A Espanha encerrou nesta terça-feira (30) o prazo para adesão ao programa extraordinário de regularização migratória. Segundo o governo, mais de 1 milhão de imigrantes apresentaram pedidos para legalizar a permanência no país e obter autorização para morar e trabalhar em território espanhol.

Agora, as autoridades iniciarão a análise da documentação apresentada. O processo deverá durar até três meses e definirá quais candidatos receberão autorização oficial de residência e trabalho.
Governo inicia análise dos pedidos
Com o encerramento das inscrições, o governo espanhol passa à etapa de avaliação dos processos.
Cada solicitação será analisada individualmente. Além disso, as autoridades verificarão se os candidatos cumprem todos os requisitos previstos no programa.
Ao final da análise, os aprovados receberão autorização de residência e trabalho válida apenas para a Espanha.
Quem podia participar do programa?
O plano estabeleceu critérios específicos para participar da regularização.
Os interessados precisavam comprovar permanência em território espanhol por pelo menos cinco meses até 1º de janeiro deste ano.
Além disso, todos deveriam apresentar documentos que comprovassem a ausência de antecedentes criminais.
Dessa forma, o governo buscou restringir o benefício às pessoas que já estavam inseridas na sociedade espanhola e atendiam às exigências legais.
Sánchez defende política migratória
O primeiro-ministro Pedro Sánchez voltou a defender a estratégia adotada pelo governo.
Segundo ele, a regularização fortalece a economia, protege os direitos humanos e ajuda a enfrentar desafios provocados pelo envelhecimento da população espanhola.
Além disso, Sánchez afirmou que a imigração contribui para suprir a demanda por mão de obra em diversos setores da economia e auxilia na manutenção do Estado de bem-estar social.
Na avaliação do governo, a política migratória também favorece regiões que enfrentam perda de população e escassez de trabalhadores.
Empresários apoiam medida
A iniciativa recebeu apoio de representantes do setor empresarial espanhol.
Empresas de diferentes segmentos enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores nos últimos anos.
Por isso, lideranças econômicas avaliam que a regularização pode ampliar a oferta de mão de obra e reduzir a informalidade no mercado de trabalho.
Ao mesmo tempo, especialistas apontam que a medida pode aumentar a arrecadação de impostos e contribuições previdenciárias.
Imigrantes veem oportunidade de recomeçar
Entre os beneficiários está Juana Hernández, cubana de 59 anos que vive em Madri há cerca de dois anos e meio.
Ela considera o programa uma oportunidade para construir uma vida estável na Espanha. Recentemente, recebeu a confirmação de que seu processo entrou na fase de análise.
Outro exemplo é Mohamed, marroquino de 23 anos que vive há quatro anos em situação irregular na região da Cantábria.
Segundo ele, a regularização permitirá trabalhar legalmente, contribuir para a economia e reduzir a vulnerabilidade enfrentada por trabalhadores sem documentação.
Espanha segue como destino de imigrantes
A Espanha permanece entre as principais portas de entrada para imigrantes na Europa.
Apesar disso, o número de entradas irregulares caiu significativamente em 2025. Dados do Ministério do Interior apontam redução de 42,6% em comparação com o ano anterior.
Enquanto isso, o país continua registrando crescimento da população estrangeira.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), mais de 10 milhões de pessoas nascidas fora da Espanha vivem atualmente no país, que possui uma população próxima de 50 milhões de habitantes.
Com a conclusão do período de inscrições, o governo espanhol inicia agora uma das maiores análises de pedidos de regularização migratória da história recente do país. O resultado desse processo poderá influenciar o mercado de trabalho, a política migratória e o cenário demográfico espanhol nos próximos anos.












