Silêncio vira esperança entre escombros enquanto equipes buscam sobreviventes na Venezuela

Em meio à destruição provocada pelos terremotos que atingiram a Venezuela, o silêncio passou a ser uma das ferramentas mais importantes das equipes de resgate. Em La Guaira, socorristas interrompem máquinas, desligam equipamentos e pedem silêncio absoluto sempre que surge a possibilidade de ouvir alguém sob os escombros.

A estratégia busca localizar sobreviventes em áreas completamente destruídas. Embora muitos dos alertas terminem sem confirmação, cada minuto de espera representa uma nova chance de salvar vidas.

Silêncio interrompe operações de resgate

Durante uma operação nas Residências Mariola e Maribel, um socorrista acreditou ouvir uma voz sob uma enorme pilha de concreto e ferro.

Imediatamente, as máquinas foram desligadas. Além disso, guindastes, furadeiras e motores pararam de funcionar para reduzir qualquer ruído que pudesse atrapalhar a escuta.

Enquanto isso, dezenas de pessoas permaneceram imóveis. O único objetivo era identificar qualquer sinal de vida vindo dos escombros.

Esperança toma conta dos familiares

A notícia de um possível sobrevivente rapidamente se espalhou entre moradores e voluntários que acompanhavam os trabalhos.

Familiares se abraçaram e começaram a rezar. Muitos acreditavam que uma nova pessoa seria resgatada com vida.

Ao mesmo tempo, socorristas subiram sobre os destroços, ajoelharam-se e passaram vários minutos tentando ouvir qualquer resposta.

Durante esse período, apenas pedidos de silêncio quebravam a tensão que dominava o local.

Alarme falso aumenta frustração

Após cerca de dez minutos de expectativa, equipes especializadas chegaram para avaliar a situação.

Entretanto, nenhuma resposta foi encontrada sob os escombros. Pouco depois, os profissionais concluíram que o alerta havia sido falso.

Consequentemente, a esperança deu lugar à frustração entre familiares e voluntários que acompanhavam o resgate.

Apesar disso, as buscas continuaram na tentativa de localizar outras vítimas.

Familiares seguem procurando desaparecidos

Entre os voluntários estava Ronnie Navarro, que viajou aproximadamente 350 quilômetros para procurar o tio desaparecido.

Mesmo após o falso alarme, ele permaneceu ajudando na retirada de concreto e ferragens.

Segundo Ronnie, diversos corpos ainda permanecem soterrados. Além disso, ele afirmou que muitos familiares decidiram participar diretamente das buscas diante da angústia causada pela espera por informações.

Enquanto isso, o paradeiro de seu tio continua desconhecido.

Moradora relata demora no resgate

A bioanalista Zuly Marín escapou da tragédia por acaso. No momento dos terremotos, ela havia saído para fazer compras e decidiu visitar o pai antes de retornar para casa.

A mudança de planos acabou salvando sua vida.

Entretanto, familiares próximos não tiveram a mesma sorte. Segundo ela, uma sobrinha e um cunhado morreram após o desabamento do prédio.

Além da dor da perda, Zuly criticou o tempo de resposta das operações de resgate. Na avaliação dela, uma atuação mais rápida poderia ter aumentado as chances de sobrevivência de parte das vítimas.

Número de mortos continua aumentando

As operações de busca seguem mobilizando equipes de resgate em diferentes regiões da Venezuela.

Até o momento, o balanço oficial aponta 1.719 mortos em consequência dos terremotos. Além disso, dezenas de pessoas continuam desaparecidas.

Nos últimos dias, os socorristas conseguiram retirar 33 sobreviventes dos escombros, resultado que mantém viva a esperança de novos resgates.

Por isso, cada operação continua seguindo o mesmo protocolo: sempre que existe qualquer suspeita de vida sob os destroços, o silêncio toma conta da área para que equipes especializadas possam ouvir os menores sinais vindos sob toneladas de concreto.

Enquanto familiares aguardam notícias, a expectativa por novos resgates continua alimentando o trabalho dos socorristas em uma das maiores tragédias da história recente da Venezuela.

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