Eleitores brasileiros no exterior crescem 32% e chegam a 919 mil em 2026

Cadastro eleitoral fora do país ganhou cerca de 222 mil pessoas em quatro anos; Lisboa liderou o avanço entre as cidades, enquanto os Estados Unidos mantiveram o maior total.

O número de eleitores brasileiros no exterior cresceu 31,8% entre 2022 e 2026. O total passou de 697,1 mil para aproximadamente 918,9 mil pessoas aptas a votar. Segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral nesta segunda-feira, 20 de julho, o cadastro ganhou cerca de 221,8 mil eleitores em quatro anos. Além disso, o avanço aumentou a demanda por locais de votação em diferentes países.

Embora o crescimento seja expressivo, ele não representa apenas um aumento da população brasileira no exterior. A variação também pode refletir novos alistamentos, transferências de domicílio eleitoral e atualizações cadastrais. Ainda assim, os números mostram uma participação maior da comunidade brasileira nas eleições presidenciais.

Lisboa lidera crescimento entre as cidades

Lisboa registrou o maior avanço entre os principais colégios eleitorais fora do Brasil. A capital portuguesa passou de 45,3 mil para 78.833 eleitores, alta de 74,1%. Dessa forma, a cidade assumiu a liderança entre os maiores eleitorados brasileiros no exterior.

O crescimento acompanha a presença cada vez maior de brasileiros em Portugal. Segundo o Instituto Nacional de Estatística português, o país reunia pelo menos 574.195 brasileiros em situação regular até o fim de 2025. Por isso, a expansão do cadastro eleitoral em Lisboa e Porto também reflete o fortalecimento dessa comunidade.

Apesar do avanço em Portugal, os Estados Unidos continuam com o maior eleitorado brasileiro por país. O total passou de 182.986 pessoas em 2022 para 265.437 em 2026. Além disso, quatro cidades norte-americanas aparecem entre as dez maiores bases eleitorais no exterior.

Dez cidades concentram os maiores eleitorados

Lisboa lidera o ranking com 78.833 eleitores. Em seguida aparecem Boston, com 53.406, e Porto, com 47.676. Nagóia ocupa a quarta posição, com 44.570 registros. Logo depois surgem Miami, Nova York, Londres, Tóquio, Paris e Orlando.

Boston cresceu 43,7% desde 2022, enquanto Porto avançou 58,4%. Já Nova York ampliou o eleitorado em 39,7%. Por outro lado, Miami apresentou queda de 0,21% no mesmo período.

Ao todo, a base eleitoral reúne registros em 186 cidades. Entre elas, 144 aumentaram o número de eleitores. Além disso, três permaneceram estáveis e 34 apresentaram redução.

Mulheres continuam maioria no exterior

As mulheres representam 57,4% dos eleitores brasileiros cadastrados fora do país. O grupo passou de 408.055 pessoas em 2022 para 527.734 em 2026. Assim, o crescimento feminino chegou a 29,3% em quatro anos.

Enquanto isso, o eleitorado masculino avançou em ritmo maior. O número de homens subiu de 289.023 para 391.142, alta de 35,3%. Com isso, a participação masculina passou de 41,5% para 42,6%.

Mesmo com esse avanço, as mulheres continuam formando a maioria. No entanto, a diferença entre os dois grupos diminuiu em relação à eleição anterior.

Faixa de 40 a 44 anos reúne mais eleitores

Os eleitores de 40 a 44 anos formam o maior grupo etário no exterior. São 124.782 pessoas, contra 100.481 em 2022. Portanto, essa faixa cresceu 24,2% em quatro anos.

Logo depois aparecem os eleitores de 45 a 49 anos, com 116.267 registros. Esse grupo avançou 44,6% desde a última eleição. Em seguida surgem as faixas de 35 a 39 anos, com 115.044 pessoas, e de 30 a 34 anos, com 97.966.

Entre os mais jovens, o grupo de 21 a 24 anos apresentou um dos maiores crescimentos. O total passou de 39.131 para 65.195 eleitores, alta de 66,6%. Dessa forma, a participação das faixas mais jovens também ganhou força.

Falta de informação racial limita análise

O campo de raça ou cor aparece como “não informado” em 556.966 cadastros. Esse número representa 60,6% de todo o eleitorado brasileiro no exterior. Por isso, os dados ainda não permitem uma análise completa da composição racial desse grupo.

Entre os registros preenchidos, 233.202 eleitores se declararam brancos. Em seguida aparecem pardos, com 89.277; amarelos, com 21.170; pretos, com 17.661; e indígenas, com 600.

Em 2022, todos os registros estavam sem raça ou cor declarada. Portanto, não existe uma base segura para comparar a evolução de cada grupo racial entre as duas eleições.

TSE amplia estrutura para a votação

O crescimento do eleitorado aumentou a necessidade de espaços maiores. Em geral, as seções eleitorais funcionam em embaixadas e consulados. Entretanto, esses locais nem sempre comportam todo o fluxo de eleitores.

Por esse motivo, o TSE aprovou R$ 13,2 milhões para alugar imóveis em outros países. A medida atendeu a um pedido do Ministério das Relações Exteriores. Além disso, o Itamaraty trabalha com 66 endereços adicionais para a eleição de 2026.

Desse total, 14 ficam nos Estados Unidos. Três deles estarão em Boston. Já o Japão terá oito espaços alugados, cinco em Nagóia. Dessa forma, a Justiça Eleitoral pretende reduzir filas e melhorar o atendimento.

Brasileiros votam apenas para presidente

As regras de obrigatoriedade seguem o mesmo padrão adotado no Brasil. O voto é obrigatório para pessoas alfabetizadas entre 18 e 70 anos. Já jovens de 16 e 17 anos, maiores de 70 anos e analfabetos podem votar de forma facultativa.

No entanto, existe uma diferença importante. Fora do país, os brasileiros votam apenas para presidente da República. Portanto, não escolhem governador, senador ou deputados.

Por fim, o crescimento de 31,8% mostra uma expansão relevante da participação eleitoral fora do Brasil. Além disso, revela uma concentração maior em cidades como Lisboa, Boston e Porto. O principal desafio agora será garantir estrutura adequada para quase 919 mil eleitores em 2026.

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