Longa de Allan Deberton foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para buscar uma vaga em Melhor Filme Internacional; indicados serão anunciados em janeiro
“Feito Pipa”, dirigido por Allan Deberton, foi escolhido para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar 2027 na categoria de Melhor Filme Internacional. A Academia Brasileira de Cinema anunciou a decisão na quarta-feira (16), após um processo que reuniu 15 produções habilitadas.
Rodado em Quixadá, no Ceará, o longa acompanha Gugu, um menino que sonha em se tornar jogador de futebol e vive com a avó. Quando a saúde dela começa a se fragilizar, o garoto tenta esconder a situação por medo de ser separado da família e enviado para morar com o pai.
O elenco principal reúne Yuri Gomes, Lázaro Ramos e Teca Pereira. Além disso, Allan Deberton assina o roteiro ao lado de André Araújo, em uma história inspirada em memórias da infância dos dois em Russas, no interior cearense.
“Feito Pipa” aborda afeto, pertencimento e amadurecimento
A relação entre Gugu e a avó ocupa o centro da narrativa. Criado de maneira livre e afetuosa, o menino precisa enfrentar mudanças quando percebe que a saúde dela coloca em risco a vida que conhece.
Nesse contexto, “Feito Pipa” aborda temas como amadurecimento, pertencimento e vínculos familiares. Ao mesmo tempo, a produção utiliza o interior do Ceará como cenário para desenvolver a trajetória dos personagens.
A escolha coloca o longa no caminho brasileiro para Melhor Filme Internacional, mas não representa uma indicação automática. Agora, o filme precisa avançar pelo processo estabelecido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas até tentar chegar à relação final de concorrentes.
Academia Brasileira escolheu filme entre 15 produções
A definição do representante nacional ficou sob responsabilidade de uma Comissão de Seleção formada pela Academia Brasileira de Cinema.
Segundo as informações divulgadas, 15 longas-metragens foram inscritos e considerados habilitados. Depois, seis produções avançaram para uma pré-seleção antes da escolha definitiva de “Feito Pipa”.
A comissão deste ano reuniu 15 profissionais da indústria cinematográfica brasileira. Entre eles estavam diretores, produtores, atores, distribuidores, músicos e profissionais ligados à curadoria.
A produtora Clélia Bessa presidiu o grupo, que também contou com André Pellenz, Bárbara Cariry, Deborah Osborn, Guilherme Coelho, João Vieira Jr., Juliana Vicente, Lô Politi, Kátia Adler, Maria Gal, Plínio Profeta, Rodrigo Saturnino, Suzana Pires, Tatiana Carvalho Costa e Walter Lima Junior.
Oscar 2027 terá mudanças em Melhor Filme Internacional
A edição de 2027 também chega acompanhada de mudanças nas regras da categoria, conforme as informações apresentadas.
Pelas novas normas descritas, a seleção oficial feita por cada país deixa de ser a única via possível de elegibilidade. Determinados vencedores de competições em grandes festivais internacionais também poderão acessar a disputa, desde que cumpram os critérios estabelecidos pela Academia.
Além disso, o crédito da indicação passa a destacar o filme, em vez do país que realizou a submissão. Em caso de vitória, o diretor receberá a estatueta em nome da equipe criativa, e seu nome aparecerá na placa depois do título da produção.
As demais categorias seguem critérios próprios e não dependem da escolha de um representante nacional.
Cinema brasileiro chega à disputa após temporadas de destaque
A nova campanha ocorre depois de duas temporadas de forte exposição internacional para produções brasileiras.
De acordo com o material apresentado, “Ainda Estou Aqui” venceu Melhor Filme Internacional em 2025, enquanto “O Agente Secreto” recebeu quatro indicações ao Oscar 2026.
Para Mariane Morisawa, jornalista e integrante da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), a repercussão recente pode aumentar a atenção da indústria internacional para produções brasileiras.
“Ter dois filmes em sequência que fizeram tanto barulho na campanha como um todo, conseguiram muitas indicações, ganharam Globo de Ouro, Oscar e muitos outros prêmios ao longo do caminho, claro, faz as pessoas pensarem: ‘Nossa, acho que tem alguma coisa acontecendo no Brasil, no cinema brasileiro’”, afirmou.
Entretanto, a crítica e pesquisadora Paula Jacob pondera que esse histórico, sozinho, não assegura espaço entre os indicados. Segundo ela, as características da trajetória internacional de cada produção também precisam ser consideradas.
Campanha internacional será uma das próximas etapas
A escolha brasileira representa, portanto, apenas uma etapa do caminho até o Oscar. Nos próximos meses, a campanha internacional pode envolver festivais, distribuição em mercados estratégicos, sessões destinadas a votantes, entrevistas e presença dos realizadores em eventos.
Morisawa cita “Ainda Estou Aqui” como exemplo de uma campanha que reuniu diferentes elementos, entre eles a presença do diretor Walter Salles, premiação em Veneza, circulação por festivais e distribuição da Sony Pictures Classics nos Estados Unidos.
Além disso, a jornalista destaca que campanhas competitivas podem exigir investimentos elevados para manter uma produção em evidência durante vários meses.
Paula Jacob também aponta a distribuição internacional e o marketing como componentes relevantes. Para a pesquisadora, acordos de distribuição ajudam os filmes a chegar aos públicos e profissionais da indústria que participam da temporada de premiações.
Ainda assim, esses fatores não garantem uma indicação. A decisão dependerá das regras e das votações realizadas pela Academia ao longo da temporada.
Indicados ao Oscar serão conhecidos em janeiro
Segundo o calendário apresentado, a Academia anunciará os indicados ao Oscar 2027 em 21 de janeiro de 2027. Já a cerimônia está prevista para 14 de março.
Até lá, “Feito Pipa” terá pela frente o processo de campanha e seleção internacional. Assim, o longa de Allan Deberton inicia oficialmente o caminho como representante do Brasil no Oscar 2027, buscando transformar a escolha nacional em uma vaga entre os indicados a Melhor Filme Internacional.







