Focus reduz projeção do IPCA de 2026 pela terceira semana consecutiva

Estimativa para a inflação caiu de 5,16% para 5,15%, enquanto mercado manteve as previsões para o PIB, o dólar e a taxa Selic neste ano.

O Boletim Focus reduziu a projeção do IPCA de 2026 pela terceira semana consecutiva. Segundo o levantamento divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, 20 de julho, a expectativa do mercado financeiro para a inflação oficial caiu de 5,16% para 5,15%.

Há um mês, a previsão estava em 5,33%. Portanto, apesar de a redução semanal ter sido de apenas 0,01 ponto percentual, o movimento acumulado indica uma revisão gradual das expectativas inflacionárias. Ao mesmo tempo, as projeções para o Produto Interno Bruto, o dólar e a taxa básica de juros permaneceram estáveis.

Projeção do IPCA mantém trajetória de queda

A estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo para 2026 passou de 5,16% para 5,15%. Dessa forma, o mercado registrou a terceira redução consecutiva para a inflação deste ano. Na comparação com a projeção de 5,33% observada há quatro semanas, o recuo acumulado chegou a 0,18 ponto percentual.

Para 2027, a previsão do IPCA permaneceu em 4,20%. Já a estimativa para 2028 subiu de 3,70% para 3,78%, interrompendo a estabilidade anterior. Por outro lado, a projeção para 2029 continuou em 3,50%, nível mantido pelo mercado há 46 semanas consecutivas.

O comportamento das expectativas mostra que os analistas enxergam uma desaceleração gradual da inflação nos próximos anos. Ainda assim, a revisão para cima em 2028 indica que o processo pode ocorrer de maneira lenta e com oscilações ao longo do período.

IGP-M também recua pela terceira semana

O Índice Geral de Preços Mercado também apresentou queda nas projeções para 2026. A estimativa passou de 5,61% para 5,55%, completando a terceira semana consecutiva de redução.

Entretanto, as expectativas para os anos seguintes avançaram. Para 2027, a projeção do IGP-M subiu para 4,12%, enquanto a previsão para 2028 chegou a 3,86%. Em ambos os casos, o movimento marcou a primeira semana de alta. Para 2029, a estimativa permaneceu em 3,77% pela quinta semana seguida.

Além disso, a inflação dos preços administrados foi mantida em 5,00% para 2026. A projeção está estável há cinco semanas. Para 2027, a expectativa continuou em 3,85%; para 2028, em 3,50%; e, para 2029, também em 3,50%.

Mercado mantém previsão de crescimento do PIB

A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto em 2026 permaneceu em 1,99%. O percentual está estável há três semanas e representa uma leve melhora em relação à projeção de 1,98% registrada há um mês.

Para 2027, o mercado manteve a previsão de expansão da economia brasileira em 1,65%. Enquanto isso, as estimativas para 2028 e 2029 continuaram em 2,00%. A projeção para 2028 está sem alterações há 123 semanas, enquanto a previsão para 2029 permanece no mesmo nível há 70 semanas.

Nesse cenário, o Boletim Focus aponta para um crescimento moderado da economia. Embora o PIB mantenha trajetória positiva, os números indicam uma expansão limitada, especialmente diante das projeções elevadas para a inflação e os juros.

Dólar permanece projetado em R$ 5,20

A projeção para a taxa de câmbio ao final de 2026 permaneceu em R$ 5,20 pela quinta semana consecutiva. Para 2027, a expectativa também não mudou e continuou em R$ 5,28, nível mantido há três semanas.

Por outro lado, a previsão para o dólar ao final de 2028 recuou de R$ 5,34 para R$ 5,30. Essa foi a segunda semana consecutiva de queda na estimativa. Para 2029, o mercado manteve a cotação projetada em R$ 5,40 pela quinta semana seguida.

A estabilidade nas previsões de curto prazo mostra que os analistas não esperam mudanças expressivas no câmbio até o fim de 2026. Ainda assim, fatores como juros, inflação, cenário fiscal e ambiente internacional podem alterar as estimativas nas próximas edições do relatório.

Selic segue projetada em 14% ao ano

A projeção para a taxa Selic no encerramento de 2026 permaneceu em 14,00% ao ano. A expectativa está estável há quatro semanas consecutivas e reforça a avaliação de que os juros deverão continuar elevados durante o período.

Para 2027, os analistas mantiveram a estimativa em 12,00% ao ano. Já a projeção para 2028 permaneceu em 10,50%, enquanto a previsão para 2029 seguiu em 10,00% ao ano.

Dessa forma, mesmo com a redução gradual das expectativas de inflação, o mercado ainda prevê uma política monetária restritiva. Juros elevados tendem a reduzir o consumo e o crédito, mas também são utilizados para conter a pressão sobre os preços.

Focus indica melhora lenta das expectativas econômicas

A terceira queda consecutiva da projeção do IPCA de 2026 representa o principal destaque do Boletim Focus desta semana. No entanto, a manutenção da Selic em 14% e a previsão de crescimento do PIB em 1,99% mostram que o cenário econômico ainda exige cautela.

Além disso, as projeções para os próximos anos apontam para uma redução gradual da inflação e dos juros, sem mudanças bruscas no câmbio ou na atividade econômica. Por fim, as próximas edições do levantamento serão importantes para mostrar se a tendência de queda do IPCA será mantida e se o mercado passará a prever condições mais favoráveis para a economia brasileira.

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