Fabricante de chips alcançou marca inédita após ações atingirem recorde histórico e se juntou a Nvidia, Broadcom e Micron entre empresas americanas do setor avaliadas na casa dos trilhões
A AMD (Advanced Micro Devices) ultrapassou pela primeira vez US$ 1 trilhão em valor de mercado nesta segunda-feira (21), equivalente a cerca de R$ 5,14 trilhões na conversão apresentada. A fabricante de chips atingiu a marca em meio ao crescimento das expectativas dos investidores sobre sua participação no mercado de infraestrutura para inteligência artificial.
Durante a manhã, as ações da companhia avançaram 9,6%, para US$ 613,50, aproximadamente R$ 3.153,39, e alcançaram o maior preço da história, segundo os dados apresentados. Com a valorização, a AMD passou a integrar o grupo de fabricantes americanas de semicondutores avaliadas na casa dos trilhões de dólares.
O movimento também reforça a disputa no mercado de chips para IA, atualmente liderado pela Nvidia. Além das GPUs, a AMD amplia sua presença em processadores para servidores e sistemas completos destinados a data centers, uma estratégia que busca aproveitar os investimentos crescentes em infraestrutura computacional.
AMD entra no grupo de fabricantes avaliadas em trilhões
Com a valorização desta segunda-feira, a AMD tornou-se, segundo as informações apresentadas, a quarta fabricante americana de chips a alcançar valor de mercado de pelo menos US$ 1 trilhão, depois de Nvidia, Broadcom e Micron.
A Nvidia atingiu esse patamar pela primeira vez em 2023. Desde então, a expansão da inteligência artificial aumentou a procura por seus aceleradores destinados a data centers e treinamento de grandes modelos.
Agora, a AMD tenta ampliar sua participação nesse mercado. A expectativa em torno dessa estratégia contribuiu para a valorização recente das ações e levou a companhia ao novo patamar de capitalização.
Vale destacar que valor de mercado não representa dinheiro disponível no caixa da empresa. O indicador resulta, de forma simplificada, da multiplicação do preço das ações pelo número de papéis em circulação e, portanto, pode variar conforme as cotações mudam.
Inteligência artificial impulsiona expectativas sobre a AMD
Sediada em Santa Clara, na Califórnia, a AMD disputa diretamente o mercado de unidades de processamento gráfico (GPUs), componentes fundamentais para executar cargas de trabalho de inteligência artificial.
Entretanto, a companhia não aposta apenas na venda individual de chips. Nos últimos anos, passou a oferecer sistemas que combinam diferentes componentes, incluindo processadores e equipamentos de rede.
Dessa forma, a empresa tenta entregar uma infraestrutura mais completa para data centers e competir por contratos associados à expansão da IA.
Ao mesmo tempo, a AMD se beneficia da demanda por CPUs para servidores. Esses processadores trabalham em conjunto com GPUs e outros aceleradores nos grandes centros de processamento responsáveis por executar modelos de inteligência artificial.
Esse segmento também colocou a companhia em competição direta com a Intel, historicamente uma das principais fornecedoras de processadores para servidores.
Ações da AMD acumulam forte valorização
O avanço desta segunda-feira ampliou um movimento que já vinha ganhando força nas últimas semanas.
Desde o início de setembro, quando a AMD divulgou sua previsão de receita trimestral, as ações acumulam valorização superior a 26%, conforme os números apresentados.
Além disso, outras fabricantes de semicondutores registraram ganhos nesta segunda. As ações da Intel subiram aproximadamente 11%, enquanto a Qualcomm avançou 4,1%.
O índice americano que acompanha empresas do setor de semicondutores também ganhou 2,6% e alcançou seu maior nível em um mês.
Portanto, embora as expectativas específicas em torno da AMD tenham contribuído para sua máxima histórica, o movimento ocorreu em um dia de valorização mais ampla entre empresas de chips.
AMD disputa mercado dominado pela Nvidia
A corrida pela infraestrutura necessária para inteligência artificial transformou o setor de semicondutores em uma das áreas mais observadas pelos investidores.
Nesse cenário, a Nvidia conquistou uma posição dominante no fornecimento de GPUs utilizadas no treinamento e na execução de modelos avançados. A AMD, por sua vez, busca ampliar a concorrência com novos aceleradores e soluções para data centers.
A estratégia vai além do hardware. Empresas que compram milhares de chips também avaliam software, eficiência energética, capacidade de rede e facilidade para integrar diferentes componentes.
Consequentemente, a disputa entre fabricantes passa a envolver plataformas completas, e não apenas o desempenho individual de cada processador.
Parceria com governo dos EUA envolve supercomputadores
A expansão da AMD também alcançou projetos científicos. Em outubro de 2025, segundo o material fornecido, o governo dos Estados Unidos anunciou uma parceria de US$ 1 bilhão com a empresa para desenvolver supercomputadores destinados à pesquisa.
Os equipamentos foram planejados para apoiar estudos relacionados a áreas como energia nuclear, tratamentos contra o câncer, desenvolvimento de medicamentos e segurança nacional.
Na ocasião, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, e a CEO da AMD, Lisa Su, destacaram à Reuters o potencial dessas máquinas para acelerar experimentos científicos que exigem grande capacidade computacional.
Entre as áreas citadas está a fusão nuclear, tecnologia que tenta reproduzir na Terra o processo responsável pela produção de energia no Sol. Os pesquisadores dependem de simulações complexas e grandes volumes de processamento para estudar o comportamento do plasma.
Marca de US$ 1 trilhão reforça peso dos chips para IA
A chegada da AMD a US$ 1 trilhão em valor de mercado representa mais um reflexo da transformação provocada pela inteligência artificial no setor de semicondutores.
A companhia tenta aproveitar esse ciclo ampliando a oferta de GPUs, CPUs e sistemas completos para data centers. Ao mesmo tempo, enfrenta concorrentes de grande porte em um mercado no qual desempenho, consumo de energia, software e capacidade de produção podem determinar a escolha dos clientes.
A marca de US$ 1 trilhão, porém, depende diretamente da cotação das ações e pode ser perdida ou recuperada conforme o mercado oscila. Ainda assim, o recorde alcançado nesta segunda-feira mostra o tamanho das expectativas dos investidores sobre o papel da AMD na expansão da infraestrutura global de inteligência artificial.






