A inteligência dos Estados Unidos identificou indícios de que o Irã pode estar posicionando minas navais no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo. A informação foi divulgada pela rede CBS News, com base em relatos de autoridades da inteligência norte-americana.

Segundo a emissora, embarcações pequenas estariam sendo usadas pelo Irã para colocar minas na rota marítima. Estimativas de autoridades dos EUA indicam que o país pode possuir um estoque de até 6 mil minas navais. Já a CNN informou que o processo de instalação desses explosivos poderia já ter começado.
Minas navais são artefatos explosivos colocados no mar que detonam quando entram em contato com navios ou embarcações. Esse tipo de arma é frequentemente utilizado para bloquear ou dificultar a passagem em rotas estratégicas, podendo representar uma ameaça significativa para navios comerciais e militares.
Trump faz nova ameaça ao Irã
Após a divulgação das informações, o presidente Donald Trump fez novas ameaças ao governo iraniano, exigindo que qualquer mina colocada na região seja removida imediatamente.
“Se, por qualquer motivo, minas foram colocadas e não forem removidas imediatamente, as consequências militares para o Irã serão de uma magnitude sem precedentes”, afirmou Trump.
O presidente também declarou que forças americanas estão monitorando a região e que qualquer embarcação utilizada para minar o estreito poderá ser destruída.
Em seguida, Trump afirmou que 10 barcos supostamente usados para lançar minas já teriam sido destruídos pelas forças americanas, acrescentando que as embarcações estavam inativas no momento da operação.
Na segunda-feira (9), o presidente já havia ameaçado o Irã com ataques “vinte vezes mais fortes” caso o país tentasse bloquear o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Trump chegou a declarar que avaliava a possibilidade de assumir o controle militar da região.
Mercado reage à tensão
As declarações ocorrem em meio à escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. O aumento das tensões já impacta o mercado internacional de energia.
O preço do barril de petróleo chegou a se aproximar de US$ 120, pressionado pelo temor de interrupções no transporte de petróleo no Golfo Pérsico. A alta da commodity pode ter impacto direto na inflação global e também no cenário político interno dos Estados Unidos, especialmente com a proximidade das eleições presidenciais.
Por que o Estreito de Ormuz é tão importante
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima localizada entre o território iraniano e a Península Arábica, ligando o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. Aproximadamente 20% de todo o petróleo comercializado no mundo passa por essa rota.
Navios petroleiros que transportam petróleo produzido em países do Golfo como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque utilizam a passagem para levar energia à Ásia, Europa e Américas.
Além do petróleo, grande parte do gás natural exportado pelo Catar também passa pela região.
Historicamente, o estreito já foi palco de tensões militares. Durante a guerra entre Irã e Iraque nos anos 1980, navios petroleiros foram atacados na chamada “guerra dos petroleiros”, levando os Estados Unidos a escoltar embarcações na região.
Desde então, o local permanece um dos pontos geopolíticos mais sensíveis do planeta, e qualquer ameaça de bloqueio ou ataque costuma provocar forte reação nos mercados internacionais de energia.













