Reboot dirigido por Zach Cregger cria uma história própria em Raccoon City, abandona o foco excessivo na ação e tenta aproximar a experiência dos games da Capcom do cinema
O novo Resident Evil chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (17) com a proposta de reiniciar mais uma vez a franquia baseada nos jogos da Capcom. Dirigido por Zach Cregger, de “Noites Brutais” e “A Hora do Mal”, o longa aposta principalmente no terror, no suspense e na sensação de isolamento para construir uma adaptação diferente das versões anteriores.
Em vez de simplesmente reproduzir personagens e acontecimentos conhecidos dos games, o filme apresenta uma história própria. Ainda assim, incorpora elementos característicos da franquia à narrativa, especialmente na construção dos monstros, na ambientação e em sequências que tentam reproduzir a tensão de explorar ambientes desconhecidos.
O resultado, segundo a avaliação publicada pelo g1, funciona melhor quando abraça o terror e deixa a ação em segundo plano. Entretanto, o humor aparece como um dos pontos mais controversos da produção e pode quebrar parte da atmosfera construída pelo suspense.
História acompanha entregador enviado para Raccoon City
A trama acompanha Bryan, interpretado por Austin Abrams, ator de “A Hora do Mal”. O personagem trabalha realizando entregas de materiais para hospitais e recebe, durante uma noite, a missão de transportar um pacote misterioso até uma unidade localizada em Raccoon City.
Ao chegar à cidade, porém, Bryan encontra uma situação completamente diferente da esperada. Pessoas e animais contaminados por um vírus começam a se transformar em criaturas mortas-vivas e violentas.
Sem ajuda externa, o protagonista precisa sobreviver enquanto tenta concluir sua entrega e descobrir o que está acontecendo ao seu redor.
Dessa forma, o roteiro utiliza uma estrutura de sobrevivência para conduzir Bryan por uma única noite marcada por ameaças imprevisíveis. Ao mesmo tempo, o mistério sobre a contaminação ajuda a sustentar o suspense durante sua passagem pela cidade.
Zach Cregger transforma isolamento em principal fonte de medo
A direção de Zach Cregger aparece como um dos principais elementos da nova adaptação. O cineasta explora situações em que os perigos surgem de maneira inesperada e utiliza o isolamento do protagonista para ampliar a sensação de vulnerabilidade.
Em vez de concentrar a experiência em grandes confrontos, o filme trabalha com a incerteza sobre o que Bryan encontrará em seguida. Assim, ambientes aparentemente vazios e situações comuns podem rapidamente se transformar em ameaças.
A proposta também distancia o reboot dos filmes dirigidos por Paul W. S. Anderson, estrelados por Milla Jovovich, e de “Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City”, lançado em 2021.
Agora, as lutas estilizadas perdem espaço. No lugar delas, entram uma atmosfera mais sufocante e criaturas apresentadas como ameaças constantes ao protagonista.
Câmera aproxima filme da experiência dos games
Mesmo sem depender dos personagens mais conhecidos de Resident Evil, o longa utiliza recursos visuais que remetem diretamente aos jogos.
Algumas sequências adotam movimentos de câmera e enquadramentos pensados para transmitir a sensação de acompanhar uma partida. Além disso, cenas em primeira pessoa colocam o público na perspectiva do protagonista enquanto ele observa o ambiente em busca de ameaças e possíveis rotas de fuga.
Essa escolha ganha importância porque a exploração sempre ocupou espaço relevante na identidade de Resident Evil. Assim, o filme tenta reproduzir não apenas monstros ou referências visuais, mas também parte da tensão provocada pela necessidade de avançar sem saber exatamente o que existe no próximo ambiente.
Os efeitos especiais também ajudam nessa construção. De acordo com a avaliação do g1, as criaturas apresentam aparência convincente e funcionam como ameaças mais efetivas do que os zumbis apresentados em algumas adaptações anteriores.
Humor divide espaço com atmosfera de terror
Apesar de o terror e o suspense sustentarem os melhores momentos do filme, o uso do humor aparece como um contraste dentro da proposta.
A combinação entre comédia e horror faz parte do trabalho de Cregger em outras produções. No novo Resident Evil, entretanto, o excesso de momentos humorísticos pode interromper a tensão justamente quando a narrativa estabelece situações mais ameaçadoras.
O contraste não elimina os méritos da produção, mas interfere na continuidade do clima de insegurança. Dessa maneira, o longa encontra seus momentos mais fortes quando mantém Bryan isolado, explora ambientes desconhecidos e transforma a imprevisibilidade em ameaça.
Reboot busca nova identidade para Resident Evil nos cinemas
As adaptações de Resident Evil acumulam diferentes abordagens desde que a franquia chegou ao cinema. Enquanto produções anteriores privilegiaram ação e personagens próprios, o novo filme tenta encontrar outra direção ao recuperar elementos de survival horror associados aos jogos.
Ao mesmo tempo, Zach Cregger evita simplesmente transportar uma história específica dos games para as telas. Bryan funciona como protagonista de uma narrativa inédita, enquanto Raccoon City, o vírus, as criaturas e a linguagem visual estabelecem a conexão com o universo criado pela Capcom.
Com isso, o novo Resident Evil procura funcionar tanto para fãs dos jogos quanto para espectadores interessados apenas em um filme de terror. A produção se destaca principalmente pela atmosfera, pelo suspense e pela forma como traduz determinados elementos dos games para o cinema, embora o humor excessivo possa enfraquecer parte da tensão construída ao longo da história.






