novos mercados internacionais nos últimos três anos e meio.
Além disso, destacou o avanço das negociações comerciais com a União Europeia como uma oportunidade para ampliar a presença dos produtos brasileiros no exterior.
Governo vê dificuldade para reverter tarifaço
Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty avaliam que a recomendação apresentada pelo USTR possui forte componente político.
Segundo essa avaliação, os documentos utilizados pelos Estados Unidos na investigação comercial apresentam poucas diferenças em relação aos estudos produzidos no ano passado.
Por isso, parte do governo considera improvável uma revogação completa das tarifas.
Ainda assim, os negociadores brasileiros trabalham para reduzir o impacto das medidas ou conseguir exceções para determinados produtos antes do encerramento das negociações em 15 de julho.









