Um padre libanês morreu nesta terça-feira (10) após disparos de um tanque das forças de Israel atingirem uma aldeia cristã no sul do Líbano. O religioso havia decidido permanecer na comunidade junto com moradores locais, apesar das sucessivas ordens de evacuação emitidas pelo exército israelense nos últimos dias.

A morte foi confirmada pela Agência Nacional de Notícias do Líbano, em meio à intensificação das operações militares na região fronteiriça.
Segundo relatos locais, o ataque ocorreu enquanto a aldeia permanecia praticamente isolada, após parte da população deixar a região devido ao aumento dos bombardeios.
Ordens de evacuação e críticas de organizações internacionais
As Forças de Defesa de Israel (IDF) vêm emitindo alertas para que civis se desloquem para áreas ao norte do Rio Litani, afirmando que o sul do país está sendo alvo de operações militares contra posições do grupo Hezbollah.
No entanto, organizações internacionais de direitos humanos criticam as evacuações em massa. A Anistia Internacional afirma que alertas de evacuação não isentam forças militares da obrigação de proteger civis que permanecem em suas casas.
Especialistas também apontam que muitos moradores não conseguem deixar as áreas afetadas por falta de transporte, idade avançada ou medo de abandonar propriedades e meios de subsistência.
Número de mortos aumenta
De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, ao menos 394 pessoas morreram desde o início da nova ofensiva israelense no país nesta semana.
Israel afirma que os ataques têm como objetivo destruir a infraestrutura militar e financeira do Hezbollah. Entre os alvos atingidos estariam instituições ligadas ao grupo, como a Al-Qard Al-Hassan, que segundo o governo israelense seria utilizada para financiar armamentos.
Hezbollah reage
Em resposta às operações militares, o Hezbollah declarou ter lançado foguetes contra posições no norte de Israel e contra veículos militares próximos à cidade fronteiriça de Markaba.
Os confrontos intensificaram a tensão na fronteira entre os dois países, região que já enfrenta episódios recorrentes de violência desde o início da guerra na região.
Conflito regional mais amplo
A escalada militar no Líbano é considerada um desdobramento da guerra iniciada em 28 de fevereiro, envolvendo Israel, os Estados Unidos e o Irã.
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que as operações buscam enfraquecer aliados de Teerã na região, incluindo o Hezbollah.
Analistas alertam que a intensificação do conflito pode ampliar ainda mais a instabilidade no Oriente Médio, elevando o risco de uma guerra regional de maior escala e agravando a crise humanitária em áreas já afetadas por anos de confrontos.













