A China anunciou uma meta de crescimento econômico entre 4,5% e 5% para 2026, considerada a mais baixa em décadas. A medida reflete os desafios enfrentados pela segunda maior economia do mundo, que tenta lidar com o enfraquecimento do consumo interno, a crise no setor imobiliário e o aumento das pressões comerciais internacionais.

O anúncio foi feito durante a reunião política anual conhecida como “Duas Sessões”, um dos principais eventos do calendário político chinês, que reúne milhares de representantes da Assembleia Popular Nacional e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês em Pequim.
Economia desacelerando
Apesar da meta mais baixa, a China continua sendo um dos principais motores da economia global. O país responde por cerca de um terço do crescimento econômico mundial, segundo estimativas de organismos internacionais.
Ao abrir a sessão anual do Parlamento chinês, o primeiro-ministro Li Qiang reconheceu que o cenário econômico recente tem sido particularmente desafiador.
“As conquistas do ano passado foram muito difíceis de alcançar. Raramente enfrentamos um cenário tão complexo, no qual desafios externos se somaram a dificuldades internas”, afirmou.
Entre os principais obstáculos citados por analistas estão a crise prolongada no setor imobiliário responsável por uma parcela significativa da atividade econômica do país, além da queda na confiança do consumidor e das tensões comerciais com os Estados Unidos.
Mesmo com essas dificuldades, a economia chinesa cresceu 5% em 2025, impulsionada principalmente por exportações fortes. O país também registrou um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão, apesar das disputas comerciais com Washington.
Segundo análises internacionais, a meta atual é a mais baixa desde 1991, com exceção de 2020, quando o governo chinês optou por não definir um objetivo oficial devido ao impacto da pandemia de covid-19.
Aumento do orçamento militar
Durante o mesmo encontro político, Pequim anunciou ainda um aumento de 7% no orçamento de defesa, reforçando sua estratégia de modernização militar.
Com isso, o país deve destinar cerca de 1,9 trilhão de yuans (aproximadamente US$ 276,8 bilhões) às Forças Armadas o segundo maior orçamento militar do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
A ampliação dos gastos militares ocorre em meio a disputas estratégicas envolvendo Taiwan e o Mar do Sul da China, áreas onde Pequim mantém reivindicações territoriais e tem intensificado sua presença militar.
Mudança no modelo de crescimento
Autoridades chinesas também destacaram que o país busca transformar seu modelo econômico. O objetivo é reduzir a dependência de exportações e da indústria pesada, estimulando consumo doméstico, inovação tecnológica e setores de alto valor agregado.
Entre as metas econômicas apresentadas pelo governo estão:
- inflação ao consumidor próxima de 2%
- crescimento da renda da população no mesmo ritmo da expansão econômica
- fortalecimento da indústria de alta tecnologia e da inovação
Essas diretrizes devem fazer parte do 15º Plano Quinquenal, que estabelecerá as prioridades de desenvolvimento do país até 2030.
Durante as “Duas Sessões”, acompanhadas de perto pelo presidente Xi Jinping, parlamentares e autoridades aprovam projetos e reformas que, na prática, já foram definidos previamente pela liderança do Partido Comunista Chinês.
Para analistas, o evento funciona tanto como fórum político quanto como um momento de sinalização ao mercado global sobre os rumos da economia chinesa especialmente em um período de desaceleração e reorganização do modelo de crescimento do país.













